25 de março de 2012

Especial | Cães de Aluguel (Quentin Tarantino)


“Ban, ban, ban”, este é o som que o espectador mais ouve no filme “Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs, 1992).

Escrito, dirigido e atuado por Quentin Tarantino, o longa é o primeiro do diretor que estabeleceu um novo modelo de cinema nos anos 90. Com um espetáculo gráfico, violento e estilizado, Cães de Aluguel reúne as principais referências de Tarantino (filmes de samurais, westerns e gangsters), formando o estilo “coquetel molotov”.

Durante um assalto a joalheria, Mr. White (Harvey Keitel), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Pink (Steve Buscemi) e Mr. Blonde (Michael Madsen), os quatro assaltantes contratados por Joe Cabot (Lawrance Tierney), são surpreendidos pela polícia e, após um tiroteio, conseguem escapar. No entanto, há uma dúvida: Quem os traiu? Quem vai levar Mr. Orange para o hospital, que foi baleado e está sangrando até a morte? Mr. Blonde é um psicopata?

A utilização de um roteiro elaborado (referência dos longas de Godard), que muitas vezes pode parecer grosseiro pelas falas cheias de gírias e palavrões, como na cena em que Mr. White, com uma arma apontada para Mr. Pink, grita: “I will fuck you, you fucking unfuckeable motherfucker” e a famosa cronologia não linear de Tarantino, formam uma teia de intrigas e situações que fazem com que o espectador não desgrude os olhos da tela. A técnica do uso dos flashbacks para remontar como cada bandido recebeu as instruções do trabalho funciona magistralmente. 
O posicionamento da câmera, normalmente com uma distância dos personagens e estática (influência de Sergio Leone) e, a única ressalva, o final seco com a cena de tiroteio – obviamente retirada do filme “O Grande Golpe” de Stanley Kubrick – montam esta ação satírica e até mesmo sádica de Tarantino. A utilização da música pop (como na cena em que Mr. Blonde arranca a orelha do policial) movimenta a platéia, que, por vezes, vê-se perdida durante o filme e precisa retomar o fôlego.

Tarantino não tem medo de parecer politicamente incorreto em nenhum momento. A caracterização do negro como a parte “suja” da sociedade foi apenas uma forma de escancarar a realidade do racismo nos EUA. Até mesmo a utilização de um personagem branco psicopata, que acabou de sair da cadeia, provoca a questão: Será que a prisão ajuda ou destrói o ser humano?

A frase “Every ‘dog’ has its day” (Todo ‘cão’ tem seu dia) completa o que a película quer representar: as fraquezas e as virtudes do homens, independente da sua profissão, classe ou raça. Ao mostrar três tipos de criminosos – o “correto” (Mr. White), o psicopata (Mr. Blonde) e o covarde (Mr. Pink) – Tarantino monta três seres humanos, com seus defeitos e desejos.

Talvez seja pela violência exacerbada, o estilo pop (até no momento em que é levantada a dúvida sobre a música “Like a Virgin” de Madonna) ou a ousadia, que faz o cineasta arrastar tantos seguidores pelo mundo. Com certeza Cães de Aluguel é uma obra prima que marcou os anos 90 e o cinema mundial.


Um comentário:

sofia martínez disse...

É muito bom. Sem dúvida, este filme é catapultada para a fama pelo renomado diretor, como os críticos aplaudiram e até mesmo seus dias é considerado um filme de culto, no entanto nas bilheterias não foi muito bem. Dois itens que caracterizam muito é a participação de Buscemi e, claro, o diálogo banal, em que os personagens masculinos estão engajados. Great!