21 de junho de 2013

Crítica l Western


Desertos  e violência

O Grande Roubo - 1903
Entre as areias, pólvora e sangue, os filmes do gênero western sempre foram de aspecto violento. Foi uma fórmula criada pelo cinema estadunidense nos início do séc XX e dura até hoje. O boom desse modelo de filmes se destacou pela sua facilidade na veiculação dentro das redes de televisão.

Mas para melhor exemplificar sobre um gênero que inovou as história e também estagnou a indústria, vamos começar pelos primórdios do cinema. O primeiro filme que se tem que registrado como western foi "O Grande Roubo" em 1903 de Edwin Porter, um ex-assistente de Thomas Alva Edison e também um professor de edição de filmes e sobre cinema para D. W Griffith. Neste primeiro filme já com os métodos de edição e com o close up, o chápeu, as botas e a arma começam a fazer parte daquela  visão heroico dos norte-americanos conquistando o oeste.
Em 1930 com o cinema sonoro começa suas atividades, temos o boom ou a 'era de ouro' do gênero Western com a exportação dos filmes até os anos de 1970. No entanto as obras que se destacaram por um grande tempo foi do diretor John Ford, como "O homem que matou o facínora" de 1962, "No tempos da diligências" de 1939.
John Ford
O cinema western tinha o objetivo de contar a história dos Estados Unidos, a partir da conquista do Oeste. O objetivo era mostrar sobre o período que compreendeu entre os anos de 1860 até 1880. No entanto a figura do cowboy foi construída pelos soldados do Sul dos Estados Unidos durante a Guerra Civil. Nesse aspectos temos uma figura heroica que foi formada pelo enorme genocídio ocorrido com os índios do Oeste dos Estados Unidos, mas o cowboy resistiu apenas como figura histórica no imaginário até pelo seu próprio fim antes mesmo da invenção do cinema.

Apesar de alguns abusos e absurdos o cinema western representava muito bem esse período conturbado da história dos Estados Unidos, pois realmente era uma região violenta, até a briga por mulheres era algo comum segundo os livros de história. No entanto esse modelo padrão de história caiu em desuso antes mesmo do fim da era de ouro do western. Até o próprio John Ford já havia realizado obras com um toque mais sentimental. O western porém não se restringiu aos Estados Unidos, na Europa e até mesmo no Brasil foi realizado obras com essa mesma perspectivas mas com seus toques regionais.
Lima Barreto

No Brasil com a o início das atividades da Vera Cruz a primeira tentativa de uma industrialização do cinema nacional, tivemos nossa primeira obra premiadas internacionalmente. Foi com "O cangaceiro" de 1955 e com a direção de Lima Barreto, tivemos nosso primeiro modelo de western. No entanto o gênero não vingou com a Vera Cruz, até porque Lima Barreto morreu sem nenhum lucro com o filme. Na Europa podemos definir que Sergio Leone que teve esse mesmo papel de nacionalizar um movimento estrangeiro. Mas na realidade foi uma tentativa diferente pois ele deixou suas obras com caráter original, usando de atores estadunidense e a falas em inglês.

Sergio Leone
Um destaque para o western após esse fase dos anos de 1970 e de 1980, foi para Clint Eastwood que após ser ator dos filmes de Sergio Leone, também tornou-se diretor de alguns filmes entre eles "Os Imperdoáveis" de 1990 e "Coração de Caçador" de 1989. O western sempre teve uma relação cíclica com o espectador pois ressurgiu novamente em grandes produções. Entre eles alguns blockbuster do século XXI como "Django Livre" (2013) de Quentin Tarantino e também "Bravura Indômita" (2011) um filme dos irmãos Coen. Apesar de cada vez mais esse gênero ter uma violência expostas de forma nua e crua, atenta-se para a produção que cada vez mais prima por um rigor estético. Apesar de não ser mais os anos de ouro do western, lembramos que ele também foi importante para a formação de outros movimentos cinematográficos. A discussão sobre um cinema western de vanguarda ainda não se concretizou mas que suas obras valem a pena, isso realmente é verdade.

19 de junho de 2013

Cinema Alternativo | The ABC's of Death

Essas antologias de terror estão abalando, não é mesmo? Entrei nessa vibe e resolvi pegar vários pra assistir. Na realidade só alguns, mas como cada um tem vários, vi vários mesmo (ééé). ENTÃO. 

Diretores de quinze países receberam a seguinte proposta: uma letra do alfabeto e cinco mil dólares para produzir algo relacionado ao terror entre 3 e 5 minutos. Assim foi a criação do ABC's of Death. Claro, não seria possível que os 26 curtas fossem bons, mas alguns foram realmente criativos. Como eu não tenho empenho pra 26 mini críticas, destacarei os altos e baixos (abrindo o Google pra lembrar da sequência de filmes).

Ah, antes de mais nada, ele é "alternativo" porque lida com muitos diretores independentes no cenário do cinema de terror por todo o mundo. O mais conhecidinho é o Adam Wingard (que fez A Horrible Way to Die, V/H/S [crítica nossa aqui] e V/H/S/2 - crítica que vem por aí assim que eu arrumar ânimo pra ver o filme).

ABC's of Death tem de tudo: 

B is for BIGFOOT: sim, tem um pé-grande no filme - mais conhecido como Abominável Homem das Neves. O filme é de um diretor da Espanha, Adrian Garcia Bogliano, só de curtas, até hoje. O impressionante é que foi um dos mais simples e me deu medo, sabia? ÉÉ! O primo de uma little child quer dar uns pegas na namorada, mas tem que cuidar da little child, aí eles contam uma história pra ela, sobre o Bigfoot, que toca o sino na frente da casa das pessoas por volta das 8 da noite e leva crianças que não estiverem dormindo. Pois bem, oito da noite o sino toca - era o lixeiro, que inventaram pra criança não sair da cama. NÃO É QUE O LIXEIRO MATA O PRIMO e deixa a criança porque ela finge que tá dormindo? Arrasou. 

F is for FART: o filme é japonês - tem vários curtas japoneses - e o nome já diz tudo (fart = peido). Uma aluna apaixonada pela professora deseja morrer inalando o gás traseiro dela. Pois é, cada um com sua mania, né? Eu chorei de rir nesse. Ridículo. 

G is for Gravity: bobo, o cara vai surfar e morre afogado. O ponto positivo? É feito em POV (point of view, acho criativo isso, bem bacana, olhar "através" dos olhos da pessoa, só dá um pouco de dor de cabeça). 

H is for Hydro-Electric Diffusion: uma gata stripper (animal, mesmo) nazista tenta matar um cachorro da União Soviética. É uma "animação", bem feita até!

K is for Klutz: é um desenho (mesmo) de um cocô (!) que quer voltar pro lugar de onde saiu da mulher. Engraçado, ri horrores. 

M is for Miscarriage: (aborto espontâneo) é do norte americano, que colaborou com Cabin Fever 2 e com V/H/S também, Ti West. Sem dúvida o mais minimalista e tenso de todos. Uma mulher levanta da privada e não consegue "empurrar" o que saiu pela descarga. Aí ela vai atrás de um desentupidor e, quando acha, finalmente é revelado o que tem na privada: um feto. Assustador. 

X is for XXL: (tamanho GG de roupa, sabe?) CRIATIVÍSSIMO, mostra a obrigatoriedade dos estereótipos físicos sobre uma pessoa "feia". O filme é do francês Xavier Gens e mostra uma mulher acima do peso andando pela cidade e sofrendo horrores de bullying. Ao mesmo tempo, propagandas e cartazes por todos os lados mostram uma modelo esbanjando beleza; a mulher chega então em casa e começa a cortar todas as partes do seu corpo para poder alterar a silhueta. 

Como dito, alguns valem a pena, outros, só pra rir mesmo. AH, esqueci de mencionar, T is for Toilet tem uma privada assassina e um final que mostra como qualquer bobeira pode nos matar. Interessante, e o diretor é famosinho, Lee Hardclastle, trabalha com claymation (animações de massinha). Taí pra quem gosta de filme de terror. AH! No finalzinho do filme (que é de 2012, esqueci de mencionar), afirmam que em 2014 teremos um novo ABC da morte. Aguardaremos. 





Adaptação l As Vantagens de Ser Invisível

Oien

Imagina que seu melhor amigo se mata. Imagina que você é alguém quieto e recluso. Imagina que algum evento na sua infância marcou seu psicológico para sempre. Imagina que ninguém presta muita atenção em você. Imagina que você é invisível. Quais seriam as vantagens?

Bem, essa "imaginação" é a vida de Charlie (Logan Lerman), um garoto 'invisível' que acabou de entrar para o primeiro ano do Ensino Médio e esta mais deslocado que nunca. O psicológico do menino é abalado, né?

Entre situações familiares e escolares que o deixam mais invisível, Charlie acaba sendo visível aos olhos do seu professor de literatura, que vê no garoto uma mente vívida sedenta por livros e conhecimento. Mas não só de livros que vive o nosso garoto. Ele tinha sede de conhecer a vida.

Nessa cena entra Sam (Emma LINDA Watson - Harry Portter)  e Patrick (Ezra MIller - Precisamos Falar Sobre Kelvin). São meio irmãos meio sãos. Eles são um pouco caricatos. Ela misteriosa e louca por um cafageste que só usa e abusa dela, só faz dodoi no coração dela. Ele, bem, sofre de amor. O cara que ele ama tem vergonha dele e não admite assumir-se homossexual apesar de manterem um relacionamento. SIM, um filme sem clichê gay-bicha louca.

Além dessas novas amizades de Charlie, ele começa a se corresponder com um amigo, que não tem identidade nenhuma, mas que é o desabafo dele. Não vou entrar em descrição de climax porque você tem que ver o filme e por favor, por favorzinho inho inho, leia o livro. O filme é uma adaptação do romance epistolar do norte-americano Stephen Chbosky, lançado em 1999.

Eu li o livro e achei lindo, eu vi o filme e achei lindo. Trilho sonora é compatível, as atuações são sinceras, apesar de que me incomodei com a falta de sotaque britânico da Emma, mas né, é mais sensato.

O filme/livro pode até trazer uma "moral da história" sobre amor juvenil e como ele vence as coisas. Mas quem tem essa visão é por que: 1-nunca amou e 2- dormiu/não prestou atenção no filme.

É muito mais do que 20 centavos, OPA, do que amor juvenil, é sobre que "você aceita o amor que você acredita merecer". E como isso fode com a gente. Com o perdão do termo.

12 de junho de 2013

Adaptação | O Diário de Bridget Jones



Olá lindos e lindas. Não é querendo pagar de apaixonada, nem muito menos de solteira descontente com o dia de hoje que estou postando essa crítica. Na verdade, descobri que era uma adapção e resolvi assistir. Mas o fato é que tem tudo a ver com o DIA DOS NAMORADOS. Assista com seu boy magia, com sua neguinha, com seu cachorro, com suas BFFS, com quem você quiser, mas assista.

A história é um clichê de comédia romântica, mas a gente gosta disso mesmo, não é? “O Diário de Bridget Jones”, baseado no livro de mesmo nome de Helen Fielding, conta a história de uma solteirona com seus 32 anos, fase esta sempre considerada pelos pais e pela sociedade como tardia para seu atual estado civil.Em todos os finais de anos, quando ela volta para a cidade dos pais no interior, é colocada em uma situação constrangedora para conhecer ‘partidos’ indicados pela mãe, sempre frustrados.

Bridget (Renée Zellweger), então, apaixona-se pelo chefe Daniel (Hugh Grant) bonitão e sedutor e o conquista com mudanças de comportamento e visual (esta é aquela parte do filme da mudança geral que as mina piram, pois quem sabe um dia também possam fazer como a protagonista). O diário entra na parte em ela resolve tomar o controle da sua vida. A história se desenrola e Bridget acaba de envolvendo com um dos ‘partidos’, Colin Firth, apresentados pela mãe.

O longa-metragem de 94 minutos, não foge muito à receita para o sucesso do gênero. Viagem da mocinha para a cidade dos pais onde conhece o mocinho, os amigos engraçados, o mal entendido no fim para que seja preciso que um dos envolvidos corra atrás do outro e o casal que se odeia no início e acaba se apaixonando no fim.

Além de ter sido filmado a maior parte das vezes na Inglaterra em épocas mais frias (tem muuuuita neve), a trilha sonora é um capítulo a parte. Músicas como "It's Raining Men “ e "All by Myself" nunca fizeram tanto sentido na minha vida.

É uma boa pedida para relaxar no dia de hoje. E fique que nem eu: apaixonada pelo beijo dos protagonistas, que de tão lindo foi até indicado ao MTV Movie Awards em 2002 na categoria de melhor beijo.

BEIJOS, BEIJOS, BEIJOS.

11 de junho de 2013

Crítica I Boca do Lixo


Oh! Meu querido primo pobre

Filmes produzidos na Boca do Lixo
Demorei mais de dois dias pensando em um título para essa crítica, mas no entanto isso que vocês estão lendo acima foi o melhor que consegui escrever, e espero que atenta as minhas expectativas quanto dos apreciadores desse conteúdo.

Gostaria de dedicar minha crítica não apenas ao movimento, mas a toda uma classe de artistas injustiçados pelos críticos e talvez até pelo seu público. Pretendo apresentar minhas homenagens como também minha raiva, do projeto da maior indústria de filmes nacionais , A Boca do Lixo. Um nome que na minha opinião pouco reflete o movimento, pois se 'reciclado' percebe-se um aprimoramento da estética cinematográfica. Acontece que enquanto os artistas da 'Boca do Lixo' foram profanados por grande parte da crítica, e o movimento formado por grande intelectuais elitistas cada vez mais ganhou apoio financeiro e técnico do governo. O “Cinema Novo” apesar de suas críticas ao regime da época, não fez o mesmo esforço que Walter Hugo Khouri, Carlos Reichenbach, Guilherme de Almeida Prado fizeram com a tentativa da primeira Bollywood brasileira, a rela tentativa de um cinema independente.

A fama do “Cinema Novo” esteve mais associada a um sucesso internacional do que interno. Porém a estética da “Boca do Lixo” apesar da vulgarização da mulher, na maioria dos filmes elas eram protagonistas, como em “Paraíso Proibido” e “Perfume de Gardênia”. Totalmente diferente da visão antropocêntrica estabelecida pelos alicerces do Cinema Novo. Não quero julgar negativamente o movimento do Cinema Novo, porém em muitos aspectos eles se diferenciam de um cinema de vanguarda. Podemos manter até uma ponte entre o Cinema Novo e a Bossa Nova, sendo dois movimentos culturais de estética elitista, sem preocupação com a popularidade e de caráter contemplativo foram das preocupações sociais.

Produções da Boca do Lixo
A Boca do Lixo foi responsável por uma guinada na febre de cinema B. Até porque os filmes da Boca eram produzidos em escala industrial, só nos anos de 1970 e de 1980 ela respondeu por cerca de 80% da produção nacional, sendo que o tempo era curto para as produções da Boca. Enquanto a preocupação do cinema Novo advinha em montar um Nouvelle Vague* no Brasil, os cineastas da Boca foram responsáveis por manter nomes do Cinema Marginal e atores de novela como o ator Paulo Villaça, Tarcísio Meira, David Cardoso. Eles não apenas queriam desenvolver um polo industrial como também um estilo brasileiro. Ao todo montaram aventuras, western, dramas, infantis, comédias, eróticos mas sem o sexo explicito e até mesmo ação. Já no Cinema Novo encontramos gêneros muitos semelhantes aos produzidos na Boca, como “Santo Guerreiro contra o Dragão da Maldade”, que tinha a pretensão de gênero western, mas a preocupação com os conflitos entre o poder um referencial da estética de Glauber levou o filme a um confusão na trama. Com a Boca podemos conhecer as raízes do nosso cinema, assim podemos olhar para produções atuais com predisposição e entender que alguns choques entre gêneros ou estilos e um fator que possivelmente ocorreu dentro de um movimento anterior.

Mas o que aconteceu à Boca do Lixo? Para alguns sumiu na história cinematográfica por ser uma pornochanchada, até parece que nossas raízes estão entrelaçadas apenas ao “Cinema Novo” , pela sua visão patriarcal do cinema brasileiro atual. No entanto a Boca do Lixo não foi nosso pai, mas sim nossas mães , quando ressurgimos nos anos de 1990 com o Novo Cinema brasileiro. Alguns acham que apenas o Plano de Desestatização** foi o protagonista do fim da Boca, mas acredito que ele já havia morrido de desgosto pela crítica negativa advinda da época e a super bajulação dos cineastas do Cinema Novo.

Ótimos títulos dos Filmes
Parece até que as obras de Walter Khouri somente denotam um mero universo pornô, mesmo que seja uma obra forte caráter existencialista ainda assim Reichenbach aparece apenas desmerecendo os valores das mulheres, mesmo com uma obra que explora as sensações das mulheres operárias e não como seres frágeis mas com uma piedade sem tamanho. No fim acredito a Boca do Lixo falhou em seu projeto e por isso acabou por ser sucumbida pelo seu modesto esforço. E no fim tudo o que restou a Boca do Lixo foi voltar as braços das mesmas prostitutas que foram expulsas do Centro de São Paulo e encontraram um lar no Bairro da Luz junto as ruas Triunfo e Augusta.

OBS: Quem quiser pode consultar os episódios do documentário "Boca do Lixo: a Bollywood Tropical", do Canal Brasil.

* Nouvelle Vague – Movimento cinematográfico francês


** Plano de Desetatização – Plano de governo para a privatização de indústrias no período do Presidente Fernando Collor de Melo

9 de junho de 2013

Crítica | The Great Gatsby

Não teve crítico que não comparasse The Great Gatsby à Moulin Rouge e Romeu + Juliet, filmes também dirigidos pelo excêntrico Baz Luhrmann. Não se pode negar, Great Gatsy é um espetáculo visual e sonoro do início ao fim. Contudo, esse exagero acaba diminuindo a narrativa tão perfeitamente escrita por Scott Fitzgerald. Na época em que o livro foi publicado (1925), as ironias e o cinismo de Fitzgerald recaiam sobre os excessos inconsequentes, as loucuras e o crescimento econômico norte-americano – mais especificamente em grandes centros como Nova York. Essa parte, tão importante para se entender o contexto da obra, não foi muito explorada durante o filme – talvez mais nas primeiras cenas, quando tentava-se construir um cenário para o filme.

Apesar de não ser a primeira adaptação do clássico literário, Great Gatsby é pela primeira vez explorado tão profundamente no lado emocional. Luhrmann pede que seus espectadores se apaixonem incondicionalmente pelo triângulo amoroso, pelo amor fantasioso de Gatsby, e principalmente todo o cenário extravagante, muito bem coordenado com a trilha sonora – que tenta unir a música pop atual com as antigas canções de jazz e blus que rodeavam os bares dos anos 20 – possuídora de intérpretes como Lana Del Ray, Jay-Z, Beyoncè, Florence e Gotye. Tal qual as festas exuberantes de Gatsby, o filme de Luhrmann convida as pessoas para uma experiência diferenciada, dependendo apenas de você para aproveitá-la.

O que torna o filme mais passional são as atuações de Leornardo Di Caprio e Carey Mulligan. Ambos trazem uma ambiguidade emocional de seus personagens de uma maneira que nem mesmo os leitores de Fitzgerald poderiam sentir. A dualidade do caráter de Gatsby e a falta de decisão de sua amada são despejadas em cada cena entre Di Caprio e Mulligan.

A falta de profundidade na narrativa e a não crítica ao mesmo processo de desenvolvimento exacerbado que vemos atualmente – devido, principalmente, à globalização – fez com que o filme ficasse com um ar apenas deslumbrante, visualmente e sonoramente, faltando um toque mais profundo na literatura de Fitzgerald. Luhrmann deveria ter se lembrado de uma das partes da obra: “Você não pode repetir o passado” e esquecido um pouco de seus outros filmes na construção de Great Gatsby.

7 de junho de 2013

Crítica | Superman: Unbound

O que você espera de um filme de herói que não busca se tornar popular e vender milhões? Antes de mais nada, é entender em quem a equipe pensou e produziu o filme. Superman: Unbound é um exemplo claro dessa ideia. O, talvez eterno, descontentamento com filmes adaptados de quadrinhos  (e nisso entra também as animações) por parte dos fãs mais assíduos da nona arte já começa a aparecer antes do lançamento do novo longa do Homem de Aço, seja pela reptição de clichês da série ou por algumas cenas do trailer, mas para animar e apaziguar os fãs, a DC tinha sua carta na manga e lançou um filme animado do herói mais poderoso do planeta (brinks, nem é).

Parece que, SEMPRE, tem que ser contado como Kripton explodiu e toda aquela coisa. Mas dessa vez, o roteiro consegue colocar a explosão do planeta natal de Kent com contexto, explicando o motivo de tal cena estar ali. Voltar com Kripton, com a relação entre o Sol Amarelo da Terra com o vemelho do planeta de origem do herói, colocar Brainiac e algumas outras particularidades do filme apontam que ele não é direcionado ao leigo. 

Falando em Brainiac, acredito que uma boa adaptação parte da boa escolha do vilão. Sabemos quem é o herói em sua essência e raramente somos surpreendidos pelas suas ações, mas o vilão dá o viés anarquista ao roteiro, fazendo o inesperado e dando o ritmo ao longa. O Coringa no segundo Batman é uma prova disso, tal qual Loki em Vingadores. E Brainiac faz isso muito melhor do que Luthor. Você não entende quem é, o que ele quer e para que ele faz isso, e acaba gostando disso. 

Os desenhos, e a parte estética em geral, mantém os padrões das ultimas produções da DC, seguindo a linha da série Young Justice. A parte sonora peca em alguns momentos de luta, mas em geral não atrapalha o bom desenvolvimento das cenas. 

Superman: Unbound é uma animação para fãs e não tenta ser mais que isso. Se você não conhece bem a história de Clark Kent, ou se você prefere algo mais dinâmico, Luthor e Smalville, é melhor esperar o dia 12 de Julho. 

6 de junho de 2013

Série | New Girl

Término de relacionamentos é sempre algo muito complicado, ainda mais para nós meninas, não? Você só consegue chorar e lembrar do carinha (uma merda). Só o que alivia, é perceber que isso não acontece apenas com a gente, mas sim com todo mundo e que essa não é a primeira nem a última vez que isso vai acontecer.

E eu estou aqui pra te mostrar que existe (assim como uma grande amiga fez comigo) uma esperança além do sofá, do chocolate e dos filmes de romance para que você saia dessa fossa: uma boa série.
Ela demonstra todos esses dramas, que não só as garotas mas também os garotos vivem. E a protagonista do seriado ‘New Girl’, linda-maravilhosa-diva-deusa, é ninguém mais, ninguém menos que Zooey Deschanel.

Ela vive Jess, uma garota que logo no primeiro episódio da série é traída pelo namorado e vai morar em uma república com mais três rapazes: Nick, Schmidt e Winston. Juntos eles dividem problemas de relacionamentos e as dificuldades e alegrias  de uma amizade.

Lembra um pouco de ‘Friends’ com um toque de ‘How I Meet Your Mother’, mas existem (poucos) pontos diferentes, como a personalidade dos personagens e o fato do enredo girar em torno do gênio complicado da protagonista e de seus colegas de casa.


New Girl trabalha com a ideia de sitcom americano, no que diz respeito a efeito de câmera (fixa, com cortes rápidos e de maneira dinâmica). Porém se diferencia quando em partes mais cômicas, não possui aquelas risadas de estúdio características, responsáveis por induzir o telespectador.

A série americana, que estreou no Brasil em 4 de Abril de 2012  no canal Fox, já está em sua segunda temporada e promete vir muito mais por aí. A primeira temporada conta com 24 episódios e a segunda com 25.  

A terceira temporada do sitcom não se sabe ainda se vai sair, alguns dizem que sim e chegam a cogitar a volta do personagem Coach, que esteve presente apenas no primeiro episódio ( precisou se ausentar do sitcom por estar atuando em outro trabalho).

Só nos resta aguardar, mas enquanto isso dá pra você dar umas booooas risadas.
P.S. Cuidado com a música de abertura: VICIA. 



31 de maio de 2013

Estreias da Semana (31/05 a 06/06)


Tá na hora, tá na hora! Ta na hora de ver as estreias da semana! (E xega com o xou da xuxa, né?)


Se Beber, Não Case! Parte III

Comédia - EUA
Direção: Todd Phillips

Diz que agora não tem bebedeira e nem casamento, mas o grupo de amigos volta para Las Vegas. Então tá né! Dessa vez eles voltam a cidade para ajudar o Sr. Chow (o mini asiático fofinho) contra um mafioso inimigo.

Como todo filme comercial, esta disponível em Ponta Grossa, e claro, somente dublado.










Faroeste Caboclo


Drama – Brasil
Direção: René Sampaio

“Não tinha medo o tal João de Santo Cristo era o que todos diziam quando ele se perdeu” e lá se vai 10 minutos de música e pouco folego! No embalo do “Somos Jovens”, que conta a história do Renato Russo e como a banda Legião Urbana nasceu, “Faroeste Caboclo conta a história de um dos personagens mais conhecidos e travados na música brasileira. Esse eu vou hein, alguém se dispõe a me acompanhar?


PELA GLÓRIA DIVINA DE NOSSA SENHORA ESPERANÇA A ÚLTIMA QUE MORRE o cinema nacional esta ganhando espaço nas salas de cinema nacional. O filme esta passando nos dois cinemas da cidade em diversos horários.




3 Mundos

Drama – França

Al é um jovem humilde que esta noivo da filha de seu chefe, para que após o casamento, ele um dia, assuma a empresa. Mas numa noite de bebedeira com os amigos, ele acaba atropelando alguém.

Não tem previsão para chegar em Ponta Roça, opa, Ponta Grossa, por que né.










A Fuga do Planeta Terra


Animação – EUA/Canadá

O astronauta alien do Planeta Baab recebe um pedido de socorro do perigoso Planeta Terra. Seria um tipo de sequencia do “Planeta 51”?


Não tem previsão para chegar em PG City.









Camille outra Vez
Comédia/Drama – França

É tipo uma ‘De repente 30’, só que ao contrário, é 16 no lugar de 13 anos, é dramático e francês, entenderam? Ok. Camille aos 16 anos se apaixona por um cara e logo eles tem uma filha juntos, 16 anos depois, ele troca ela por uma mulher mais jovem, e Camille tem a oportunidade de voltar a ter 16 anos e mudar a própria vida.

Sem previsão de exibição em Ponta Grossa, a vida não esta fácil gente.




29 de maio de 2013

Série | Segunda Temporada de Girls

Após dois Globos de Ouro - Melhor Série Cômica e Melhor Atriz de Série Cômica - Lena Dunham, roteirista, produtora e atriz da série Girls, tinha o desafio de manter o sucesso e o lucro que o tv show adquiriu em 2012. Apesar de montar um cenário simples com quatro garotas na faixa dos 20 anos, preocupadas com futuro, perdidas em Nova York e prontas para aproveitar a juventude, Girls conseguiu atingir um público que "Sex and the City" não alcançou: as jovens nascidas nos anos 90.



O primeiro episódio da segunda temporada - It's About Time - começou bem, atingindo uma audiência de 4,1 milhões de espectadores. Já no primeiro episódio, depois de passar por problemas afetivos com Adam (Adam Driver), a protagonista Hannah (Dunham) decide focar mais em sua carreira e na procura de outro par romântico em sua vida fantasiada. Um pouco diferente de Hannah, Jessa (Jemima Kirke) aparece totalmente realizada com o seu casamento inesperado e, como sempre, não ligando muito para a vida profissional. Ao contrário das personagens anteriores, Marnie (Allison Williams) parecia ter uma vida completa, tanto no lado pessoal quanto o profissional. Contudo, na segunda temporada ambos se entrelaçam e ela consegue protagonizar um dos melhores dramas durante os episodios da trama. Finalmente temos Shoshanna (Zosia Mamet), que na primeira temporada exibia seus cartazes do “Sex And The City” – sendo que nunca havia feito sexo – agora aparece mais madura e tentando suportar as dores e as alegrias de um primeiro relacionamento.


Diferente da primeira temporada em que Dunham teve mais tempo para escrever cada cena, a segunda temporada teve um prazo a ser seguido, por isso talvez que, às vezes, alguns episódios parecem desconexos ou exagerados. No entanto, nessa nova fase mostra-se uma série mais madura, tentando explorar outros lados de seus personagens, como o egoísmo e a futilidade de Hannah.


Confirmada pela HBO, Girls terá uma terceira temporada. O que se espera de Dunham é que ela continue a escrever sobre jovens mulheres para jovens mulheres. Se você está na faixa dos 20 aos 30 anos e não sabe o que fazer da sua vida, então assista Girls e compartilhe suas frustrações com pessoas tão perdidas quanto você.

27 de maio de 2013

Crítica | O Homem de Ferro 3

           Oi genteeeeeeeeeee! Eu sou a Karina a mais nova bilheteira. Entrei no blog com os lindoooooooooooos que eu amo, por também adorar cinema. Mas tenho que ressaltar algumas coisas. Primeiro: amoooooooo comédia romântica, talvez por ser tão ‘manteiga derretida apaixonada’, mas minhas verdadeiras paixões são os dramas. E segundo: vocês nunca vão me ver comentar de filmes de terror (não assisto sozinha, e como moro sozinha....) e nem filmes em que o Michael Jackson aparece (sim, tenho muito medo dele. MEDO mesmo). O que mais reparo nos filmes são as trilhas sonoras, embora não entenda muito de música, para mim sem elas, nada. E tenho um filme favorito: O Fabuloso destino de Amelie Poulin (talvez por causa da trilha mais linda da minha vida). E aí vai minha primeira crítica como bilheteira:

            
           Mais uma vez o Homem de Ferro , lançado em 25 de Abril deste ano,  dá um show. A começar pelos efeitos especiais, que sempre são impecáveis (com destaque à cena do ataque a mansão do protagonista), em seus filmes. Passando pelos personagens, que realizam uma impecável interpretação, em especial Robert Downey Junior (Tony Stark) e Gwyneth Paltrow (Pepper Potts). E terminando no roteiro, que cativa o espectador – independente da sua idade - do início ao fim da obra.
            Contudo, apesar de apresentar efeitos especiais embriagantes, a condição do filme apresentado em 3 dimensões deixa a desejar. São poucas as cenas que o público de fato percebe o efeito.
            O terceiro filme da saga do Homem de Ferro, traz o protagonista Tony Stark mais distanciado da armadura de ferro, ou seja, mais humanizado. Isso se comprova nas diversas cenas que eles estava desprovido do traje e conseguiu vencer seus inimigos através de sua perspicácia.
            O roteiro baseia-se em um tema que dialoga com assuntos atuais. O inimigo bem definido –característica advinda dos quadrinhos - do Homem de Ferro é Mandarin, um ‘líder’ que se propõe a exterminar quem se colocar em seu caminho e destruirá diversos prédios norte-americanos enquanto isso (remete aos atentados terroristas que os Estados Unidos já sofreram). E neste cenário o grande herói da pátria continua sendo Tony.
            O personagem principal não perdeu suas características de ‘se achão’ e seu sarcasmo. Porém houve uma exaltação de sua agilidade, de sua capacidade tática e de seu lado mais humano, que foram responsáveis por garantir uma boa receita de filmes de ação comerciais, que aliados a comédia alcançam enormes bilheterias.
            O final acaba por deixar o espectador um pouco confuso. O clima de fim da história do nosso heroi se confunde com a espera do filme "Os Vingadores 2" que vem por aí.

Karina Chichanoski

20 de maio de 2013

Crítica | Silent Hill: Revelation 3D

Aô gente bonita, simpática e elegante! Sou eu quem não posta há mais tempo aqui. Saudades de mim, pfvr. Whatever, como não temos um post sobre isso já tem muito tempo (até porque só eu falo disso aqui), vamos falar de coisa boa? Filme de terror! ÊÊÊÊÊÊ! Sou TÃO tecnológico que vou comentar sobre um filme que nem chegou no Brasil ainda. Pois é, Silent Hill: Revelation 3D estreou em 25 de outubro de 2012 no universo, e só chega dia 31 de maio no Brasil. #chorando MAS não é esse o caso. 

Como já comentei sobre Resident Evil, o grande problema em fazer um filme baseado em um jogo é  que você pode usar os elementos (personagens, monstros, cenários) deste, no entanto, precisa de um roteiro  concreto que, em geral, foge do jogo em si (e deixa os fãs do game enfurecidos sobre quão ruim o filme é). O primeiro filme já começou arrasando no "erro". No jogo, quem vai atrás da Cheryl dentro de Silent Hill é o pai, enquanto no filme, colocaram a mãe. Mas não estou aqui para apontar as diferenças entre o jogo e o filme, o blog é de cinema, beijos. 

Então, depois de voltar de Silent Hill sem a mãe, Heather (que na realidade é a Sharon, mas mudou de identidade para fugir "da escuridão" de Silent Hill) se esconde com o pai para começar uma vida nova, em uma escola nova e blá blá blá. Até que o pai dela some, e ela é obrigada a encarar seus medos novamente e voltar para Silent Hill para poder salvar o pai. 

Não consegui jogar muito por medo das criaturas e, nesse âmbito, o filme não deixou a desejar. As Puppet Nurses, o Pyramid Head, o Armless man, a (o, não dá pra definir o sexo) Mannequin e a mulher-que-eu-não-sei-o-nome-mas-vocês-vão-saber-quando-assistirem foram realmente bem produzidos e renderam boas cenas de sustos e tensão. O mesmo pode-se dizer dos cenários. Foram até mais fiéis que no primeiro filme. SPOILER (selecione com o mouse para ver, hahahaha): o Pyramid Head protege a Heather gente! Eu queria ter um guarda-costas com um machado gigante. Bullying nunca mais!

Os destaques para a forma angustiante do contraste silent hill - mundo real mostram mais do jogo. Agora Silent Hill não é mais apenas a outra "dimensão" da cidade. Ela é a escuridão em si, em todos os lugares, perseguindo a coitada da Heather. "Silent Hill é o medo de cada um", e isso é visto no parque de diversões, meu cenário preferido no filme. Os coelhos cor-de-rosa embrulhados com sangue são medonhos, de verdade. Na real é tudo aquela receita básica: a luz mostra quando ela está ou não em Silent Hill. Você simplesmente percebe. 

Salvar o pai se torna apenas uma peça da grande trama que se torna entrar em Silent Hill, mas o comentário sobre não vem a calhar. Apenas vale dizer que o roteiro foi muito bem trabalhado, mesmo que tenha misturado a história do primeiro e do terceiro jogos. Mais ou menos isso. O diretor, Michael Bassett, poderia ter trabalhado melhor nisso no primeiro filme, assim não sobrariam pontas soltas a serem retomadas/ não esclarecidas. 

Ah, sim, sim! Elenco: dane-se o universo, tem a Carrie-Anne Moss e o Sean Bean. Só consigo ver a Trinity e o Boromir. Ok, parei. Tem o Malcom McDowell também. gente, o McDowell tá em tudo. Enfim, o elenco arrasou também. Filme recomendadíssimo pro cinema! 





8 de abril de 2013

Cinema Nacional I Sérgio Bianchi


A Sala 36

Sérgio Bianchi
        No dia 04 de abril estive sobre uma dúvida cruel entre voltar para casa e assistir alguns dos meus filmes preferidos, ou viajar até o Campus de Uvaranas (entenda que literalmente é longe a região onde moro do Campus de Uvaranas da UEPG), com o objetivo de assistir os filmes de um artista nascido em Ponta Grossa com exibição pública. Enquanto mantive essa dúvida de repente me deparei na sala 36 no bloco de Artes Visuais da Universidade Estadual de Ponta Grossa, para assistir uma sessão de curtas metragens de Sérgio Bianchi. Então entrei numa sala de 40 lugares com apenas 6 cadeiras ocupadas até o inicio da sessão. Desculpe ao leitor por expor sobre minha relação com a sala de cinema sei que não é digno expor sobre essa situação no entanto não é por descaso, mas apenas uma apropriação da cena. Estive triste momentaneamente por estar em  uma sala tão grande vendo filmes tão restrito ao público local, não sei se há explicação para a falta de comparecimento mas realmente o pessoal da organização está de parabéns por trazer está coleção de um artista nascido na cidade.
          Quero declarar minhas sinceras desculpas, ao nosso leitor por não escrever sobre um cineasta paranaense e com tantas páginas a se falar e tanto para se apreciar. Declaro que através desta crítica tentarei me redimir comentando sobre suas obras e estilos do multiartista do audiovisual, Sérgio Bianchi.
"Segunda Besta"
 Amostra teve apresentação de 3 curtas: Omnibus (1972) ; Segunda Besta (1977) ; Divina Previdência (1983); e um média metragem, Mato Eles? (1982). Obras raras do cenário nacional, os dois primeiros curtas foram realizados enquanto Bianchi estava no curso de Audiovisual da Escola de Comunicações e Artes de São Paulo (ECA – USP). Nos dois primeiros curtas percebe-se uma aproximação com a Nouvelle Vague*, até pelo período em que o Brasil vivia no Cinema Novo. Nesse momento há criação de uma corrente de cinema autor, muito distante do que a crítica identificou nos filmes de Bianchi como “Raiva Lúcida”, até por suas obras ele deve não ser enquadro em nenhuma corrente quanto temos um artista mais multifacetado e que usa de diversas correntes para expor suas ideias. Voltando aos curtas metragens temos obras realizadas em película P&B**  iguais a maior parte dos filmes da Nouvelle Vague,  e todos os planos feitos à mão e com alguns momentos em que o ator olha diretamente para a câmera em  “Omnibus” e “Segunda Besta”. Também nesses curtas não há nenhuma fala dos atores em cena apenas uma trilha sonora para despertar uma nova sensação no espectador. As imagens voltam-se, a uma estética provocativa e dramática.
Curta Metragem - "Divina Previdência"
No terceiro curta apresentado “Divina Previdência” tem talvez uma evolução da produção cinematográfica de Sergio Bianchi com um filme que demonstra toda a sua fase da “Raiva Lúcida”, porém quebra essa linearidade do cinema-autor, ao começar pela realização em película colorida e com mais cenas de humor com um final metalinguístico cinematográfico onde o personagem principal, Antonio José da Silva suicida-se na cadeira de uma sala de cinema enquanto os atores do filme da sessão conversam com ele. Bianchi sempre foi um cineasta muito elogiado pela crítica nacional no último filme apresentado na sessão do dia 04, “Mato Eles?” é um vídeo documentário sobre as tribos indígenas do sudoeste do Paraná e a extração de madeira na região. Este último vídeo em especial está muito próximo dos documentários experimentais realizados pela Casa de Cinema de Porto Alegre nos anos 90.
Documentário - "Mato Elles" 
Mesmo anterior aos documentários da Casa de Cinema de Porto Alegre, Bianchi trabalha as cenas com certa dose de humor mesclando ficção com documentário, o que foi uma tendência nos últimos documentários apresentados no XXV Festival Internacional de Documentários de Amsterdã ***. A técnica mesclada de Bianchi também pode estar relacionada com a região onde nasceu, pois os Campos Gerais foi identificado por Darci Ribeiro**** como a linha de convergência entre o Brasil Caipira e o Brasil Sulista *****. Então através da obra apresentada vemos a proximidade de Bianchi com circuito do Cinema Novo com Glauber Rocha, Cacá Diegues e Arnaldo Jabor e também do Cinema Experimental sulista com Carlos Reichenbach e a Casa de Cinema de Porto Alegre. Mais que um cineasta, Bianchi ainda e o maior artista multifacetado dessa mistura conhecida como Brasil.

* Movimento artístico cinematográfico francês da década de 60, entre seus principais autores estão Jean Luc-Godard, François Truffaut e Robert Bresson.

**  Película em preto-branco.

***  O IDFA (International Documentary Film Festival Amsterdam),  maior festival de documentário do mundo e completou 25 anos em 2012.

**** Antropólogo, escritor e político brasileiro.

***** "O Povo Brasileiro"  obra de Darci Ribeiro, que explora as formações sociais e culturais no Brasil. Disponível em vídeo no Youtube ou em livro.

19 de novembro de 2012

Moviola Incandescente | Gêneros: Filme Noir e Neo-Noir


Hoje, no primeiro vídeo da série de gêneros cinematográficos, vamos falar de FILME NOIR


Vamos, primeiramente, ao contexto histórico. Afinal, de onde veio o filme noire? Da LITERATURA. Os que ficaram conhecidos lá fora por “Livros da Capa Preta”, eram livros onde era comum encontrar histórias de detetive e investigação. Um dos grandes nomes da literatura noir era Dashiel Hammet, que escreveu um dos mais importantes livros, que depois veio a ser um filme, “O Falcão Maltês”.

Pois bem, sabendo disso, vamos ao que interessa aqui: Os filmes. Afinal, como faço para saber o que é um filme noir? O que o classifica e diferencia dos outros? Vamos às características.

Vamos dividir as características em 3 etapas: O Tema, Personagens e Atmosfera.

Tema: No filme noir, é primordial que haja relatos de crime e paixão. No filme noir, é comum que sempre comecemos a história já com algum crime que aconteceu onde esteja envolvido alguma relação amorosa. 

Outra característica importante é a presença da atração sexual nos enredos, seja envolvendo o protagonista e alguma mulher, ou, a investigação de algum caso que haja algo assim. As histórias são deliberadamente complicadas. Histórias difusas, com mais de uma trama a se resolver, são grandes marcas no filme noir. Por fim, para encerrar o filme, é comum nos depararmos com finais quase sempre infelizes. Dessa forma, entendemos por a morte do protagonista, ou a não-resolução do caso, etc.

Vamos a segunda etapa de características Personagens: Usualmente, temos um investigador. Para isso, entendemos que seja um detetive particular, um policial, um jornalista, etc. A mulher fatal. Uma das principais marcas do filme noir e, ao mesmo tempo, um dos principais itens que confundem as pessoas ao denominar um filme noir. A presença da mulher fatal não quer dizer que o filme seja noir, mas, se o filme for noir, vai haver uma mulher fatal. Uma assassina, ou, apenas uma mulher cheia de artimanhas. A vítima que, geralmente, vai ser o alvo dessa mulher fatal. Pode ser o próprio investigador. E, por último, o fato dos protagonistas serem deprimidos ou desorientados. Há um tom de melancolia e até mesmo depressivo nos nossos protagonistas

E o último ítem das características, vamos entender a Atmosfera: Já com esse cenário pronto de mulheres fatais, protagonistas deprimidos, crimes, mortes... não é difícil notar que o clima que paira nos filmes noir é de confusão, medo, ansiedade, paranoia.

Bom, entendemos algumas características narrativas do filme noir. Estamos quase lá! E quanto a técnica que, bem ou mal, se traduz e configura, também, a narrativa. Mas, tecnicamente, o que compõe o filme noir? Vamos lá.

- Iluminação Contrastada. Ou, se você preferir um termo cinematográfico “chiaroscuro”. Isso é muito herança do Expressionismo Alemão, movimento da década de 30, o que serve para aumentar a dramaticidade das cenas. - Utilização de angulações e enquadramentos inusitados ou exagerados. Ta aí uma característica muito abrangente, que pode confundir muito e que não deve servir de base para identificar esses filmes, apenas, como forma de complementar o entendimento. Mas, esses recursos tem a mesma serventia da iluminação contrastada. Ou podem dar ênfase a alguém ou a algum objeto, enfim, são infinitas as possibilidades.

Bem, agora já temos tudo o que precisamos para identificar um filme noir e, assim, classifica-lo. A única pergunta que faço é: porque houve uma necessidade de trazer essa temática para os cinemas? Quem foram os responsáveis? Bem, além dos livros estarem fazendo grande sucesso, a época era bem propícia. Assim como em qualquer época, o cinema acompanha a temática atual do planeta. Os primeiros filmes noir chegaram na década de 40, quase ao final da segunda guerra mundial. Então, as pessoas estão tristes, apavoradas, paranoicas. A desconfiança dos homens no front de batalha com suas mulheres em casa deram origem ao que chamamos de “mulher fatal”. Vale lembrar que os diretores que começaram com os primeiros filmes noir são cineastas nazistas, fugidos da Alemanha e vieram a fazer nome na história do cinema americano.

Bem, acredito que com esses elementos você vai conseguir distinguir sem muitos problemas um filme noir. Admito que esse é um dos gêneros mais complicados de se identificar. Geralmente, ao vermos alguns poucos elementos já o classificamos assim. No entanto, pode não ser verdade.

Espero que tenham gostado do primeiro vídeo da série. Fiz um sub-vídeo, que estou colocando aqui no canto, explicando o que é o filme “Neo-Noir” (ASSISTA AQUI), ou seja, o que chamamos hoje em dia de filmes noir, já que, unicamente, o filme noir tem data de estréia e de fim.


Bom, se o problema das pessoas no filme Noir era a Segunda Guerra Mundial e seus desdobramentos nas pessoas, o filme noir acompanha a os problemas psicológicos do homem segundo ao seu tempo. O homem do nosso tempo é dotado de problemas psicológicos ligado a luta interior dele contra ele mesmo. Então, não é difícil vermos temas próximos da crise de identidade ou perdas de memória. Com o avanço da tecnologia, também, o homem se vê em crise e em real combate com os aparatos tecnológicos que vão surgindo e crescendo ao seu lado. Então, o embate com a tecnologia passa a ser um tema recorrente nos filmes Neo Noir.


São características amórficas, que podem abranger uma gama de filmes que podem ou não ser Neo-Noir. Assim, pensei que poderíamos fazer um exercício coletivo aqui e tentar enumerar, com essas características, que filmes podemos chamar de NEO-NOIR? Deixa aí no comentário a sua conclusão e vamos ver a quantidade de filmes que conseguimos enumerar!

Atentem para o próximo vídeo!

16 de novembro de 2012

Notícia | American Horror Story já tem 3ª temporada confirmada

Pois é, no quarto episódio de American Horror Story Asylum, a emissora FX já encomendou uma nova temporada com uma nova trama de 13 episódios. Em época de ausência de séries de terror, a série tem feito sucesso. Jessica Lange, que subiu na vida e agora é a protagonista da segunda temporada é a única já confirmada para a nova temporada. Todos comemora o sucesso! Lembrando que AHS passa todo domingo, viu galera? Se você gosta de um bom hospício (nome feio pra carai), assista! 

7 de novembro de 2012

Especial | 20 melhores adaptações de livros - Parte 2


8 – Henry & June – Delírios Eróticos (1990)

Ao conhecer o escritor americano Henry Miller (Fred Ward) em Paris, em 1931, uma jovem escritora chamada  Anaïs Nin (Maria de Medeiros) embarca numa viagem de descoberta interior, anotando fielmente num diário todas as suas experiências.
Na sua busca de novos territórios, Anais e Henry veem-se seduzidos pela inquietante sensualidade da esposa de Henry, June (Uma Thurman). Henry & June é uma inesquecível viagem através do território desconhecido das relações humanas, baseada nas passagens suprimidas dos diários de Anaïs Nin. 








9 – Eclipse de uma Paixão (1995)

Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio), "o poeta dos sentidos", como ficou conhecido, revolucionou a poesia do final do século XIX e continua influenciando escritores e surpreendendo leitores até hoje. O filme foca o turbulento período de produção literária de Rimbaud, que coincide com o tempo em que viveu apadrinhado por outro grande poeta, Paul Verlaine (David Thewlis). Mas a admiração de um escritor pelo outro vai além, faz com que ambos de apaixonem, para desespero da mulher de Verlaine (Romaine Bohringer). Esse triângulo amoroso explosivo e provocante proporciona a DiCaprio e Thewlis, duas atuações corajosas e vibrantes.







10 – Medo e Delírio em Las Vegas (1998)

Ambientado na Las Vegas dos anos 1970, o longa acompanha a louca aventura, banhada por álcool e drogas, do jornalista Raoul Duke (Depp) e seu advogado Dr. Gonzo (Del Toro). Eles chegam ao local para fazer a cobertura do Mint 400, uma corrida de motos no deserto, mas o resultado são alucinações e muito problemas. Baseado no romance de Hunter S Thompson.











11 – Diário de um Jornalista Bêbado (2011)

Diário de um Jornalista Bêbado conta a improvável história do jornalista itinerante Paul Kemp (Johnny Depp). Cansado da vida frenética de Nova Iorque e das convenções morais de uma América conservadora, ele viaja à bela ilha de Porto Rico, para trabalhar em um jornal local, o "The San Juan Star", administrado pelo tirânico Lotterman (Richard Jenkins). Adotando o ritmo calmo do lugar, regado a muito rum, Paul começa a se apaixonar por Chenault (Amber Heard), noiva de Sanderson (Aaron Eckhart), um dos maiores empresários da cidade. Ganancioso, Sanderson planeja converter Porto Rico num paraíso do capitalismo. Quando Kemp é recrutado por Sanderson para escrever um artigo favorável a respeito de sua nova e corrupta empreitada, ele é confrontado com um dilema: deve ajudar o empresário, ou aceitar os riscos e aproveitar para denunciá-lo? Baseado no romance de Hunter S Thompson. 



12 – Na Estrada (2012) 

Nova York, Estados Unidos. Sal Paradise (Sam Riley) é um aspirante a escritor que acaba de perder o pai. Ao conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund) ele é apresentado a um mundo até então desconhecido, onde há bastante liberdade no sexo e no uso de drogas. Logo Sal e Dean se tornam grandes amigos, dividindo a parceria com a jovem Marylou (Kristen Stewart), que é apaixonada por Dean. Os três viajam pelas estradas do interior do país, sempre dispostos a fugir de uma vida monótona e cheia de regras. Baseado no romance de Jack Kerouac.








13 – Wilde (1997)

“Wilde” narra à vida do celebre Oscar Wilde (Stephen Fry), gênio, intelectual, poeta e dramaturgo irlandês. A descoberta tardia de sua homossexualidade transformou a vida de Wilde num inferno, enquanto ela tentava conjugar as responsabilidades para com sua carreira, a mulher, Constance (Jennifer Ehle), e os filhos com seu obsessivo pelo jovem e belo Lord Alfred Douglas (Jude Law), mais conhecido como Bosie. Processado por sodomia pelo pai de Bosie, o violento Marquês de Queensberry, Wilde tem que enfrentar a rígida moral dos tribunais da intolerante sociedade vitoriana, sendo condenado dois anos de trabalhos forçados. Mais que uma biografia, “Wilde” é o retrato de um indivíduo vítima de uma época. Somente hoje, mais de cem anos após o processo, os tribunais ingleses admitiram seu erro, considerando Oscar Wilde inocente.




14 – Capote (2005)

Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal New York Times sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em Holcomb, no Kansas. O assunto chama a atenção de Capote, que estava em ascensão nos Estados Unidos. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Usando como argumento o impacto que o assassinato teve na pequena cidade, Capote convence a revista The New Yorker a lhe dar uma matéria sobre o assunto e, com isso, parte para o Kansas. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, Capote surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não--convencionais. Logo ele ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados em Las Vegas e devolvidos ao Kansas, onde são julgados e condenados à morte. Capote os visita na prisão e logo nota que o artigo de revista que havia imaginado rendia material suficiente para um livro, que poderia revolucionar a literatura moderna.

Veja a primeira parte do especial feito por Guilherme Ziggy AQUI.