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2 de julho de 2013

Crítica | The Bling Ring

“Um filme que não poderia ser feito 10 anos atrás”. Sofia Coppola não poderia estar mais correta nessa frase. Fugindo um pouco de sua característica existencialista, presente nos filmes “Encontros e Desencontros” e “Um Lugar Qualquer”, a diretora ataca o culto às celebridades e a criação de ilusões e desejos por parte da mídia norte-americana sensacionalista, através do filme “The Bling Ring”, que possui Emma Watson (Harry Potter e The Perks of Being a Walflower) no elenco.

O título do filme é óbvio, já que Bling Ring foi o nome dado pela mídia estadunidense à gangue de jovens que roubava as mansões das celebridades em Los Angeles. Sim, a história é baseada em fatos reais e chegou aos ouvidos e olhos de Coppola através de um artigo publicado na Vanity Fair em 2010, pela jornalista Nancy Jo Sales, que foi intitulado como “Os Suspeitos Usavam Louboutins”. Interessada pela história, a diretora começou sua caça pelos cinco atores que iriam compor a ‘gangue’. Primeiramente, a vontade de Coppola era ter apenas atores desconhecidos, para mostrar o contraste com os personagens reais que conseguiram fugir do anônimato. Contudo, decidiu aceitar Watson (Nicky) no elenco, que apesar de mostrar no trailer, não é o centro das atrações. Quem comanda as cenas e também a quadrilha de jovens bem sucedidos é a novata Katie Chang (Rebecca), que assim como Scarlett Johansson consegue fazer uma faísca virar um incêndio em cada momento que aparece.

Além de Watson, que precisou perder o sotaque britânico para interpretar sua personagem, Israel Broussard (Mark) também precisou adentrar no mundo da moda e entender o lifestyle de Los Angeles – para isso os atores tiveram ajuda de Claire Julien (Chloe), que também compoe o elenco e é natural da cidade.

Apesar do longa demorar para engrenar em seus primeiros vinte minutos, ele mostra para o que veio incorporando a estética das redes sociais e reality shows, jorrando freneticamente imagens de celebridades, fotos em redes sociais – o que também remonta a velocidade que as informações são transmitidas na internet – vídeos do TMZ. A contemporâneidade e o espírito livre dos jovens também é remontado na linguagem solta e cheia de expressões – compostas na sua maioria pela palavra ‘bitch’ (vadia em inglês).



Para os olhares menos apurados, “The Bling Ring” pode parecer um filme fútil e até mesmo desnecessário. Contudo a crítica sutíl e lúcida de Coppola sobre o mundo das celebridades e como a juventude é manipulada pelo falso glamour e as festas de Hollywood, transborda pela tela do cinema e mostra com fatos, e o olhar perdido de Mark após a sentença, quão suja e sem sentido é a vida hollywoodiana.


19 de junho de 2013

Adaptação l As Vantagens de Ser Invisível

Oien

Imagina que seu melhor amigo se mata. Imagina que você é alguém quieto e recluso. Imagina que algum evento na sua infância marcou seu psicológico para sempre. Imagina que ninguém presta muita atenção em você. Imagina que você é invisível. Quais seriam as vantagens?

Bem, essa "imaginação" é a vida de Charlie (Logan Lerman), um garoto 'invisível' que acabou de entrar para o primeiro ano do Ensino Médio e esta mais deslocado que nunca. O psicológico do menino é abalado, né?

Entre situações familiares e escolares que o deixam mais invisível, Charlie acaba sendo visível aos olhos do seu professor de literatura, que vê no garoto uma mente vívida sedenta por livros e conhecimento. Mas não só de livros que vive o nosso garoto. Ele tinha sede de conhecer a vida.

Nessa cena entra Sam (Emma LINDA Watson - Harry Portter)  e Patrick (Ezra MIller - Precisamos Falar Sobre Kelvin). São meio irmãos meio sãos. Eles são um pouco caricatos. Ela misteriosa e louca por um cafageste que só usa e abusa dela, só faz dodoi no coração dela. Ele, bem, sofre de amor. O cara que ele ama tem vergonha dele e não admite assumir-se homossexual apesar de manterem um relacionamento. SIM, um filme sem clichê gay-bicha louca.

Além dessas novas amizades de Charlie, ele começa a se corresponder com um amigo, que não tem identidade nenhuma, mas que é o desabafo dele. Não vou entrar em descrição de climax porque você tem que ver o filme e por favor, por favorzinho inho inho, leia o livro. O filme é uma adaptação do romance epistolar do norte-americano Stephen Chbosky, lançado em 1999.

Eu li o livro e achei lindo, eu vi o filme e achei lindo. Trilho sonora é compatível, as atuações são sinceras, apesar de que me incomodei com a falta de sotaque britânico da Emma, mas né, é mais sensato.

O filme/livro pode até trazer uma "moral da história" sobre amor juvenil e como ele vence as coisas. Mas quem tem essa visão é por que: 1-nunca amou e 2- dormiu/não prestou atenção no filme.

É muito mais do que 20 centavos, OPA, do que amor juvenil, é sobre que "você aceita o amor que você acredita merecer". E como isso fode com a gente. Com o perdão do termo.

12 de junho de 2013

Adaptação | O Diário de Bridget Jones



Olá lindos e lindas. Não é querendo pagar de apaixonada, nem muito menos de solteira descontente com o dia de hoje que estou postando essa crítica. Na verdade, descobri que era uma adapção e resolvi assistir. Mas o fato é que tem tudo a ver com o DIA DOS NAMORADOS. Assista com seu boy magia, com sua neguinha, com seu cachorro, com suas BFFS, com quem você quiser, mas assista.

A história é um clichê de comédia romântica, mas a gente gosta disso mesmo, não é? “O Diário de Bridget Jones”, baseado no livro de mesmo nome de Helen Fielding, conta a história de uma solteirona com seus 32 anos, fase esta sempre considerada pelos pais e pela sociedade como tardia para seu atual estado civil.Em todos os finais de anos, quando ela volta para a cidade dos pais no interior, é colocada em uma situação constrangedora para conhecer ‘partidos’ indicados pela mãe, sempre frustrados.

Bridget (Renée Zellweger), então, apaixona-se pelo chefe Daniel (Hugh Grant) bonitão e sedutor e o conquista com mudanças de comportamento e visual (esta é aquela parte do filme da mudança geral que as mina piram, pois quem sabe um dia também possam fazer como a protagonista). O diário entra na parte em ela resolve tomar o controle da sua vida. A história se desenrola e Bridget acaba de envolvendo com um dos ‘partidos’, Colin Firth, apresentados pela mãe.

O longa-metragem de 94 minutos, não foge muito à receita para o sucesso do gênero. Viagem da mocinha para a cidade dos pais onde conhece o mocinho, os amigos engraçados, o mal entendido no fim para que seja preciso que um dos envolvidos corra atrás do outro e o casal que se odeia no início e acaba se apaixonando no fim.

Além de ter sido filmado a maior parte das vezes na Inglaterra em épocas mais frias (tem muuuuita neve), a trilha sonora é um capítulo a parte. Músicas como "It's Raining Men “ e "All by Myself" nunca fizeram tanto sentido na minha vida.

É uma boa pedida para relaxar no dia de hoje. E fique que nem eu: apaixonada pelo beijo dos protagonistas, que de tão lindo foi até indicado ao MTV Movie Awards em 2002 na categoria de melhor beijo.

BEIJOS, BEIJOS, BEIJOS.

7 de novembro de 2012

Especial | 20 melhores adaptações de livros - Parte 2


8 – Henry & June – Delírios Eróticos (1990)

Ao conhecer o escritor americano Henry Miller (Fred Ward) em Paris, em 1931, uma jovem escritora chamada  Anaïs Nin (Maria de Medeiros) embarca numa viagem de descoberta interior, anotando fielmente num diário todas as suas experiências.
Na sua busca de novos territórios, Anais e Henry veem-se seduzidos pela inquietante sensualidade da esposa de Henry, June (Uma Thurman). Henry & June é uma inesquecível viagem através do território desconhecido das relações humanas, baseada nas passagens suprimidas dos diários de Anaïs Nin. 








9 – Eclipse de uma Paixão (1995)

Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio), "o poeta dos sentidos", como ficou conhecido, revolucionou a poesia do final do século XIX e continua influenciando escritores e surpreendendo leitores até hoje. O filme foca o turbulento período de produção literária de Rimbaud, que coincide com o tempo em que viveu apadrinhado por outro grande poeta, Paul Verlaine (David Thewlis). Mas a admiração de um escritor pelo outro vai além, faz com que ambos de apaixonem, para desespero da mulher de Verlaine (Romaine Bohringer). Esse triângulo amoroso explosivo e provocante proporciona a DiCaprio e Thewlis, duas atuações corajosas e vibrantes.







10 – Medo e Delírio em Las Vegas (1998)

Ambientado na Las Vegas dos anos 1970, o longa acompanha a louca aventura, banhada por álcool e drogas, do jornalista Raoul Duke (Depp) e seu advogado Dr. Gonzo (Del Toro). Eles chegam ao local para fazer a cobertura do Mint 400, uma corrida de motos no deserto, mas o resultado são alucinações e muito problemas. Baseado no romance de Hunter S Thompson.











11 – Diário de um Jornalista Bêbado (2011)

Diário de um Jornalista Bêbado conta a improvável história do jornalista itinerante Paul Kemp (Johnny Depp). Cansado da vida frenética de Nova Iorque e das convenções morais de uma América conservadora, ele viaja à bela ilha de Porto Rico, para trabalhar em um jornal local, o "The San Juan Star", administrado pelo tirânico Lotterman (Richard Jenkins). Adotando o ritmo calmo do lugar, regado a muito rum, Paul começa a se apaixonar por Chenault (Amber Heard), noiva de Sanderson (Aaron Eckhart), um dos maiores empresários da cidade. Ganancioso, Sanderson planeja converter Porto Rico num paraíso do capitalismo. Quando Kemp é recrutado por Sanderson para escrever um artigo favorável a respeito de sua nova e corrupta empreitada, ele é confrontado com um dilema: deve ajudar o empresário, ou aceitar os riscos e aproveitar para denunciá-lo? Baseado no romance de Hunter S Thompson. 



12 – Na Estrada (2012) 

Nova York, Estados Unidos. Sal Paradise (Sam Riley) é um aspirante a escritor que acaba de perder o pai. Ao conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund) ele é apresentado a um mundo até então desconhecido, onde há bastante liberdade no sexo e no uso de drogas. Logo Sal e Dean se tornam grandes amigos, dividindo a parceria com a jovem Marylou (Kristen Stewart), que é apaixonada por Dean. Os três viajam pelas estradas do interior do país, sempre dispostos a fugir de uma vida monótona e cheia de regras. Baseado no romance de Jack Kerouac.








13 – Wilde (1997)

“Wilde” narra à vida do celebre Oscar Wilde (Stephen Fry), gênio, intelectual, poeta e dramaturgo irlandês. A descoberta tardia de sua homossexualidade transformou a vida de Wilde num inferno, enquanto ela tentava conjugar as responsabilidades para com sua carreira, a mulher, Constance (Jennifer Ehle), e os filhos com seu obsessivo pelo jovem e belo Lord Alfred Douglas (Jude Law), mais conhecido como Bosie. Processado por sodomia pelo pai de Bosie, o violento Marquês de Queensberry, Wilde tem que enfrentar a rígida moral dos tribunais da intolerante sociedade vitoriana, sendo condenado dois anos de trabalhos forçados. Mais que uma biografia, “Wilde” é o retrato de um indivíduo vítima de uma época. Somente hoje, mais de cem anos após o processo, os tribunais ingleses admitiram seu erro, considerando Oscar Wilde inocente.




14 – Capote (2005)

Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal New York Times sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em Holcomb, no Kansas. O assunto chama a atenção de Capote, que estava em ascensão nos Estados Unidos. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Usando como argumento o impacto que o assassinato teve na pequena cidade, Capote convence a revista The New Yorker a lhe dar uma matéria sobre o assunto e, com isso, parte para o Kansas. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, Capote surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não--convencionais. Logo ele ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados em Las Vegas e devolvidos ao Kansas, onde são julgados e condenados à morte. Capote os visita na prisão e logo nota que o artigo de revista que havia imaginado rendia material suficiente para um livro, que poderia revolucionar a literatura moderna.

Veja a primeira parte do especial feito por Guilherme Ziggy AQUI.

29 de outubro de 2012

Especial | 20 melhores adaptações de livros - Parte 1

(Excelente) lista organizada e realizada pelo colaborador Guilherme Ziggy


Charles Bukowski; Stephen King; Virginia Woolf; Sylvia Plath e Henry Miller são alguns dos expoentes da literatura do último século, e são eles os elementos perfeitos para uma boa adaptação cinematográfica, sejam elas suas próprias biografias, ou até mesmo as adaptações de suas obras, desde sempre Hollywood se interessou muito em transmitir as histórias e obras desses personagens para o grande público. Sendo assim, fiz uma lista com as vinte melhores adaptações dos últimos anos. Espero que gostem. 


1 – As Horas (2001)

Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.








2 – Uivo (2010)

Em São Francisco, 1957, uma obra-prima americana é colocada em julgamento. “Uivo” reconta este momento obscuro usando três perspectivas diferentes: os tumultuados eventos da vida que levaram o jovem poeta Allen Ginsberg (James Franco) a descobrir sua verdadeira voz como um artista, a reação da sociedade em relação à sua obra, e uma animação que reflete a originalidade do poema Uivo em si. As três histórias se entrelaçam para contar o nascimento da contracultura americana dos anos 50, que ficou conhecida como Beat Generation.








3 – Pergunte ao Pó (2006)

Los Angeles, década de 30. No auge da depressão, Arturo Bandini (Colin Farrell) sonha se tornar um escritor famoso. Na tentativa de escrever algo ele se hospeda em um quarto barato de hotel, mas logo o plano se mostra um fracasso: o dinheiro de Arturo está acabando e ele ainda não conseguiu escrever. É quando ele conhece Camilla Lopez (Salma Hayek), uma garçonete mexicana que sonha conseguir um bom marido e deixar o emprego. Juntos eles vivem uma relação conturbada, baseada em desejo, ciúmes e desprezo. Baseado no romance de John Fante. 







4 – Hemingway e Gellhorn (2012)

Após uma pescaria bem sucedida, o escritor Ernest Hemingway (Clive Owen) conhece Martha Gellhorn (Nicole Kidman) em um bar. Interessado nela, logo a convida para um evento que ocorrerá em sua casa, onde serão discutidos meios de ajudar a defesa republicana espanhola em meio ao ataque fascista do general Franco. Neste encontro ela conhece John dos Passos (David Strathairn) e Paco Zarra (Rodrigo Santoro), que insistem para que ela vá ao front e divulgue o que está acontecendo nos jornais. Animada com a ideia, Gellhorn consegue um emprego como corresponde de guerra e parte para a Espanha. Ao saber da notícia Hemingway também vai ao país, no intuito de ajudar na confecção de um documentário sobre a batalha. Lá eles ficam hospedados no mesmo hotel e se aproximam cada vez mais, iniciando um romance que reúne paixão e inteligência.




5 – A Insustentável leveza do Ser (1987)

Nos anos 60 em Praga, Tchecoslováquia, Thomas (Daniel Day-Lewis), um médico totalmente apolítico, tem como hobby ter diversas parceiras sexuais, mas evitando sempre um maior envolvimento. Mas duas mulheres: Sabina (Lena Olin), uma artista plástica, e Tereza (Juliette Binoche), uma garçonete que sonha em ser fotógrafa, vão estar muito presentes na vida dele. Mas ao serem atingidos pelos acontecimentos de 1968, conhecido como "A Primavera de Praga", quando tanques soviéticos invadiram a capital tcheca para pôr fim a uma série de protestos, a vida deste triângulo amoroso afetada, pois seus sonhos foram destruídos e suas vidas mudariam para sempre. Baseado no romance de Milan Kundera. 





6 – Barfly – Condenados pelo Vício (1987)

Com o roteiro escrito por Charles Bukowski, “Barfly” conta a história de Henry Chinaski (Rourke), um escritor alcoólatra que inicia um romance cheio de contradições com Wanda Wilcox (Dunaway), outra frequentadora assídua dos bares de Los Angeles. Neste cenário, surge uma terceira pessoa que vai mudar a relação do casal. Após a realização do filme, Bukowski escreveu “Hollywood”, livro que relata a experiência de escrever um roteiro cinematográfico. 










7 – Sylvia (2003)

A história de Sylvia Plath (Gwyneth Paltrow), uma das mais famosas novelistas da literatura norte-americana. Nascida em Boston durante a Grande Depressão, Sylvia ainda jovem tentou cometer suicídio, na casa de sua mãe. Ela viaja à Inglaterra para estudar em Cambridge e lá conhece o jovem poeta Ted Hughes (Daniel Craig), por quem se apaixona e vive um longo romance.








19 de setembro de 2012

Crítica I Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (2)



158 minutos, multiplicados por muitas, mas MUITAS VEZES, por que você não consegue parar nem se cansar de assistir ou de redescobrir detalhes de personagens tão bem planejados e de uma história tão palpável. “Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” lançado em Janeiro de 2012, é surpreendente, primeiro pela história que é baseada nos livros do jornalista sueco Stieg Larsson(1954-2005) e em segundo lugar, por que REALMENTE nunca vi um remake (principalmente feito por norte americanos que tem a MANIA de mexer  e por o dedo em tudo) tão incrível quanto o original. SÉRIO.

O filme não tem gênero específico, ele é drama, terror, investigativo, vingança, meio romance, uma comédia irônica, gente PERFEIÇÃO, o livro é foda, e o filme consegue ser uma adaptação fiel, POREM mantem uma originalidade. Trilha sonora é muito boa, a música de abertura já da um arrepio, essa obra é sim, um orgasmo cinematográfico.



Desculpa, sou paga pau mesmo, da trilogia dos livros, dos filmes suecos e até agora, da versão norte americana também. Pago pau para os atores também, nem tanto para o Danial Craig (o mais recente 007) que interpreta o jornalista que perdeu um processo e é ‘obrigado’ a deixar a revista Millenium que dirigia e ir investigar o desaparecimento da sobrinha, Harriet Vanger, de um grande empresário que aconteceu na década de 60, mas certamente para Rooney Mara que atua como Lisbeth Salander (aiai suspiros eternos) uma hacker de 24 anos com problemas de sociabilidade e alguns enroscos no passado que são mostrados durante a trilogia.

Pode ser um daqueles filmes que passam muito rápido e você nem percebe quando acabou, mas certamente é um filme que você ira indicar e rever muitas vezes, é ma-ra-vi-lho-so, além de querer ver cada detalhe do filme, ele tem a magia de manter certas cenas na sua cabeça e não deixar que você esqueça elas tão cedo(vocês vão saber do que eu estou falando quando verem o filme). Fotografia? Linda. Cenários? Apaixonei-me pela Suécia. Trama? Surpreendente. Trilha sonora? FODA. Atuações? Orgásmicas. Direção, roteiro, produção e adaptação? Excelentes.

É uma história impressionantemente forte, real e cruel, ao mesmo tempo, apaixonante, paulatina e marcante. Ninguém é a mesma pessoa depois de ver esse filme, pessoas mudam, por mais que ninguém perceba, elas mudam, e pode ser surpreendente o resultado.

7 de junho de 2012

Séries | Game of Thrones

Chega ao fim a segunda temporada de Game of Thrones, deixando aquele gostinho de “PRECISO DE MAIS” e uma vontade imensa de ler os livros da saga. O post de hoje vai tentar evitar spoilers, por isso buscarei fazer alguns comentários, e evitar outros.

Começando pelos diálogos. Algumas cenas se tornam memoráveis, não apenas pelas imagens excelentes ou pela perfeição de alguns atores, mas também pelo encaixe das falas, junto com o jogo de olhares e situações de cada cena. Cada episódio te engole, de uma forma inexplicável, e você só volta para o mundo real quando vê a tela escurecendo ao fim do capítulo. A tristeza quando algum barulho interrompe a sua atenção e você tem que voltar a cena, ou perder um trecho, demonstra como cada espaço foi bem utilizado dentro dos episódios.

Outro ponto marcante da série é a atuação. Falar de Peter Dinklage já é chover no molhado, porém não me canso de elogiar esse excelente ator. Muitos usam suas diferenças para aparecer apenas com elas, como o anão que tomava tapa na cabeça no pânico, entre outros. Mas ao interpretar Tyrion, Peter demonstra qualidades de um ator de topo. Não é apenas o diferente. Não está na série apenas por ser um anão. Suas atuações são espetaculares. Outros dois atores que me chamam a atenção na saga, mesmo sem a mesma importância na saga, são Aidan Gellen, no papel de Mindinho e Conleth Hill, no papel do eunuco Lord Varys. Começo falando de Varys, até agora o personagem mais fascinante da saga, pois não é aliado de ninguém, ao mesmo tempo está com todos. Já a atuação de Hill segue o mesmo fascínio. Seu olhar de surpresa, falsa evidentemente, traz ainda mais drama e suspense para as cenas. Já Aindan Gellen consegue uma coisa fundamental do personagem. Ele consegue transparecer o medo revestido na pseudo-coragem de Mindinho. Nas suas cenas, vemos um homem atormentado pelo medo, que teme perder o controle.


O cenário e o figurino da série continua no nível da primeira temporada. As belas armaduras realmente "funcionam" nas cenas de guerra, não fica parecendo dois bonecos do Power Rangers lutando, que nem em alguns filmes medievais. E os castelos, espaços abertos entre outros tipos, são fascinantes.

Sobre a trama, de tudo o que aconteceu, a traição foi a parte que mais me assustou. Não vou falar quem traiu quem, para não estragar o dia de quem ainda não viu. Mas eu achei que foi a unica parte que eu mudaria da saga. Deixou um personagem que poderia ser mais explorado em uma situação estranha, apenas para "se provar". Enfim, espero que isso se explique melhor na terceira temporada. (Brincadeira, eu estou juntando dinheiro pra comprar o livro, urgentemente). 

Minhas palmas ficam também para o escritor da saga, George R.R. Martin, que fez uma obra que passará por gerações, sem precisar de apelos como “Amor, paz, luz”. Talvez seja por isso que a obra se diferencie e é tão aclamada atualmente. Bem, para não escrever spoilers sobre a saga, termino o texto aqui. Espero realmente que todos assistam essa série, pois não irão se arrepender.  

31 de maio de 2012

Adaptação | As Patricinhas de Beverly Hills



Emma Woodhouse é uma linda, inteligente e rica jovem de 20 anos. A personagem criada em 1815 por Jane Austen vive em Hartfield, propriedade fictícia localizada na Inglaterra. História vai e história vem e Austen resolve transformar sua personagem em uma casamenteira que tem como único objetivo formar novos casais entre as pessoas que a cercam. Após tanto tempo no cargo de cupido, Emma se vê no direito (e na vontade) de ter alguém pra si e é nesse momento que resolve olhar para Frank Churchill e viver feliz para se... Não, não não. Como na vida real, as pessoas só dão valor ao que têm quando perdem e com a nossa querida Emma não foi diferente: percebeu que amava o seu amigo, Sr. George Knightley, quando sua também amiga, Harriet Smith, confessou amor pelo mesmo. O ciúme veio e o coração bateu. Confuso, não é? Deixa-me explicar em outras palavras: As Patricinhas de Beverly Hills.

Exatos 180 anos se passaram e Amy Heckerling fez uma verdadeira adaptação. Emma transformou-se em Cher (Alicia Silverstone) e Hartfield em Beverly Hills, Harriet agora é Stacey (Brittany Murphy, amém) e Sr. George é o meio irmão de Cher, Josh (Paul Rudd). Poderíamos resumir o enredo do filme, mas seria repetir a história de Jane Austen, somada, é claro, às futilidades dos anos 90: Calvin Klein, Jeep e Beverly Hills.

O contexto em que a personagem foi inserida é um ponto a destacar, como a família moderna: uma mãe que morre em meio a uma lipoaspiração, um pai que tem outros filhos com outras esposas, que não para de trabalhar nem por um segundo e é extremamente impaciente e rude com a filha (mas nada que seja pejorativo demais). Quanto à escola, Cher diz, orgulhosamente, ao pai que irá persuadir os professores para que aumentem suas notas, “that’s the american (new) way!”.



Tratando-se do filme, considero como fato mais marcante o diálogo. Amy Heckerling construiu um roteiro baseado na linguagem dos adolescentes da época, o que ficou claro e característico em As Patricinhas de Beverly Hills. “AS IF!”, diz Cher o tempo todo para seus amigos, “até parece” ou “capaz”, em português. A crítica à cultura de Los Angeles está presente quando Cher justifica que não precisa aprender a estacionar porque há manobristas disponíveis em todos os lugares na cidade.

Alicia Silverstone, antes conhecida pela participação do videoclipe “Crazy” do Aerosmith, abraçou o papel e fez de Cher uma patricinha memorável. Sua voz desafinada, os gritinhos histéricos, seu impecável cabelo loiro e as meias 5/8 acompanhadas da minissaia marcaram a nossa geração.

Em outras cenas, a fútil heroína desdobra-se de maneira inteligente. Cher se faz de boba, mas é bastante esperta, várias vezes une o complexo ao senso comum. Quando Josh e sua acompanhante vão buscá-la em Sun Valley, Cher contesta a moça em seu discurso: “Não, Hamlet não disse isso.” – Acho que me lembro muito bem de Hamlet. “Lembro muito bem de Mel Gibson e ele não disse isso. Foi o Polonius quem disse”, rebate a patricinha. Não há como negar que Cher e suas pérolas são inesquecíveis.

 “Clueless”, a leve adaptação do romance de Jane Austen, é uma leve comédia que retrata a vida da mimada “casamenteira” do século XX, Cher. O bacana é ver os atores famosos com carinha de bebê, entre eles estão: Alicia Silverstone, Paul Rudd, Brittany Murphy, Stacey Dash, Breckin Meyer, Donald Faison, Dan Hedaya, Jeremy Sisto, entre outros. Assista sem medo de ser feliz e  de se tornar uma patricinha, afinal, a trilha sonora é do Radiohead e não da Britney Spears, calm down.


Diálogo memorável:
- Cher, get in here.
- What’s up, daddy?
- What the hell is that?!
- A dress.
- Says who?
- Calvin Klein.


17 de maio de 2012

Adaptação | O Nevoeiro


                    Após serem vítimas de uma forte tempestade, os moradores do pequeno vilarejo de Maine vão ao mercado local munir-se de um possível imprevisto. No lugar comenta-se a respeito da misteriosa névoa que toma conta da cidade ; o incomum efeito natural começa a assustar a população quando um morador desesperado afirma que já há algo de sobrenatural no fenômeno. Ao notar que a situação está realmente séria, os moradores se vêm obrigados a abrigar-se no mercado. Entre os “isolados” está David (Thomas Jane), artista local e seu filho, uma fanática religiosa, Sra. Carmody (Marcia Gay Harden) e outra habitante local, Amanda Dunfries (Laurie Holden).
                A adaptação cinematográfica é do livro do aclamado Stephen King, veterano em roteiros adaptados. King é muito rigoroso quanto às adaptações de suas obras e quando insatisfeito, não se acanha em reclamar. É o que aconteceu com O Iluminado de Stanley Kubrick. Surpreendente e felizmente não é o caso de O Nevoeiro, Stephen King até mesmo afirma “invejar” o novo desfecho criado por Frank Dabarton.
                O Nevoeiro possui a espécie de roteiro insustentável que, se não moldado pelas mãos certas, pode acabar em uma catástrofe, é o que acontece com metade dos filmes fantasiosos, futurísticos ou de terror. Porém, Frank e Stephen foram sábios, dá pra sentir que a névoa em si, é apenas um argumento criado para que a quarentena pudesse ser criada. O foco principal é a limitação e o poder do psicológico humano.
                É nesse ponto que a polêmica se desenvolve. A fanática Sra. Carmody possui a crença cega em sua religião e procura justificar e argumentar biblicamente os bizarros acontecimentos nos dias de quarentena dentro do supermercado. Achando-se no direito de poder julgar os moradores como bem entender, ela causa transtorno e caos, o que acaba colocando um contra os outros. É em torno desse confronto de princípios que ambas as obras giram em torno.
                       Quanto aos efeitos especiais, o filme deixa um pouco a desejar no que diz respeito a misteriosa criatura que habita a "névoa", tentáculos gigantes e muito sangue forçam o propósito. Por outro lado, a praga de insetos (afinal, de onde ela veio e o que moluscos tem a ver com insetos???) foi muito bem feita, dando a ideia da realidade dos pequenos bichinhos.
                O longa de 2007 é do tipo regular, filme que te mantem entretido durante a tarde e o leva a reflexão de temas polêmicos, como a religião nesse caso, porém, a obra em si não é marcante, é esquecível logo após a saída do cinema (ou da sala de tv).

13 de maio de 2012

Adaptação | Precisamos Falar Sobre o Kevin


“It’s my fault” (É a minha culpa), grita Eva Katchadourian quando uma mulher, no meio da rua, bate em sua cara e um homem fala que chamará a polícia. A mãe que a bateu era vítima do filho de Eva, ou melhor, a filha desta mulher foi assassinada por Kevin, um psicopata que cresceu em seu ventre.

“Precisamos Falar Sobre o Kevin” é um filme baseado no livro, de mesmo nome, da escritora Lionel Schriver. Ela estudou vários casos de assassinato em massa dentro de colégios e universidades norte-americanas e decidiu escrever uma ficção com uma perspectiva diferente: a visão da mãe do assassino. Eva é uma mulher de 40 anos, que reexamina a sua trajetória em busca dos motivos que podem ter transformado seu filho, Kevin, num assassino. Em longas e detalhadas cartas ao pai do menino, ela analisa o próprio casamento, o impacto da maternidade sobre sua vida e momentos significativos da infância de Kevin. Seu relato é escandalosamente sincero, pontuado por confissões como a de um dia ter parado no meio da rua, diante das britadeiras de uma construção, e fechado os olhos de prazer ao notar que as máquinas encobriam o som do choro incessante de seu bebê, recém-nascido.

A cor vermelha é presença constante no filme. Desde o primeiro minuto, quando Eva está tomando um “banho de sangue” na "Tomatina" até na união das células na formação do feto. Pode parecer exagero, no entanto esta cor elucida os sentimentos da mãe. No começo, poderia parecer raiva ou até ódio, já na cena em que ela foge de uma das mães, que sofreu a carnificina que Kevin provocou, o que se consta é medo. A limpeza da casa – o fim da tinta vermelha e início da pintura azul – também é um modo do diretor mostrar como Eva está tentando se livrar da culpa de ter criado um psicopata.

Em nenhum momento ela quis a criança. Até no parto ela resistia e nos momentos que a criança grita, ela também quer gritar. Quando Eva vai ao médico para ver se o filho tem algum problema mental ou físico, a espera é que ele tenha algo que justifique o seu comportamento. Para ela seria um alívio saber que o modelo de criação foi correto. Seria um consolo ter o diagnóstico que Kevin, simplesmente, nasceu assim.

O uso de flashbacks durante todo o filme consegue alinhar, perfeitamente, memórias da vida em família com a situação atual de Eva. Um exemplo é quando ela tira as cascas de ovo da boca e ao mesmo tempo passa as lembranças das pessoas que o filho assassinou. Este jogo de cenas mostra, mais uma vez, a tentativa de Eva se libertar da culpa e juntar os pedaços de sua vida.

“Precisamos Falar Sobre o Kevin” não é um drama comum. Ele chama os espectadores para refletir sobre as mães dos Kevins da vida real. Tilda Swinton consegue chamar a atenção para isto de uma forma que não retrate Eva como um monstro e sim como uma pessoa que sofreu uma tragédia e não sabe como reagir. O incrível John C. Reilly prova ser a escolha perfeita para viver o permissivo pai de Kevin. Um exemplo é quando, após Eva tratar Kevin grosseiramente, o filho passa a ter mais respeito pela mãe. Diferente do carinho exagerado do pai, o qual achava que Eva não sabia dar o devido afeto ao filho. Ezra Muller (que encarna o Kevin adolescente) compensa os excessos do roteiro adaptado com uma atuação contida, como pede o tom do livro de Schriver.

A fala de Kevin na penitenciária provoca uma discussão sobre o modo de educar os filhos, “Você sabe como treinar gatos? Enfiam o nariz dele na própria merda, eles não gostam, assim acabam usando a caixa”. Será que esta é a maneira correta? Pode ser, porém o que é estabelecido no filme é o debate deste assunto tão velado e pouco discutido da forma como Schriver soube elucidar.

4 de maio de 2012

Série | Once Upon a Time

E se os finais felizes fossem roubados?

Quem não conhece os contos de fada? Branca de Neve, Pinóquio, Cinderela e tantos outros são conhecidos principalmente por seus finais felizes. O diferencial da série “Once Upon a time” é que nem tudo dá certo no final. “Once Upon a Time” em português quer dizer “Era uma vez”, frase amplamente conhecida por iniciar a narrativa dos contos de fada. A partir disso, vocês já podem imaginar do que a série se trata. Once Upon a time começou a ser exibida em outubro do ano passado pela ABC e vem ganhando público devido aos episódios totalmente diferentes do que qualquer criança (e adulto) jamais imaginou.

O enredo? Bem, imagine que a Rainha Má lançou uma maldição nos personagens dos contos de fada para que fossem impedidos de terem seus finais felizes. Para isso, todos eles foram mandados para o mundo real, em uma cidade chamada Storybrooke. E para completar os personagens não lembram sua real identidade. Tudo ocorre de acordo com o plano da Rainha Má, até a forasteira Emma chegar à cidade. Com sua vinda, cada episódio narra à história de um personagem, mesclando o mundo em que viviam antes da maldição e a vida real. De acordo com a série, Emma será a responsável pela quebra da maldição.


Se você pensa que vai encontrar só as histórias mais conhecidas como, por exemplo, Cinderela, você está totalmente enganado. Além de narrar os contos de uma perspectiva bem diferente das tradicionais, a série não se prende apenas em um personagem. A verdade é que sua vida nunca será a mesma depois que assistir a série. Todos conhecem os contos de fada de um modo, principalmente pela visão dos desenhos da Disney. “Once Upon a time” apresenta um conteúdo totalmente inovador, porque conta às histórias que não nos foram contadas. E principalmente nos conta histórias de personagens que não conhecemos. Se depois de tudo isso, você ainda precisa de um argumento para ir correndo assistir a série, saiba que os criadores de Once Upon a time são os mesmo de Lost. Então dá para ter uma prévia da qualidade do roteiro. Sem falar da direção de arte que foi muito bem feita. A primeira temporada está quase no fim, o último episódio vai ao ar dia 13 de maio. E assim como todos os outros, vai deixar aquele gostinho de quero mais.

25 de abril de 2012

Crítica | Na Natureza Selvagem



Vencedor de sete prêmios internacionais e dirigido por ninguém menos que Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos), com Emile Hirsch (Speed Racer) no papel principal e uma pequena participação de Kristen Stewart (Saga Crepúsculo), “Na Natureza Selvagem” (Into the wild, 2007, EUA), é baseado na história real de um jovem norte-americano que cresceu rodeado por livros (Tolstoi e Thoreau são MUITO amados pelo personagem), criado no conforto de um lar rico, de pais fúteis e infelizes, chamado Christopher McCandless.

Escrito pelo jornalista Jon Krakauer em 1996, o livro conta a trajetória tanto física quanto emocional e espiritual do garoto que logo após sua formatura da universidade doa todo seu dinheiro para a caridade, organiza as coisas para que seus pais não atrapalhassem seus planos e partiu para sua sina: o Alasca.

Ele buscava a liberdade dos padrões estigmatizados , além disso, a natureza dentro dele, e a sua simplicidade. Pedindo carona, arranjado empregos temporários e conquistando amigos, ele finalmente chega ao seu destino e conquista o livre-arbítrio.

Pelo nome de ‘Supertramp’ (algo como “super andarilho”), ele filosofa, cita seus autores favoritos, nos toca e nos ensina um caminho para a felicidade completamente diferente do qual imaginamos. Ele chega a nossa alma, tanto com a maneira que ele assimila a realidade quanto com a música, e como o som dá o tom à cena, a trilha sonora assinada por Michael Brook, Kaki King e o vocal do Pearl Jam, Eddie Vedder, vai além do simples complemento da imagem e realmente eleva o filme.

Violão cru, as vozes “acapella” e uma pitada de um piano suave ao fundo. A música representa o espírito do nosso herói, a solidão, a tristeza dele, seus pensamentos, sentimentos. A trilha sonora faz o papel de “tradutor” da intimidade que a câmera de Penn não pode captar. E para deixar BEM claro, essas músicas não seriam tocadas nas top paredes de nenhuma radio ou canal, são canções que você ouviria seu irmão ou primo tocar no velho violão coberto por adesivos  de bandas e de bares juntamente com  assinatura de amigos da universidade.

A direção do Sean é incrível, ele usou dos flashbacks narrados por Carine (a queridíssima Jena Malone – Sucker Pouch), irmã de Christopher para “justificar” cinematograficamente as ações rebeldes do personagem, que muitas vezes são reações aos pais deles, Billie e Walt McCandless, interpretados respectivamente por Marcia G. Harden (O Sorriso de Monalisa) e William Hurt (Instinto Secreto), que encarnaram com muito vigor o papel de pais “odiáveis”, materialistas e viventes da mentira na película.

Com paisagens de uma “América” pouco conhecida, pessoas/personagens fortes e emocionantes (como o casal hippie), trilha sonora intimista, fotografia graciosa assinada por Eric Gautier (Diário de Motocicletas), roteiro, direção e atuações fantásticas, é praticamente um filme obrigatório para quem aprecia o gênero dramático.

Não há maneira melhor de finalizar essa crítica do que com uma das citações que Supertramp faz de Henry David Thoreau: ”Ao invés de amor, de dinheiro, de fama, de justiça, dê-me a verdade”. E verdadeiramente, esse filme vale a pena.

29 de março de 2012

Adaptação | Wanted (O Procurado)

"This is my face while I'm fucking you in the ass."
Como todo grande fã de livros ou quadrinhos, eu costumava ficar puto com a maioria das adaptações cinematográficas de nossos ídolos de papel. Porém, já há algum tempo, busco liberdade de tal fúria. Assisto aos filmes com um olhar menos crítico, tentando pensa-los como uma produção independente, que, quem sabe, lembre agradavelmente as obras sobre as quais eles se construíram.
Consegui assistir aos últimos filmes de Harry Potter sem esbravejar contra tantos ultrajes à trama original. Vi Watchmen e suportei a fuga da profundidade da obra de Allan Moore. Perdoei Peter Jackson por não ter incluído o Tom Bombadil na trilogia do Senhor dos Anéis...
...
Bem, o Bombadil é um dos caras mais fodas que passaram pelas páginas de Tolkien, mas, OK, a adaptação da obra foi espetacular. Bombadil não foi necessário.
Mas que seria demais vê-lo nas telonas... Ah, como seria.
...
Enfim, acredito que me tornei uma pessoa melhor. Mais tolerante. E menos chata, porque convenhamos, é muito ruim ver um filme com um babaca reclamando o tempo todo ao seu lado.
Porém, como a onda que destrói o castelo de areia, quando só lhe falta uma torre, Hollywood resolveu adaptar “O Procurado”.
Eu havia lido os quadrinhos – um arco de 6 edições – há pouco. Eles tratam de coisas como moral, liberdade, violência, sistema e a batalha entre bem e mal, de uma maneira totalmente diferente da usual. Mark Millar, o autor, criou um personagem que, clichê, é um completo perdedor. Wesley Gibson é hipocondríaco, odeia seu trabalho, odeia sua vida e sua namorada o traí com seu melhor amigo, e ele sabe disso.
De súbito, enquanto ele compra seu almoço – a porra de um sanduíche – uma mulher, Fox, o interpela e sua vida se transforma. Gibson, sem saber, era filho do maior assassino do seu tempo, o Matador. Este, por sua vez, fazia parte da organização que comanda o mundo desde a grande derrocada dos super-heróis (é, eles existiram. E foram derrotados), a “Fraternidade”.
A Fraternidade é uma rede criminosa composta pelos super-vilões que derrotaram os heróis em 1986 e, desde então, são donos do planeta. Quando o Matador é assassinado, a Fraternidade busca aliciar Wesley. É preciso que sempre exista um Matador.
Nosso protagonista passa por um árduo treinamento, que, além de tiro e luta – habilidades que lhe parecem iantas – incluem liberações de fúria, depravação e niilismo sem sentido contra todo o tipo de lei, bondade ou moral que exista. Wesley é levado a experimentar a liberdade extrema. E gosta disso.
Os quadrinhos não tentam passar uma mensagem. Não dizem o que você deve fazer para deixar de ser um perdedor. A historia parece apenas querer jogar merda no ventilador social e rir, ao vê-la se espalhar. Wesley se torna a porra de um vilão “Badass” e saí fodendo com tudo. O que rende uma bela história, cheia de referências pop, traições, miolos voando e membros perdidos, largados em poças de sangue.
Então veio a adaptação. Com grandes nomes como Morgan Freeman e Angelina Jolie, e a premissa de contar a historia de Wesley Gibson, o filme prometia. Maldita ilusão. O novo o Procurado só pegou o clichê do perdedor covarde que, apoiado por algumas mãos, se levanta e se torna fodão.
A Fraternidade passou a ser um grupo de assassinos conduzidos pela droga do lema "matar um para salvar mil". Os alvos do grupo se tornaram pessoas que interfeririam na ordem do mundo, causando muitas outras mortes. Tudo supostamente funcionando em nome de um “bem maior” e indo totalmente contra o conceito de maldade libertina da HQ.
Para completar o quadro, os alvos que deveriam ser eliminados, pelo bem da humanidade, eram escolhidos pela droga de um tear mágico, que de algum jeito besta escrevia os nomes dos que deveriam virar presunto.
Ainda assim, o filme tem lá seus momentos divertidos e algumas boas sacadas. Não é totalmente tempo perdido. Mas não chega aos pés dos quadrinhos e não merece carregar o nome que ostenta. As únicas coisas que ele mantem são os nomes dos personagens. E não todos. Aliás, alguns dos personagens da HQ parecem ter sido feitos pensando no ator que deveria encená-los. Pode ser ilusão minha, portanto não me aprofundarei. Se sentirem-se instigados, leiam os quadrinhos e busquem semelhanças de personagens com algumas celebridades que poderiam tê-los representado.
Como adaptação, O Procurado não merece receber nota alguma. Me recuso a considera-lo. Como filme, bem, as cenas de ação até são legaizinhas, tem o Morgan Freeman, o que sempre soma um pouco, a Angelina Jolie está linda e a atuação de James MacAvoy foi bastante boa. Vale um 5,5.

15 de março de 2012

Problemas cronológicos e mudanças de detalhes são principais criticas nas adaptações cinematográficas.


 Certo dia, alguns anos atrás, me peguei vendo uma notícia que o ator Will Smith (Um maluco no pedaço, MIB), um dos atores mais geniais atualmente, diga-se de passagem, seria o Capitão América nos cinemas. Isso trouxe à tona um debate muito frequente quando a questão é adaptação de quadrinhos: Até que ponto podem mudar um personagem para levá-lo ao cinema?

Começamos então com a própria Marvel, que voltou atrás e colocou Chris Evans como personagem principal. A questão de mudança do personagem foi, então, criticada nos principais fóruns de revistas do país, e muito provavelmente do mundo. Capitão América é um personagem com mais de 50 anos, sempre mantendo o mesmo padrão estético, uma mudança drástica seria alvo de muita polêmica.

Viuva Negra  ficou parecida com  HQs
Nicholas Fury, agente da SHIELD nas revistas da Marvel, foi levemente se adaptando para Samuel Jackson (Star Wars, Jurassic Park), em um processo muito aceito pelos fãs. Hoje é impossível pensar no personagem sem levar a imagem do ator na cabeça, quando isso acontece, significa que o processo deu certo, mas uma mudança tão ácida não teria tal receptividade.

Outro personagem que teve uma adaptação questionada foi Thor, como já dito em uma crítica anterior do blog, algumas características foram mal adaptadas, como o modo como ele virou Donald Blake ou sua relação com Lady Siff, praticamente nula no filme.

Agora as atenções estão voltadas para o novo projeto da Casas das Ideias, o filme “AVENGERS”. Como será adaptada a relação dos personagens e o quão fiel será dos quadrinhos. Os fãs esperam, e acreditam, que o longa será uma cópia fiel do que estão acostumados a ver nos gibis, porém, para atrair novos fãs, algumas mudanças são, infelizmente, necessárias, na visão dos diretores.

Na DC, temos Superman abusando de clichês relacionados a história do kriptoniano, deixando as temáticas mais adoradas pelos leitores de fora da telona. Já Batman renasceu para os fãs de quadrinhos, principalmente com o ultimo filme que já é considerado uma grande obra do mundo dos heróis. A temática dos filmes anteriores, com uma fotografia amena e colorida, deixou de lado todo o carater psicológico do personagem. Já Begins e The Dark Knights, o fã de quadrinho ve a Gotham que ele imaginava pelos gibis... Sombria, sem futuro e adoravelmente caótica.