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19 de junho de 2013

Cinema Alternativo | The ABC's of Death

Essas antologias de terror estão abalando, não é mesmo? Entrei nessa vibe e resolvi pegar vários pra assistir. Na realidade só alguns, mas como cada um tem vários, vi vários mesmo (ééé). ENTÃO. 

Diretores de quinze países receberam a seguinte proposta: uma letra do alfabeto e cinco mil dólares para produzir algo relacionado ao terror entre 3 e 5 minutos. Assim foi a criação do ABC's of Death. Claro, não seria possível que os 26 curtas fossem bons, mas alguns foram realmente criativos. Como eu não tenho empenho pra 26 mini críticas, destacarei os altos e baixos (abrindo o Google pra lembrar da sequência de filmes).

Ah, antes de mais nada, ele é "alternativo" porque lida com muitos diretores independentes no cenário do cinema de terror por todo o mundo. O mais conhecidinho é o Adam Wingard (que fez A Horrible Way to Die, V/H/S [crítica nossa aqui] e V/H/S/2 - crítica que vem por aí assim que eu arrumar ânimo pra ver o filme).

ABC's of Death tem de tudo: 

B is for BIGFOOT: sim, tem um pé-grande no filme - mais conhecido como Abominável Homem das Neves. O filme é de um diretor da Espanha, Adrian Garcia Bogliano, só de curtas, até hoje. O impressionante é que foi um dos mais simples e me deu medo, sabia? ÉÉ! O primo de uma little child quer dar uns pegas na namorada, mas tem que cuidar da little child, aí eles contam uma história pra ela, sobre o Bigfoot, que toca o sino na frente da casa das pessoas por volta das 8 da noite e leva crianças que não estiverem dormindo. Pois bem, oito da noite o sino toca - era o lixeiro, que inventaram pra criança não sair da cama. NÃO É QUE O LIXEIRO MATA O PRIMO e deixa a criança porque ela finge que tá dormindo? Arrasou. 

F is for FART: o filme é japonês - tem vários curtas japoneses - e o nome já diz tudo (fart = peido). Uma aluna apaixonada pela professora deseja morrer inalando o gás traseiro dela. Pois é, cada um com sua mania, né? Eu chorei de rir nesse. Ridículo. 

G is for Gravity: bobo, o cara vai surfar e morre afogado. O ponto positivo? É feito em POV (point of view, acho criativo isso, bem bacana, olhar "através" dos olhos da pessoa, só dá um pouco de dor de cabeça). 

H is for Hydro-Electric Diffusion: uma gata stripper (animal, mesmo) nazista tenta matar um cachorro da União Soviética. É uma "animação", bem feita até!

K is for Klutz: é um desenho (mesmo) de um cocô (!) que quer voltar pro lugar de onde saiu da mulher. Engraçado, ri horrores. 

M is for Miscarriage: (aborto espontâneo) é do norte americano, que colaborou com Cabin Fever 2 e com V/H/S também, Ti West. Sem dúvida o mais minimalista e tenso de todos. Uma mulher levanta da privada e não consegue "empurrar" o que saiu pela descarga. Aí ela vai atrás de um desentupidor e, quando acha, finalmente é revelado o que tem na privada: um feto. Assustador. 

X is for XXL: (tamanho GG de roupa, sabe?) CRIATIVÍSSIMO, mostra a obrigatoriedade dos estereótipos físicos sobre uma pessoa "feia". O filme é do francês Xavier Gens e mostra uma mulher acima do peso andando pela cidade e sofrendo horrores de bullying. Ao mesmo tempo, propagandas e cartazes por todos os lados mostram uma modelo esbanjando beleza; a mulher chega então em casa e começa a cortar todas as partes do seu corpo para poder alterar a silhueta. 

Como dito, alguns valem a pena, outros, só pra rir mesmo. AH, esqueci de mencionar, T is for Toilet tem uma privada assassina e um final que mostra como qualquer bobeira pode nos matar. Interessante, e o diretor é famosinho, Lee Hardclastle, trabalha com claymation (animações de massinha). Taí pra quem gosta de filme de terror. AH! No finalzinho do filme (que é de 2012, esqueci de mencionar), afirmam que em 2014 teremos um novo ABC da morte. Aguardaremos. 





30 de outubro de 2012

Cinema Alternativo | Lola Versus

Não sei vocês, mas eu estou naquela fase de mudanças. De lugares, rotinas, trabalhos. Parece que no mundo contemporâneo as pessoas necessitam da constante transformação de sua personalidade e de suas atividades. O filme ‘Lola Versus’ tenta mostrar esse desejo do ser humano de mudar ou, às vezes, como o universo os obriga a se modificarem.

Lola (Greta Gerwig) tem aquele sonho burguês de casar, formar uma família e morrer juntinho com seu marido. No entanto, com as pressões do matrimônio, seu noivo Luke (Joel Kinnaman) decide terminar com a relação e Lola vê seu mundo desmoronar. O maior problema é que, ao contrário de Luke, ela percebeu que nunca fez nada em sua vida e que sempre montou em sua mente a promessa do casamento não concretizado.




‘Lola Versus’ tentar romper com as amarras da sociedade e libertar as mulheres e, principalmente, a protagonista do machismo, quando a mesma faz sexo com vários homens e os renega no dia seguinte da transa. Apesar dessa tentativa, o longa-metragem procura essa independência feminina no lugar errado. Culpar o homem pelo fracasso de uma mulher não é o melhor caminho, pois acaba reforçando o feminismo fundamentalista e contradiz com a ideia de que ‘as mulheres não precisam dos homens para nada’. Precisam sim, assim como o sexo masculino necessita delas.

Os roteiristas Daryl Wein e Zoe Lister Jones infantilizaram demais a trama. Sugerir que a vida só está relacionada ao amor e não ao sucesso profissional, torna o filme cansativo e sem nenhuma expectativa. O que parece é que Lola está versus Lola e nada mais.



28 de outubro de 2012

Crítica | Polsdon/Shelter



Da Bulgária o berço da miscigenação do Oriente e Ocidente, centro da planície da Bálcãs e uma dos antigos satélite do extinto Pacto de Varsóvia. Essa região um tanto destoada da Europa Central tem  mostrado produções diferenciadas no âmbito cinematográfico. Dragomir Sholev cineasta Búlgaro ficou conhecido por escritor-diretor pois além de estar convergindo entre essas áreas foi autor de uma das obras que deram um destaque para seu  país.


O título da obra, "Shelter" dirigido por Dragomir em 2010, mostra-se uma obra diferente das produções do que é conhecido por Indústria Cultural do cinema. "Shelter" é uma ficção que debate as diferenças de idade na Bulgária onde um menino de 12 anos que se autodefine como um neopunk enfrenta o conservadorismo de seus pais em relação a seu grupo. O talento de Dragomir aparece em trechos do filme com um sinal perceptivo, ele defronta as ideias pela faixa etária em um jantar onde menino leva seus amigos para casa e os mesmos são expulsos por uma ato de raiva do pai que não aceite a nova fase de seu filho. "Shelter" é quase um estudo etnográfico social a partir dos comportamentos e com as falas dos personagens moldamos instintos diferentes para cada faixa etária. 

"Shelter" usa da cenas como se fosse em um teatro pois é majoritariamente realizado por grandes planos sequencias habilidade de Dragomir vinda do teatro. O filme tem esse aspecto de uma encenação e as sequencias são sutis e agradáveis fora da nostalgia que a realidade nos apresenta. "Shelter" não é apenas uma obra com tom antropológico mas é uma mistura de documental e teatro não como uma teledramaturgia barata, mas seu apoio em cenas do cotidiano da realidade e que fazem poesia na obra. Em um movimento talvez forçado mas Dragomir permite ao espectador ter a mesma sensação que Hal Haltley nos leva em "Confissões de Henry Fool", onde a realidade constroem-se de forma poética na tela.

23 de outubro de 2012

Crítica | On The Road


“Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas pra viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam…”


Foi Jack Kerouac, com seu livro ‘On The Road’, que me mostrou o universo do beat, uma geração embalada pela batida agitada do jazz e a nostalgia do blues, que estava sempre querendo mais – loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos (trecho famoso do livro). Assim como Allen Ginsberg em seu polêmico livro O Uivo (1956), Kerouac consegue transmitir toda a inquietação da juventude norte-americana dos anos 50, que nada se parecia com o American Way of Life.

Essa liberação sexual, o uso de drogas alucinógenas na busca do autoconhecimento, a rejeição ao materialismo e ao capitalismo fortemente arraigado na cultura estadunidense, mudou a vida de muitas pessoas ilustres, como Jim Morrison, Johnny Depp (que sempre sonhou em interpretar Dean Moriarty, o protagonista de Kerouac), Bob Dylan, Francis Ford Coppola e o diretor brasileiro, Walter Salles.

A versão cinematográfica de ‘On The Road’ ficou por anos engavetada por Coppola, que escolheu Salles pessoalmente para dirigir o longa-metragem. O cineasta brasileiro é um exemplo de direção documental no estilo road movies, gênero que ele já utilizou várias vezes nos sucessos ‘Central do Brasil – que rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz à Fernanda Montenegro – e ‘Diários de Motocicleta’.

Adaptação fiel e inspirada/inspiradora, o filme captura a essência do vagabundo Dean Moriarty (Garret Hedlund) e como ele mudou a direção da vida de Sal Paradise (Sam Riley). O roteiro partiu do manuscrito original – divulgado apenas em 2007 – que era considerado impublicável, devido o seu conteúdo explícito e sua tentativa de vivenciar o que realmente Kerouac quis mostrar em seu livro. Assim, da edição de 1957, poucas coisas foram mudadas, como por exemplo, a denominação dada aos personagens – que antes obtinham os nomes reais: Sal Paradise/Jack Kerouac, Marylou/Luanne Henderson, Dean Moriarty/Neal Cassady, Terry/Bea Franco, Old Bull Lee/William S. Burroughs, Camille/Carolyn Cassady, Jane/Joan Vollmer e Carlo Marx/Allen Ginsberg. Essa escolha ocorreu, pois Kerouac conseguiu trazer muito mais fantasia à realidade em que vivia.

O roteirista Jose Rivera (Diários de Motocicleta) e Salles fizeram as mudanças necessárias para que o filme fosse fiel ao livro, porém prendesse a atenção do público, que em alguns momentos sente melancolia ao perceber a luta de Sal/Kerouac contra a religiosidade e a sexualidade reprimida.

Quem viu Kristen Stewart como a sem-sal Bella Swan em Crepúsculo, com certeza se surpreendeu ao ver sua interpretação como a destemida, sensual/sexual e sempre com tesão Marylou. A energia de vestir um personagem tão forte e respeitar as características da pessoa, presente no livro, é a melhor definição do papel de Stewart no filme. A montagem de Dean Moriarty, desde sua primeira cena nu até o sexo homossexual, foi muito bem interpretada por Garret Hedlund, que trouxe mais sensibilidade a um personagem citado como louco no livro, mas que possui incertezas e sentimentos sombrios.

Se em alguns momentos o espectador sente monotonia com as idas e vindas pelas estradas norte-americanas, o francês Eric Gautier (Na Natureza Selvagem, Diários de Motocicleta) prende sua atenção com uma fotografia bela e muito bem feita. A trilha sonora também anima as pessoas nas salas de cinema, com canções e melodias que faziam parte do cotidiano dos boêmios da geração beat, como o jazz e o blues.


‘On The Road’ ultrapassa a barreira do longa-metragem hollywoodiano e chega ao documentário, onde Salles soube muito bem dirigir e transportar o espectador para a vida dos maiores artistas de uma geração esquecida pela maioria.

18 de setembro de 2012

Crítica | Like Crazy



Em tempos de globalização, nada mais justo que um amor à distância, certo? Errado. Nem mesmo os dispositivos eletrônicos, as maiores juras de fidelidade ou até mesmo o custo baixo das passagens pode carregar anos de vivência, aqueles que apenas um sentimento em presença podem lhe dar. Carregado de drama, porém recheado de amor e realidade, o filme ‘Like Crazy’ faz o que ‘Amor à Distância’ não consegue, ele mostra como é amar sem barreiras, porém descobri-las quando não há mais tempo de as esquecer. Esquecer o sentimento. Esquecer a saudade. Esquecer o querer. Esquecer o precisar. Esquecer como louco.

Diferente dos filmes clássicos de romance/drama, ‘Like Crazy’ não faz um relato cronológico de um casal com todos os seus ‘primeiros’: encontro, beijo, sexo, briga e reconciliação. Ele mostra quantas vezes um casal pode se apaixonar (antes, depois ou durante a relação). Essa edição, além de inovadora para um gênero tão batido, consegue trazer duas sensações aos espectadores: o doce e o amargo. No primeiro momento, quando Anna (Felicity Jones), uma estudante britânica, e Jacob (Anton Yelchin), um norte-americano, se veem já se inicia a troca de olhares, os lábios mordidos e os sorrisos bobos. Quando são separados por um oceano, começa o azedume a correr no peito dos apaixonados, entregando o que a distância antes não proporcionava ao casal: a paciência.


“Eu sabia que não era legal, que era perda de tempo, que acreditava na ideia de você e eu” (trecho da poesia de Anna)


Durante o longa-metragem, tanto Anna, quanto Jacob, tenta seguir a vida após a separação. Porém, a cadeira (que ele construiu para ela) sempre está ao lado da mesa e a pulseira (que ele deu a ela) sempre presa ao pulso. Essa é outra característica interessante do filme, pois mostra que alguns objetos carregam o amor que não pode ser transportado pelo avião, tanto nos filmes quanto na vida real.


Interpretado de forma magistral por Felicity Jones e Anton Yelchin, ‘Like Crazy’ não segue normas, nem padrões, apenas acompanha o fluxo de um amor à distância, onde não há pessoas más, somente relações humanas. Até nos momentos de ‘traição’ não é possível sentir raiva de qualquer personagem, pois é passível de perdão esse sentimento de ‘preencher o espaço vazio da distância’. Premiado no Festival de Sundance, o filme consegue falar de amor de uma maneira simples e delicada, algo que não é muito visto ultimamente nas telas dos cinemas, às vezes nem na realidade.

8 de agosto de 2012

Alternativo I Tudo Sobre Minha Mãe


Feminilidade, maternidade, lembranças, aliás, mais que isso, o filme de 1999, de Pedro Almodóvar, “Tudo sobre a minha mãe”, fala sobre gênero e amor.

Repleto de cores fortes e fotografia marcante, a película se passa em Barcelona, Espanha, com o retorno de Manuela (Cecilia Roth, uma das musas de Almodóvar). Logo no início, um personagem memorável, daquele tipo que você chora de orgulho, Agrado (Antonia San Juan, ‘La Chica’, 2005), cujo maior desejo da vida é “agradar a todos” é apresentado, sendo “salvo” da agressão física pela amiga Manuela a qual não via há 18 anos, além de Agrado, nos é apresentado também, Lola. Lola é definida como “um machista com tetas”, é aquele tipo de “pessoa-furação”, vem, vê, vence (destrói tudo) e some. Lola, Agrado e Manuela se conhecem dos velhos tempos, desde o começo da “carreira” de Agrado e Lola na prostituição.

A última pessoa a ver Lola pela cidade, foi Rosa (Pernélope Cruz, ‘Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas’, 2011), uma assistente social meio esquisita que acabou grávida, esse não é um personagem muito definido, ela não se decide se é infantil ou madura, e isso me incomodou um pouco. Um personagem muito forte, é Huma Rojo (Marisa Parede, ‘El espinazo del diablo’, 2002), uma atriz de teatro, que interpreta Blanche, na peça “Um Bonde Chamado Desejo”, detalhe fundamental no filme, tanto pelo enredo, quanto pela densidade e intertextualidade.

Manuela, após chegar a Barcelona, para contar uma notícia desagradável para Lola, acaba trabalhando como assistente de Huma, que com o desenrolar da história, descobre-se parte da vida de Manuela. Eu realmente não quero entrar em detalhes da trama do filme, é uma boa trama, não consideraria um drama, por ser extremamente real, palpável, deixo o enredo a ser desvendado por vocês, e juro, é uma bela história de amor.

É um ótimo “documentário”, uma película sensível (típica de Almodóvar), sobre amor e gênero, deixa claro que todos podem ser amados por uma mãe, seja ela mulher ou homem, biológico ou sentimental, não dando relevância ao sexo, mas sim ao sentimento de ser mulher e saber amar.

E eu aprendi a amar Almodóvar. 

3 de agosto de 2012

Critica I Factory Girl

Conhecido como o guru da Pop Art, Andy Wahrol foi representado em últimos filmes biográficos, mais como um empresário do que como artista. Desta vez não é uma defesa a Andy Wahrol, pois o único objetivo do artista era simplesmente obter fama e dinheiro, não importava a que custo. O que me deixou intrigado entre essa ligação do personagem Andy Wahrol é que ele sempre é conotado como um vilão e manipulador, um usurpador da crença artística de seus circulo de amigos.

Da pesquisa de filmes que encontrei sobre o personagem, encontrei 4 deles sendo duas tramas biográficas (Uma de Valerie Solanos com o filme "I Shot Andy Wahrol" - Um tiro para Andy Wahrol, 1996, outro  sobre a vida de Edie Siedgwick com "Factory Girl" - Garota Irresistível, 2007). As outras duas obras são documentários, um sobre a vida de Wahrol,  e outro foi uma pesquisa com os familiares de Wahrol na Eslováquia. 

Gostaria de deixar claro que o filme analisei foi "Factory Girl", é importante usar o título original porque ele mostra o objetivo do filme, que foi a amizade de Edie e Wahrol em seu estúdio. A "Factory" foi o local de trabalho de Wahrol em Nova York. "Factory Girl" dirigido por George Hickenlooper mostra como foi a aproximação da socialite estadunidense Edie Siedwick de Wahrol. E o declínio da artista após o vicio nas drogas e a sua morte. Qualquer espectador curioso, pode procurar sobre Edie e vai denotar uma semelhança surpreendente entre a protagonista, Siena Miller, com a biografada. 

A "Factory Girl", é um filme extremamente melódico, no entanto acaba por agradar por sua fugacidade através das paixões de Edie. Longe do "formatão" Hollywood, apesar de ser uma produção de Hollywood, o filme não tem essa aproximação estética dos travelings, close, detalhes da linguagem cinematográfica do polo da indústria cinematográfica dos EUA. Ao contrário a câmera fixa parecida com a estética vanguardista russa é mais próxima do filme de George. O uso de imagens inadequadas (fora de foco, mal enquadradas) são estratégias para mostrar a mudança de Edie durante os anos. 

George Hickenlooper
Uma coisa comum nos filmes sobre os anos de ouro para Wahrol, foi que a maior parte de suas inspirações do público feminino foi posteriormente suas rivais. Não só Edie, mas Valerie Solanos e Yayoi Kusama (artista plástica japonesa) são exemplos de artista usurpados por Wahrol. Ao fim do "Factory Girl", Andy aparece comentando sobre a morte de Edie no padrão de entrevista em plano médio de documentário, e fica o gosto de vingança, em pular na tela do cinema para enforcar Andy. O filme alcança sua transfusão de sensações da década de 60 para a tela e mostra a chagada do movimento da contracultura nos EUA.

Obs: O personagem de Danny Quim (Hayden Cristensen) existem rumores de que é um personagem fictício de Bob Dylan que teria um suposto affair com Edie. 



20 de junho de 2012

Cinema Alternativo | Drive




Conceituado como o filme noir cult de 2012, “Drive” do dinamarquês Nicolas Winding Refn, marca a volta de filmes policiais no estilo “On the Road” (estilo cinematográfico de um mistura de cenas de direção ou viagens de carro) marcado por autores como Win Wenders e Walter Salles. este texto está catalogado como cinema alternativo, julgo um conteúdo alternativo não apenas fora do padrão comercial. "Drive" não me surpreende como obra mas leva a reflexão dessa nostalgia causada pelos velhos filmes policiais (noir) e western estadunidense. Refn destoa o papel do piloto em dois pontos extremos da vida a violência e a ternura. Em uma das cenas mais marcantes do filme e quando encontram-se o piloto, um dos matadores da mafia e Irene. De um instante de um beijo vagaroso e apaixonante a cena segue com repulso de violência do motorista contra o matador. Nessa cena está claro o rastro tênue em que Refn deixa no filme. Muitos dos cinéfilos provavelmente podem perceber um analogia ao clássico de Martin Scorsese “Taxi Driver” de 1976, talvez as cenas de violência possam compensar essa semalhança, porém os personagens principais em uma medida estão muito distanciados isso por Travis Bickle o taxista do clássico de Scorsese, tem um estilo menos conservador e mais apoiado em uma pureza e limpeza da cidade , enquanto Ryan Gosling apenas quer uma saída para a caos em que ele foi submetido. Bom proveito a todos que perderam parte do seu tempo lendo esse texto, que insiste em se disfarçar de crítica.
A trama desenrola sobre a vida do piloto sem  nome interpretado por  Ryan Gosling, que atua como mecânico e dublê de filmes de ação em Hollywood de dia, e noite participa de serviços sujos como roubo e assaltos para a mafia.

A intenção de “Drive” e possibilitar a marca de um personagem, percebe-se isso com as altas doses de violências que o filme segue e a sutileza em detalhes do piloto que são colocadas entre as cenas de ação. A marca do piloto é usar uma jaqueta branca com um escorpião desenhado nas costas. A linearidade do filme rompe quando o piloto começa a manter contado com sua vizinha Irene (Carey Mulligan) e seu filho, fruto do casamento com o ladrão que deve dinheiro a máfia. O piloto contrasta muito entre as cenas de ação e amor. 


Cinema Alternativo | 3 mietros sobre el cielo

Domingo por si só já é um dia deprimente. Ainda mais quando chove, o tempo está propício para ficar de baixo das cobertas com pipoca, brigadeiro e um bom filme de romance. Foi assim que me deparei com o longa “Paixão sem limites”, conhecido em espanhol como “Tres metros sobre el cielo”. Confesso que entortei um pouco o nariz quando vi que o filme não era muito conhecido por aqui, mas resolvi dar uma chance e quer saber? Não me arrependi, nem um pouco. Eu sei o que vocês devem pensar, lá vem a Diandra Nunes com mais um desses filmes “água com açúcar” que ninguém suporta mais. Entretanto, eu garanto para vocês que não vão se arrepender. Então vai lá.
Não é muito difícil adivinhar o enredo não é? A garota da alta sociedade, uma filha que todo pai sonha em ter: linda, estudiosa, obediente e que sempre segue as regras à risca. Se apaixona pelo cara, que nem um pai no mundo deseja ter como genro. O protagonista chamado “Hace”, mas também conhecido por “H” (a pronuncia fica mais charmosa em espanhol) e interpretado por Mario Casas, é um rebelde nato, que está metido em todos os tipos de confusão que você puder imaginar, inclusive participa de corridas ilegais de moto.
E daí o que tem de diferente nesta história? A verdade é que tanto a personagem Babi (Maria Valverde) e Hace, consegue despertar emoções diferentes durante o filme inteiro. O enredo te prende uma forma que quando você se dá conta, já terminou. E sabe por que? Porque nos lembra daquele amor antigo da escola. Daquele garoto chato que ficava puxando o seu cabelo ou daquela patricinha mimada e sem noção. Depois que você cresce e começa assumir grandes responsabilidades, não consegue encarar o amor de um jeito tão juvenil. Ao assistir “Paixão sem limites”, dá vontade de se apaixonar de novo, de voltar a ser adolescente.
Por isso que a trilha sonora do filme não poderia ser outra do que “ Forever Youg”. Porque é na adolescência em que estamos descobrindo o mundo, vivemos tudo com muita intensidade e é por isso que existem momentos que vão marcar o resto da nossa existência, como o primeiro amor, as amizades que fizemos, os erros que cometemos. É sobre isso que o filme “Paixão sem limites” quer falar.
Entretanto, o filme é muito mais que apenas romance, ele também discute um tema importante que são os conhecidos “rachas”, uma atividade perigosa e que é muito popular entre os jovens, principalmente aqueles que buscam viver perigosamente. O filme se torna também um alerta sobre como os adolescentes utilizam sua liberdade. E principalmente nas consequências que isso acarreta.
Em certa parte do filme, “Hace” diz que tudo tem o fim, e esse é o grande diferencial do filme. Porque o casal principal não fica junto como em todas as outras comédias românticas, e deve ser por isso que ele se aproxima tanto do real. Porque nem todos os relacionamentos são perfeitos e acabam em finais felizes. E quando eles acabam você deve encontrar um jeito de seguir em frente. São 118 minutos de filme que valem a pena serem vistos até o final.
(Ok, não falei nada sobre os aspectos técnicos, mas o filme foi produzido na Espanha com a direção de Fernando González Molina. Uma coisa bem irritante é que tem anuncio da coca-cola durante o longa inteiro, mas o enredo não te deixa desistir. Sei que muita gente vai reclamar do final ou não vai entender. MAS NÃO SE PREOCUPEM. A continuação sai agora dia 22 de junho/2012)

13 de junho de 2012

Alternativo I Precisamos falar sobre o Kevin (2)


Aos poucos o filme mostra com sutileza que nasce um psicopata. Para alguns críticos “Precisamos falar sobre Kevin” (2012) é uma receita de um filme como algo inadaptável. Em muitas vezes penso que sou um critico duro por minha falta de elogia aos filmes, pois mesmo sendo um modelo hollywoodiano ou bollywoodiano o filme teve todo um planejamento e trabalha para ser realizado. No entanto tenho que admitir que me surpreendi com este filme.

Talvez essa linha tênue de ironia e crueldade que o filme passa é o que encanta o espectador (falo pela minha experiência ao assistir a obra). Kevin (Jasper Newell) o protagonista, ou melhor, o antagonista da trama e filho de Eva (Tilda Swinton) com Franklin (John K Reily). Depois de uma vida de aventureira Eva se apaixona por Franklin. O casal parece ter todo o jeito de uma família tradicional. No entanto o que o filme tenta passar características e comportamentos de jovens e adolescentes com o potencial de se tornar um psicopata.

O filme e baseado no livro homônimo de Lionel Shriver de 2007. Para a construção da história a autora pesquisou dezenas de casos de tragédia realizados por psicopatas. Com uma visão mais ampla a diretora do filme Lynne Rhamsay criou a história com um modelo de filmagem de quebra da linha do tempo, utilizado em filmes goddarnianos e posteriormente da new hollywwod (pós- Tarantino). Essa técnica de flashbacks acusa após poucos o comportamento de Kevin.

E a pergunta continua se foi possível sentir a história do livro no filme. Acredito que a tentativa de uma quebra de tempo no filme não é a mesma do livro, porém da mesma forma passa a sensação de personalidade e com enquadramentos fechados e closed Lynne mostra sua tradição televisa, mas tem a utilidade em mostrar detalhes e objetos que indicam tudo sobre Kevin.


11 de maio de 2012

Cinema Alternativo | Medo e Delírio em Las Vegas




'
"I'm a Doctor of Journalism! This is important, goddammit! This is a fucking true story!''.
       

          Sinceramente, escolher uma citação para abrir esse texto foi sofrível. O filme é uma coletânea delas, uma mais incrivelmente genial e absurdamente demente do que a outra.
           
            Explico.
      ''Medo e Delírio em Las Vegas'' é baseado em um livro homônimo, escrito pelo precursor do Gonzo jornalismo Hunter S.Thompson. 







            And there goes a little background. 


Gonzo é um estilo de jornalismo no qual o jornalista esquece completamente qualquer objetividade e mergulha apaixonadamente no acontecimento e interfere nele. É espontâneo, subjetivo e parcial. O termo ''gonzo'' supostamente se refere a uma gíria irlandesa que designa '' o último homem de pé após uma maratona de bebedeira'' (fonte: Wikipédia).

            ''Medo e Delírio em Las Vegas'' é considerado o texto gonzo por excelência, Thompson escreveu-o baseado em experiências suas, tendo como protagonista o jornalista Raoul Duke, nada mais que uma representação do próprio autor.   O livro todo é contado em primeira pessoa.

De volta ao filme.

Seguindo o conceito do livro, o filme inteiro é narrado, em primeira pessoa, pelo protagonista, uma figura tão insana quanto o filme em si. Aliás, representada magistralmente por um dos mestres da insanidade cinematográfica atual, Johnny Depp.



A trama não é exatamente linear. O filme já começa na estrada (calma, já explico), mas a história começa com nosso anti-herói bêbado e drogado, junto de seu advogado samoano (Benicio Del Toro), perto da piscina de um hotel. De repente surge um anão de terno carregando um telefone cor de rosa e dizendo que o senhor Raoul Duke tinha uma ligação. Era trabalho, o jornalista deveria cobrir o Mint 400, uma corrida no deserto ao lado de Las Vegas.

Importante citar que o protagonista é um sobrevivente da década de 60. Um remanescente da cultura do ácido que vê nessa cobertura a chance de fazer ''Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano'' (por acaso, esse é o subtítulo do livro). Assim, jornalista e respectivo advogado alugam um conversível vermelho, enchem ele de drogas pesadas e bebida e pegam a estrada, rumo a Las Vegas.

 A insanidade da viagem é absurda. Eles vão a extremos inimagináveis e muita coisa acontece naqueles dias, sendo que uma das menos relevantes é a corrida. O filme é repleto de referências à cultura das drogas e a vida da época. Tudo é exagerado, caricato até, e os enquadramentos de câmera alimentam a ideia de insanidade, detonando a mente do espectador.

É, enfim, um filme estranho, que representa a estranheza de uma época. Representa o que sobrou de uma geração inteira, amante da liberdade extrema. E representa, por fim, uma mostra dos extremos que o homem pode alcançar.

Vale a pena para quem conhece um pouco da história e está disposto a mergulhar nesse mundo por 118 insanos minutos. Só há de se lamentar que o filme não tenha sido capaz de captar toda a essência do livro e deixa muita coisa mal explicada, tornando-se,  por vezes, um tanto cansativo. Ainda assim, rende várias risadas e muito no que pensar. Recomendo.

25 de abril de 2012

Critica | Quando a verdade parece ilusão


Documentário que mistura a ficção com a realidade. Não pensado o termo ficção como aqueles cenas curtas de estúdio feitas com o objetivo didático de conseguir mostrar ao espectador como os fatos ocorreram. Nesse caso exponho uma idéia de ficção de criar os fatos a partir de reações que os setores sociais tomam.
Essa idéia desmistifica o termo “falso documentário”, pois quando se cria os acontecimentos e arte da ilusão que age. Com essa discussão temos um problema para classificar o filme “I’m Still Here” (Ainda estou aqui. 2010) filme de Casey Aflleck que explora a vida do ator Joaquim Phoenix, em sua suposta aposentaria do cinema e o ingresso na carreira de rapper. O projeto de Phoenix e Aflleck foi ousado, mas trouxe vários resultados para eles. Em primeiro lugar quero destacar que a linguagem do filme em no formato de documentário inclusive com filmagens de jornalistas que entrevistam Phoenix e do encontro com seus fãs.
O filme até foi muito esperado pela crítica e pelos fãs de Phoenix, no entanto quero destacar um artigo de Carlos Merigo “I’m Still Here: O ano perdido de Joaquim Phoenix”  que ele não faz nenhum julgamento de valor sobre o filme, mas o título e sugestivo a pensar que fora de Hollywood surge um clima de decepção com o ator. No entanto isso tornou-se o projeto mais ousado de Phoenix. Em entrevista no Festival de Veneza de 2010, o diretor Casey Aflleck assumiu que tudo não passava de apenas um papel de Phoenix, e declarou que a função filme era expor todas as faces de Phoenix.
Postei nessa sessão “I’m Still Here” por acreditar ser inovador que é uma das características de um filme independente, mas concordo que esse filme em questão de orçamento seja discutível sua classificação como independente. Porém é um filme totalmente fora do modelo que se apresenta nas indústrias cinematográficas. O que Phoenix tenta no filme foi mostrar como a mídia hostiliza os astros, e inclusive o filme conta com uma das entrevistas mais duvidosas do programa de David Letterman que havia convidado Phoenix durante a produção do filme, Letterman assume que nunca combinou algo nas entrevistas, mas para muitos fãs a entrevista parece montada.
O que o filme talvez pretenda é passar como a mídia é persuadida e persegue os atores que circulam no meio, sendo assim um setor cruel da sociedade. Para muitos pode ser um tempo perdido o filme como essa crítica, porém é uma referência contemporânea e até corajosa de encarar a mídia como também mostrar um novo projeto de filme a partir da linguagem de ficção. Mesmo montado ainda vale nosso voto de inovador.

3 de abril de 2012

Cine Alternativo | Tomboy


Tudo começa com o título: “Tomboy”, que no início do filme é colorido de vermelho e azul, cores que, respectivamente, remetem a masculinidade e feminilidade. Já o significado da palavra é que mais impressiona. “Tomboy” remete a ligação menina-menino (um garoto que age de forma masculinizada).

A homossexualidade já foi retratada no cinema de forma exagerada (Gaiola das Loucas) e com uma abordagem mais séria (Minhas Mães e Meu Pai). No entanto, nunca pintada de maneira reflexiva como “Tomboy”, da diretora francesa Celine Sciamma.

O filme mostra Laure (Zoé Héran), uma pré-adolescente que se muda para uma nova cidade com sua família. Na esperança de fazer novos amigos, Laure conhece Lisa (Jeanne Disson) e não hesita ao responder que seu nome é Michaël, pois ela já se sentia como tal.

Como tem apenas doze anos e não desenvolveu curvas femininas, Laure passava facilmente por um menino. Até para o expectador, a sexualidade da criança era questionada. A resposta chega em uma cena simples e direta: um rápido banho, em que o corpo da protagonista é revelado. Com cabelos curtos e roupas do vestuário masculino, Laure jogava futebol, brigava com os outros garotos e conquistava até um coração: o de Lisa que, em seu amor infantil e sincero, achava-“o” diferente dos outros.

Como uma brincadeira, Laure vive essa vida dúbia até o fim das férias, evitando que sua família e novos amigos descubram a farsa. O que mais encanta na história é que apesar de sua irmã mais nova, Jeanne (Malonn Lévana), desvendar o jogo de Laure, nada é contado. Com esta pureza e inocência, as quais, ainda, não foram bombardeadas pelos sentimentos de preconceito e ódio, Jeanne defende a irmã mais velha.

A trama ainda problematiza a falta de instrução dos pais quando descobrem que seu filho é homossexual. Para a mãe de Laure, não era um problema que ela se vestisse como um menino, a queixa centralizava-se na vergonha de ter um filho gay, que realmente gosta-se de pessoas do mesmo gênero.

De forma naturalista, “Tomboy” retrata como é ser uma pessoa em transformação, com desejos e conflitos internos. O ponto principal do longa é a não retratação da sexualidade como fator principal para um ser humano ser homossexual. “Tomboy” emociona por dizer que acima disto, há o amor e a cumplicidade entre duas pessoas do mesmo sexo.

28 de março de 2012

Cine Alternativo | Balada do Amor e do Ódio

 Tivemos quebra-pau na redação ontem e não pudemos postar. MENTIRA GENTE, só tivemos problemas com nosso curso. Enfim! Cinema alternativo! O filme de hoje - Balada Triste de Trompeta - é espanhol, e foi dirigido e produzido pelo diretor Álex de la Iglesia, também responsável pelo thriller/comédia Crime Ferpecto (não, eu não errei as letras). 

A própria sinopse do filme não consegue sequer se aproximar de sua proposta. Para começar, é importante dividir o filme em três fases, a infância, a adolescência e a fase adulta do protagonista Javier. Durante a guerra civil espanhola (1936), o jovem Javier, filho de um palhaço, é fascinado pelo trabalho do pai, até o momento em que militares invadem um espetáculo para obrigar todos os homens presentes a lutar. Para poder proteger as crianças e as mulheres presentes, os homens se dispõem a ajudar. Ocorre então uma cena que eu jamais tinha visto em qualquer outro filme: homens, vestidos de palhaços, em meio a um cenário de guerra. O cenário, a tensão e a emoção da cena é fascinante. O pai de Javier luta bravamente munido de um facão (tipo do Jason, sabe?) até ser preso pelo exército, deixando Javier sozinho

Alguns anos depois o pai de Javier, ainda preso, trabalhando em uma mina, pede para que ele se vingue de quem lhe causou sofrimento. Javier o faz, explodindo a mina onde seu pai trabalhava, fato que levou o Coronel Salcedo a matá-lo. Revoltado, Javier fura o olho do coronel e foge. Consumido pela tristeza e amargura de toda sua infância e adolescência, observamos sua transição e sua entrada para um novo circo, com o papel de palhaço triste. É característico o estereótipo de cada palhaço nos circos espanhóis (o triste, o esperto, o bobo etc.). 

No novo circo, Javier se apaixona por Natália - a belíssima Carolina Bang - noiva do popular palhaço bobo, que é um machista, grosso, possessivo e agressivo. Em mais um ápice de drama, os dois palhaços passam a disputar a atenção de Natália até que Javier, consumido pela humilhação, deforma o rosto do palhaço bobo, Sérgio. Durante sua fuga, é capturado pelo exército que havia prendido seu pai e passa a ser tratado como cão por vingança da parte do coronel cujo olho havia furado. 

Em três parágrafos mostrei quatro ápices do mesmo filme, fato que, normalmente, cansaria qualquer espectador, no entanto, a quantidade de tramas de cada situação, que envolve drama, suspense e apesar de tudo, comédia, é muito bem arquitetada. O filme é, de certa forma, perturbador, caótico, poderíamos dizer. Acompanhar a trajetória de má sorte de Javier gera uma crescente curiosidade em todos nós. 

Ao final do filme, observamos então o momento mais bizarro. Javier enlouquece de verdade e passa a ser o "palhaço vingador". Cria uma imagem de palhaço utilizando ferramentas que ficam dentro de seu cativeiro, deformando seu rosto de forma assombrosa, foge e vai em busca de Natália, gerando um desfecho inimaginável para um filme assim. 

Sabe aquele filme que não faz parte do seu "tipo"? Pode não ser esse, mas sem dúvida faz parte de um dos filmes mais criativos e diferentes que já vi. A loucura, o amor, a raiva e todos os sentimentos possíveis são expressos pelos principais personagens da história. O destaque, logicamente, vai para Carlos Arceres, que interpreta Javier. As cenas e diálogos entre ele e Sérgio, assim como as discussões sobre Natália possuem uma profundidade sentimental que, se não bem examinada, pode até destoar do filme. A Balada do Amor e do Ódio é para sorrir. E para chorar. 

20 de março de 2012

Cine Alternativo | De tanto bater, meu coração parou

 De battre mon coeur s'est arrêté é um filme que retrata o conflito interno no sentido mais profundo de um indivíduo, assim como de cada um de nós: quem queremos ser e quem a sociedade nos leva a ser. Muitas vezes nos deparamos em um ponto de nossas vidas e, ao olharmos para trás, vemos que estamos muito distantes de onde pretendíamos estar naquele momento. 

O protagonista, Tom, é um agressivo agente imobiliário, que quebra tudo para expulsar as pessoas que habitam os locais vazios que ele e seus sócios adquirem para vender. Dentro dessa agressão, o roteiro mostra  todo o contexto conturbado que o levou àquele ponto. Seu pai trata-se de um charlatão aproveitador, suas companhias são ruins, e, nas cenas que se seguem, o agressivo se mostra na realidade amargurado. 

Encontramos então o motivo de tal amargura quando contextualizada sua história. Tom queria seguir o caminho de sua mãe, e ser pianista, no entanto, com seu falecimento, e sem apoio do pai, o jovem passou a fechar-se e, aos poucos, esquecer quem realmente pretendia ser, tornando-se algo bruto. Bruto até o momento em que se encontra com um antigo empresário de sua mãe, e recebe o convite para realizar uma audição. 

Já sentiu o ar invadindo seus pulmões após um longo período mergulhado, e quão vivo isso faz com que você se sinta? Acompanhamos tal sentimento com o protagonista. Neste remake de um filme de 1978, é possível sentir o quebrar de correntes que o prenderam em um universo no qual não queria estar. Após isso, o problema com o qual ele se confronta é outro. Já ouviu falar que, se um elefante é criado com uma corrente, mesmo depois de grande e forte o suficiente para se soltar dela, ele nem ao menos tentará? Pois é. 

O mundo e sua vontade entram em um colapso perturbador, entre o eu em que ele havia se tornado e o eu que ele sentira perdido por um longo tempo. Sua paixão pelo piano se contrapõe à sua brutalidade física e emocional e sua luta interna é evidenciada em cada uma de suas ações, como se ambas fossem feitas com remorso ou dor. 

O filme não é TÃO atual, é francês, e foi produzido em 2005, pelo diretor Jacques Audiard. De battre mon coeur s'est arrêté ganhou o prémio César de melhor filme em 2006. O diretor, também responsável por Un Prophète, embora não tenha muitos produtos, é comentarista cinematográfico de longa data, o que o torna apto a trabalhar muito bem todos os aspectos audiovisuais do longa. 

O melhor do filme é não precisar chorar com a situação. Aliás, a atuação de Romain Duris foi muito adequada ao papel. O durão, solitário, quieto, que no entanto possui tantos sentimentos fortes dentro de si, que não sabe como expressá-los. Você se prende ao filme, à história, e quando percebe, está refletindo sobre sua própria vida. Afinal, quem de nós nunca se perguntou se estamos no lugar em que realmente deveríamos estar?

13 de março de 2012

Cine Alternativo| In search of a Midnight Kiss

O cinema independente tem uma relação muito tênue com a arte. Muitos cineastas e críticos adoram explorar a ideia do independente, como a obra que está em busca da “arte pela arte”. No entanto o filme que resolvi indicar e criticar não tem esse aspecto de uma linguagem cinematográfica densa e uma história melodramática, mas apenas algo fora do comum para os olhos do espectador. “À Procura de um beijo a meia noite” (In Search of A Midnight Kiss) de Alex Holdridge, é um filme que mostra o complexo da solidão de duas pessoas em pleno fim de ano novo, na capital dos filmes estadunidense, Los Angeles – EUA.

Essa obra tem um aspecto de pouca preocupação com a estética cinematográfica e não tenta experimentar enquadramentos e cenas mais pesadas para produções independentes, porém consegue satisfazer o leitor pela história problemática de Wilson (Scoot McNairy), um roteirista que foi abandonado pela namorada e não consegue se recuperar da separação.

O enredo perde a linearidade quando o amigo de Wilson, Jacob (Brian McGuire), ajuda Wilson a marcar um encontro nos sites de relacionamento. Desse modo que parece natural, Wilson encontra Vivian (Sara Simmonds), em um restaurante simples no dia 31 de dezembro. A partir das decepções e das aventuras que percorrem o dia de Wilson e Vivian, eles acabam por se completar. Sendo Wilson um escritor problemático e Vivian uma atriz sem sorte na carreira. O universo que penetra nos personagens procura a orientar quais as novos desejos dos personagens para o próximo ano. Em contraposição com as crenças populares, “À Procura de um beijo a meia noite” quer mostrar aos leitores que a vida e repleta de perdas e ganhos mas e com atitudes generosas e que passamos a nos valorizar.

Esta obra foge das comédias românticas hollywoodiana e passa ao leitor uma história de amor a partir de um conto solitário. Apesar da definição de que o filme não tem uma linguagem cinematográfica densa, algumas cenas foram filmadas em preto-branco aos moldes da cultura indie, fugindo da narrativa puramente racional, e aponta mais uma característica de filmes independentes atualmente.

7 de março de 2012

Você já viu um filme diferente hoje?

Na primeira coluna sobre o tema “Cinema Independente ou Alternativo” do ano, me coloquei a pensar o que o leitor gostaria de ler sobre o tema nessa coluna, mas, para a minha surpresa, foi realmente difícil pensar em algo propício para a primeira coluna do ano sobre um assunto não muito explorado.

Então, nesse espaço, irei fazer uma breve iniciação sobre o tema, sugerindo filmes para que possa sair um pouco da área comercial Hollywoodiana e desbravar outros modos de se fazer cinema pelo mundo. Consideramos nesse espaço não apenas aqueles filmes cuja sua produção não está vinculada a uma grande produtora, ideia básica de um filme independente, mas sim, filmes cuja a dificuldade de aproximar do público, principalmente brasileiro, impede uma competição com o mercado americano.

Um dos principais expoentes de produção cinematográfica é a França, palco de diversas produções artísticas, o país se destaca também na sétima arte. O jeito romantizado de algumas produções é contrastantemente influenciado pelas demais artes do país, mas ainda sim o cinema francês tem característica próximas a sua sociedade.

Enquanto os jovens manifestavam suas opiniões nas ruas, o cinema de Godard, movimento conhecido como “Nouvelle vague” era uma tansgressão as regras habituais e convencionadas aos longas da época. 
Godard, ícone francês
Recentemente o cinema francês apresentou alguns excelentes filmes, como Le fabuleux destin d'Amélie Poulain de Jean-Pierre Junet, entre outros.

O Cinema indiano geralmente está associado ao absurdo de algumas produções de Bollywood, principalmente em filmes de ação. Por causa do barateamento das obras, muitas vezes os filmes indianos são apresentados como produções ridículas, porém, o país é o que mais produz longas e tem alguns ótimos filmes e profissionais competentes na área.

O jogo de cores é um ponto predominante no cinema indiano, o uso de uma fotografia que contrasta todo o ambiente é utilizada amplamente pelos diretores, tal qual muitas cenas de dança, música e movimentos típicos. Uma coisa interessante a se notar do cinema indiano é que Bollywood é apenas um dos lugares de se produzir cinema no país, mas geralmente é colocado como todo o cinema indiano.

O Cinema Argentino é um dos principais da América Latina, talvez o mais elogiado. Algumas características dos filmes argentinos que apontam para essa qualidade é o realismo das produções. Outros lugares interessantes que tem um cinema forte e com uma produção constante são: Irã, Japão, Espanha, México, Chile, Russo e Chinês

2 de dezembro de 2011

Crítica | Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto



“Vocês todos parecem farinha do mesmo saco”, frase dita por Andrew Hanson (Philip Seymour Hoffman), o protagonista do filme “Antes que o diabo saiba que você está morto” obra do diretor estadunidense Sidney Lumet. O filme conta a história do assalto dos irmãos Andrew Hanson e Hank Hanson (Ethan Hawke), à joalheria dos próprios pais, porém o que acontece e que Nanette Hanson (Rosemary Harris), a mãe de Andrew um executivo viciado em drogas e de Hank um homem que não consegue pagar a pensão da própria filha, é ferida durante o assalto a joalheria.

“Antes que o diabo saiba que você está morto” encerra o ciclo de filmes do projeto Tela Alternativa, mas não significa que acaba as críticas acabam por aqui, pois utilizaremos das férias para comentar e continuar a indicar filmes e produções audiovisuais para você.

Continuando a analise, “Antes que o diabo saiba que você está morto”, em primeiro momento Lumet explora o choque familiar dramático da família Hanson, isso pela escolha em aplicar eutanásia em Nanette, (que teve morte cerebral após ser vitima do assalto), e tudo acaba por ser decisão do pai de Andrew e Hank, Charles Hanson. Charles jura vingança aos assaltantes da joalheria, sem saber que eram seus filhos os responsáveis pela morte de Nanette.

O filme não segue uma linearidade cronológica isso porque Lumet apela a uma nova estética cinematográfica, mesclando um estilo próximo ao New Hollywood. Lumet como está em um artigo anterior, iniciou sua carreira cinematográfica com a exposição de cineastas autorais como Stanley Kubrick e John Cassavetes. No entanto e perceptível que Lumet em “Antes que o diabo saiba que você está morto”, tentou mesclar um estilo artístico a sua linguagem televisiva. No entanto como esclarece o próprio Lumet “existem filmes que não deveriam ser exibidos na TV”. Diria que “Antes que o diabo saiba que você está morto” é um dos filmes que entra na lista dos não televisivos.

Outros dramas ocorrem durante o filme, um deles é o caso que Hank tem com a Gina (Marisa Tomei) esposa de seu irmão Andrew. O fato e que por problemas financeiros, Andrew e Hank apelam ao assalto à loja dos pais, como forma de solucionar os seus problemas. No entanto Lumet queria destacar o descontrole do sonho americano, onde todos buscam um lugar no paraíso. Esse pensamento se confunde em alguns momentos do filme como uma forma de fuga e escapismo, como acontece com o desejo de Andrew em morar no Rio de Janeiro, mas o Rio acaba apenas por formar uma imagem de um desejo, um sonho a ser realizado.

A obra mostra muito o descontrole humano, isso em todos os momentos marcantes do filme o descontrole dos personagens se torna evidente. No entanto esses fluxos ocorrem pela ótima interpretação dos personagens, em destaque para Philip Seymour Hoffman no papel de Andrew. As situações no fim do filme são as mais tensas com a morte de Andrew, assassinado pelo pai Charles em uma cama no hospital, após ser baleado. Lumet desenvolveu uma contraproposta em relação a “Um dia de cão” uma das obras primas de Lumet e que explora um assalto a partir da perspectiva dos assaltantes. “Antes que o diabo saiba que você está morto” compõe uma trama conforme as conseqüências de um assalto a partir da ruína que se torna a vida das vítimas do incidente. Mais do que imprevisto Lumet destrói a fama do sonho americano e revive os fortes sentimentos da raiva familiar.

Gildo Antonio

27 de novembro de 2011

Crítica | Um dia de Cão


As experimentações de Sidney Lumet estão claras nesse filme, uma delas é a influência do teatro que deixou a obra com essa característica de planos gerais. As tomadas de cena são feitas amplamente pois o objetivo e que o filme se consolide a partir de um cenário. Esse experimentação de linguagem televisiva e teatral nasce com seu primeiro filme e também como primeiro sucesso “Doze homens e uma sentença”, filme que lança Sidney Lumet no cenário dos grandes diretores e roteiristas estadunidense. O que me deixa ansioso e descobrir sobre a matriz cinematográfica de Lumet e modo como surgiu essa experimentação ou até convergência de linguagens cinematográficas.

O que aconteceu e que a partir da década de 1960 nos Estados Unidos ocorre o declínio das redes de filmes e dos autores independentes como Stanley Kubrick, John Cassavetes, e a convergência para a indústria cinematográfica de Hollywood. Sidney Lumet, no entanto parte na construção de uma linguagem cinematográfica própria, uma forma de resistência dos filmes de autor e é claro fugindo os modismo do cinema de Hollywood.

 Essa construção de uma linguagem dos filmes de Sidney Lumet constrói-se em dois momentos: no espaço geográfico isso fica claro, pois parte da obra de Lumet e produzida em Nova York, ao outro momento e o realismo dos filmes de Lumet, talvez pelo roteiro de “Um dia de cão” que se inspirou em uma tentativa de assalto a banco, no entanto em suas obras de ficção parte da cinematografia inspirada no real.“Um dia de cão” para quem não sabe foi vitima da fúria de John Wojtowicz, o assaltante da reportagem da qual Lumet havia se inspirado, ele mandou uma carta ao New York Times, relatando que o filme teve apenas “30% de verdade”, John criticou também a morte de Sal ,e da mulher que ele estava separado porém no caso Sonny o personagem inspirado em John convivia com a mulher e seu amante Leon, o que descordava Wojtowicz. Wojtowicz nesse mesmo artigo elogio a interpretação de Al Pacino e John Cazale. A obra é uma boa referência para quem procura construir boas histórias a partir do que encontramos no cotidiano, o importante para Lumet e que a história seja parte o fora do comum. Acima de tudo o que temos que entender que a vida como as obras de Lumet, parte tanto da poesia e arte do dia a dia como da realidade absurda que forma esse sufoco em meio ao turbilhão das rotinas da cidade grande. Gildo Antonio


“Attica, Attica, Attica” tomo minhas as palavras de Sonny Wortzik personagem de Al Pacino em “Um dia de cão” um filme de Sidney Lumet. "Attica" e a referência de um massacre feito pela polícia em uma invasão mal sucedida a um banco. Em"Um dia de cão" Sonny grita a multidão sobre "Attica" com o intenção de conseguir com aquele público aprove suas atitudes. A história de “Um dia de cão” passa sobre o sufoco do caldeirão de Nova York. Sonny junto com seu amigo Sal (John Cazale) e um primo dele (Gary Springer), que desiste de acompanhá-los no assalto, invadem uma agência bancária do bairro do Brooklin em Nova York. O problema é que a tentativa de assalto porém acaba dando errado e quanto Sonny e Sal estão prendendo os funcionários da agência no cofre durante a invasão, e são surpreendidos pela polícia que havia cercado a agência e faz contato com Sonny por uma linha direta da barbearia que se encontra em frente a agência. A busca de Sonny por dinheiro não é referente ao sonho de vida estadunidense, mas para pagar a operação de troca de sexo para o seu parceiro, Leon (Cris Sarandon).

27 de outubro de 2011

Crítica | Metrópolis

O mediador entre a cabeça e as mãos, deve ser o coração” essa e a frase de inicio do filme “Metrópolis” de Fritz Lang. O filme é considerado por muitos críticos um clássico do cinema mudo, produzido em 1927. A história ambienta-se no século XXI, em um futuro autocrático e dominado por um empresário que controla a energia da Metrópolis. Na obra de Fritz vemos um futuro dividido entre trabalhadores e burguesia. Essa burguesia no filme e formada pelos amigos e familiares de Joh Fredersen (Albert Abel), o empresário que domina os recursos da Metrópolis.
"Metrópolis” relata o absolutismo progressista do futuro. A obra relembra muito a França no período do século XVI no governo de Luís 14, também foi um período de grandes obras na França e de uma separação nos extratos sociais franceses. Nisso começo a pensar, que na rea­lidade Fritz apenas constatou um fato na natureza humana e não vez nenhuma previsão do futuro como alguns pesquisadores de cinema propõe. “Metrópolis” está mais próximo de in­terpretar a ganância e a exploração humana do que o futuro do apocalíptico e do vício na tec­nologia.
O problema da Metrópolis passa a ser a loucura de um inventor, Rotwang (Rudolf Klein – Rogge) em causar o conflito entre os trabalhadores e os burgueses. No entanto o que é um avanço científico no filme também causa espanto, como é o caso da conversa televisionada entre Joh Fredersen e Grot, o líder dos trabalhadores, (lembrando que faltava ainda mais duas décadas para a popularização do aparelho).
No entanto outra surpresa de Fritz e um andróide da operária, Maria, que era uma líder espiri­tual dos trabalhadores e ela com o filho do empresário, Mestre Freder conseguem salvar Me­trópolis do caos. O filme e recheado de frases de efeito poéticas, talvez esse diálogo poético do filme esteja relacionado ao fato de ser uma obra sem a utilização de som ou falas, o que pede maior expressão e interpretação dos atores. Inclusive é estilo que requer uma filmagem com maior ritmo.
Fritz encanta com sua estética por utilizar planos que demonstram a Metrópolis com a utiliza­ção de panorâmicas da cidade e do submundo dos trabalhadores. Fritz fez o favor de iniciar uma das melhores ficções científicas da primeira metade do século XX. Os efeitos especiais também causam espanto, até pela época que havia sido filmado. Desconfio até que “2001 uma odisséia no espaço” de Stanley Kubrick não era tão inovador e ambientado no futuro quanto “Metropólis” de Fritz. Isso porque Fritz está mais ligado ao ser humano do que no processo técno-científico, sendo assim e mais fácil se reconhecer o ser humano do século XXI com “Me­trópolis” que os demais filmes de ficção científica.
Com último comentário, devo lembrar que em muitos sites sobre cinema podem aparecer certas explicações sobre “Metrópolis”, relatando que Fritz e um dos expoentes do expressio­nismo alemão e julgam a obra de Fritz como um clássico desse período, o importante nesse comentário, e que Fritz utiliza demais cenas externas o que na realidade está um pouco fora do padrão do expressionismo alemão. Pois no expressionismo alemão por causa do baixo or­çamento utilizavam-se mais filmagens em estúdio do que externas. As obras do inicio da car­reira de Fritz têm mais essa característica de expressionismo que seus clássicos. Gildo Antonio