12 de março de 2012

Crítica | Na mira do chefe

“A great day this has turned out to be. I'm suicidal, me mate tries to kill me, me gun gets nicked and we're still in fookin' Bruges!”
...
Tudo começa com uma bela e calma trilha sonora em piano, algumas tomadas de construções antigas, medievais, meio obscuras e sombrias e uma voz, com um puta sotaque irlandês, narrando os acontecimentos que o levaram para aquele lugar.
Dessa narração, o filme pula para uma tomada fechada de dois irlandeses, em uma paisagem gelada, da qual só se vê o topo da torre de um castelo e alguns galhos congelados, sem folhas. Os dois discutem se Bruges é, ou não, “a shithole”. Um buraco de merda, em tradução literal. Ah, vale lembrar que os irlandeses são Colin Farrel, como Ray, e Brendan Gleeson, como Ken. Isso já garantiu que eu ficasse para ver o filme inteiro.
E não me arrependi. Ambos são assassinos contratados e, aparentemente, o último trabalho não saiu como o esperado. O alvo morreu, mas algo deu errado. Então o chefão (Ralph Fiennes, para aumentar o grupo de astros) mandou-os “dar um tempo” em Bruges, por umas duas semanas, para deixar a poeira baixar enquanto esperam por novas ordens.
No inicio ninguém entende o porquê dessa escolha de destino para as “férias”. Ken, mais velho e tranquilo, fica sossegado com a ideia de umas férias em uma cidadezinha como aquela. Ray, hiperativo, mais simplista do que o parceiro e aparentemente incomodado com alguma coisa, odeia o lugar. E o fato de ter de dividir um quarto com o parceiro. (For two weeks? In fucking Bruges? In a room like this? With you? No way).
Para completar, os dois não se entendem muito bem e estão o tempo todo discutindo. E as discussões deles são sensacionais! Os desgraçados são muito engraçados. E não no estilo Adam Sandler de engraçados. Todo o filme é carregado de muito humor negro, do começo ao fim. Um humor que se encaixa perfeitamente no drama que eles estão passando. Alguma coisa assombra Ray o tempo todo. E estar em Bruges não ajuda a abrandar a situação. Ele fica paranoico, depressivo e agitado. Lentamente, os dois assassinos começam a se tornar amigos. Mas as discussões continuam malditamente divertidas.
E aí em diante “the plot thickens”, a trama se adensa, descobrem-se os planos de Harry, o chefe, e surgem novos elementos, como Chloe, a nativa, com quem Ray "sai para jantar" e Jimmy, o anão racista, astro do filme que estava sendo gravado na cidade.
E eu paro por aqui, para evitar spoilers impertinentes, acho que isso foi suficiente para dar uma noção da quantidade massiva de humor negro que o filme consegue condensar, se mantendo inteligente, o que é difícil. Geralmente, quando tanta coisa desse gênero se junta em uma película, ela tende a se tornar idiota. In Bruges foge dessa regra.
O drama que surge por volta do meio do filme ajuda a dar-lhe um peso diferente das comédias comuns e o enfoque da câmera alimenta uma espécie de surrealismo, que se apoia na ideia de “fairytale town” – uma cidade de contos de fadas – e causa um efeito interessante.
O filme só peca em ser um tanto exageradamente abstrato em alguns trechos, chegando a ser confuso às vezes. E o final é muito estranho. Ainda assim, a trama é espetacular. Vale a pena assistir. E merece um 8,5.

Especial | Lolita (Stanley Kubrick)

Colocar nas telas o psico-erotismo da literatura inglesa não é para qualquer um. A chance de alcançarmos um pornô com um roteiro confuso é grande. Bem grande. BUT, estamos, aqui, falando do Kubrick, certo? Lolita, produzido em 1962, é baseado em um livro homônimo de 1955, de Vladimir Nabokov, e trata a perversão e o fetichismo de maneira abusada, proporcionando ao diretor a inspiração necessária para a adaptação. 

A história trata-se de Humbert, um professor (que já possui características obssessivas) que se mudou da Europa para os Estados Unidos para lecionar francês e se instala no quarto vago de uma mansão cuja dona era uma viúva que precisava de amor. Entretanto, o foco está na filha da proprietária, Dolores, interpretada por Sue Lyon - que na época tinha apenas 16 anos - por quem Humbert nutre perversões obsessivas, relatadas em um diário. O louco se casa com a mãe dela SÓ pra ficar perto da menina. 

"UAL", é, forte, não é mesmo? Até o diretor comentou que se soubesse quão polêmica seria a censura contra o filme na época, nem o teria feito. FAIL, produção que não sabe apreciar a intenção provocativa das cenas que permitem ao público o benefício da imaginação e cortam partes essenciais da obra. Mesmo a escolha da atriz se deu por conta do tamanho de seus peitos de sua maturidade, para a interpretação da jovem Dolores, apelidada carinhosamente de Lolita. A censura fez com que, no filme, diferentemente do livro, a personagem tivesse ao menos 14 anos, e não 12.



Pois bem, essa não foi a única mudança feita. O termo "Lolita" é usado apenas por Humbert no livro. Para que a sexualidade da garota também não fosse tão "ultrajada" nas telas, a própria personagem tem seu teor sexualizado e provocante, diferentemente da "inocente" Dolores criada na obra de Nabokov. Visto que o livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Humbert, a narração é naturalmente mais perversa, fato obrigatoriamente retirado do filme, por conta da época, a fim de evitar uma vulgarização desnecessária.

É importante citar que o papel de Quilty, no filme, outro louco, que se disfarça de mil coisas (Hipster Equipe Rocket) confronta diretamente o professor psicótico. No livro, ele apenas aparece eventualmente e enche o saco. No filme, pelo contrário, a cena inicial ocorre no escritório de Quilty, enquanto Humbert lhe aponta uma arma. Durante o filme que tudo é explicado.

Outra versão foi feita em 1997, por Adrien Lyne. Desnecessário dizer que ele foi mais fiel ao livro, no entanto, mesmo com maiores recursos técnicos e possibilidade de aprimorar a adaptação, não se comparou ao filme de Kubrick, certo? Certo.

Lolita, mesmo sofrendo censuras, cortes e repreensões, conseguiu provocar o público, instigar o tema da pedofilia e, através do enredo, aflorar ideias sexuais secretas, abordando o fetichismo, a perversão existente dentro de cada um e o quão longe isso pode deixar-nos ir. É.

Ah, e o mais importante, o termo "Lolita", que se refere a jovens que, embora menores de idade, possuem corpo mais desenvolvidos e despertam desejos sexuais, se deve a este filme. É, meus caros, e vocês achando que esse tipo de putaria não era cultura, hein? Guilty pleasure, Kubrick apoia!

11 de março de 2012

Especial | O Iluminado (Stanley Kubrick)

“Heeeeeere’s Johnny!!!” – Essa, junto com muitas outras, é uma das frases que marcaram o que é uma das maiores obras de carreira de Stanley Kubrick. The Shining (O Iluminado em português) conta a história de um escritor fracassado, Jack Torrance (Jack Nicholson) que acaba enlouquecendo e tenta matar sua família ao passar o inverno como vigilante em um hotel isolado.


O longa de 119 minutos tem o roteiro adaptado do livro, de mesmo nome, do aclamado Stephen King, o qual se sentiu imensamente insatisfeito com a reprodução cinematográfica. “O filme é como um Cadillac sem o motor, você entra, sente o cheiro do couro, mas não pode ir com o carro a parte alguma”, disse King.

Por mais incrível que pareça, a crítica de Stephen King não foi a única, pois Shelley Duvall (Wendy) foi indicada ao Premio Framboesa como Pior Atriz, junto com Kubrick, o qual recebeu indicação para Pior Diretor. Confesso que, em minha opinião, se a votação para o prêmio de Pior Diretor fosse feita pelo elenco, Kubrick levaria a nominação, não pelo mal trabalho, seu talento é inquestionável, assim como sua persistência e seu temperamento.

A insistência de Kubrick era tanta que os atores tinham de interver, o perfeccionismo (muitas vezes duvidoso) exigido pelo diretor era absurdo. Como consta no livro, “O Clube do Filme”, David Gilmour, crítico de cinema, afirma que Stanley refez a cena em que Jack Nicholson persegue Scatman Crothers com um machado, quarenta vezes. “... vendo que Crothers, que já tinha 70 anos, estava exausto, Nicholson disse a Kubrick que já tinham tomadas suficientes – ele não a faria de novo”, relata Gilmour. Sem falar na famosa cena em que Jack persegue sua esposa com uma faca, essa foi feita 58 vezes.

The Shining é claustrofóbico, assustador. Nicholson estreia de maneira impactante ao dar vida ao escritor psicótico, loucura é seu forte. Loucura é o forte do filme como um todo. O conjunto de cenas perturbadoras e que mexem com os neurônios, formam uma coleção de obras primas. Com um lugar considerável na lista de Melhores Filmes de Terror, O Iluminado de 1980, é hoje tomado como clássico. Apesar do número infinito de críticas negativas, o topo do índice de elogios está parelho com o topo das reclamações, se já não o ultrapassou.


Especial | Laranja Mecânica (Stanley Kubrick)

Droogs, o post de hoje é HORRORSHOW! Obviamente, você (cinéfilo) percebeu que falarei de um clássico do cinema, o filme britânico Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971).
Adaptado do livro, de mesmo nome, do escritor inglês Anthony Burgess e dirigido magistralmente por Stanley Kubrick, o longa mostra uma Londres do futuro, mais precisamente do ano de 2050, totalmente dominada pela igreja e o Estado. É nesta cidade que vive o violento e sarcástico Alex DeLarge (Malcolm McDowell). Líder de uma gangue de delinqüentes que mata, estupra e rouba, Alex cai nas mãos da polícia. Preso, ele é usado em experimento destinado a refrear os impulsos destrutivos, porém acaba tornando-se impotente ao lidar com a violência que o cerca.
Antes de mais nada é preciso exaltar o trabalho de Kubrick com a câmera. Conhecido pelo uso de “travelling” tanto verticais quanto horizontais e seus planos de seqüências rápidas e ousadas, ele consegue prender a atenção do público do começo ao fim. Especificamente neste filme, Kubrick escolheu o melhor ator para o protagonista. A atuação de McDowell (The Artist, 2011) é tão crível que até hoje ele não conseguiu outro papel principal, pois é difícil não fazer uma relação entre ele e Alex. É curioso ver como o cineasta tem total controle dos seus atores, tanto que para desafiar Malcolm ele deu uma cobra de estimação para seu personagem. No entanto, detalhe: o ator tem fobia a este réptil.
O próprio título em inglês “A Clockwork Orange” é um jogo de palavras, pois o significado de clockwork é mecânico/programável e “orang” que na língua malaia tem o sentido de pessoa. É nisto que o Estado tenta transformar Alex, em um indivíduo mecânico. No filme, Alex, após ser preso, é obrigado a assistir cenas de ultra violência (atos que ele mesmo praticava) com o uso de drogas e ao som da 9ª Sinfonia de Beethoven, a qual ironicamente era sua música predileta. É neste momento que o Estado pune e acredita que após o tratamento o indivíduo está preparado para a sociedade. Mas a sociedade está pronta para ele?
Kubrick escancarou a realidade da época e atual, ao mostrar que o mundo é regido por dois tipos de violência: a do ser – humano, reprimida pelo convívio social e a do Estado, amparada pela lei e justificada pela manutenção do controle coletivo. A hipocrisia é que os indivíduos não conseguem aceitar o ex-prisioneiro do Estado e o recebe com a mesma violência que ele antes havia praticado. Graças ao diretor, podemos perceber o poder que a mídia tem sobre a sociedade, ao tirar o livre-arbítrio da população.
Ao final do filme, Alex em um emprego do governo, diz-se curado, não porque não pratica mais os atos horrendos, mas porque voltou a ser o antigo Alex, com sua ideologia e liberdade de praticar qualquer maldade, contanto que não prejudique a imagem do Estado. Esta é a hipocrisia atual, em que os políticos roubam do povo, no entanto, enquanto isto não for noticiado, não haverá punição.
Enfim, é um filme magnífico e cheio de originalidade (até o vocabulário, que é uma mistura de russo, inglês e gírias, foi criado pelo autor do livro). Desde a música eletrônica composta por Walter Carlos até “Singin in the rain” e a decoração meio anos 70 com móveis surrealistas, Kubrick é perfeito, não perde um detalhe.
Laranja Mecânica recebeu 4 indicações ao Oscar por Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Foi proibido de circular pelo Brasil, sendo liberado em 1978, com as inesquecíveis bolinhas pretas sobre as genitálias dos atores. Kubrick criou um filme cult e inovador que, até hoje, é um marco na história do cinema.
Marina Demartini

10 de março de 2012

Especial | Stanley Kubrick

 Há 13 anos atrás, no dia 7 de março, os fãs do cinema perderam um dos maiores nomes do cinema. Dizer que  toda a carreira de um diretor, produtor, roteirista e cinegrafista é raro no que diz respeito ao mundo dos longas. É fácil deslizar. No entanto, no que se trata de Kubrick, que produziu vários filmes listados entre os clássicos que inspiram os filmes produzidos até hoje, o diretor é digno de destaque para o especial do blog nesse final de semana.

Nascido em 6 de junho de 1928, a paixão do cineasta começou com a fotografia, pela câmera do pai, que ganhou aos 13 anos. O cinema veio a inspirar-lhe quando tinha vinte anos e passou a frequentar as exibições no Museum of Modern Art e outros de Nova York. Em 1951, com a produção de seu primeiro documentário notável, Day of Fight, o diretor já começou a marcar traços de sua produção, como o uso do travelling reverso (movimento em que a câmera se move em panorâmica para gerar efeitos de imagem).

Fear and Desire (1953), primeiro longa escrito por um amigo, do qual participou, foi um desastre. Killer's Kiss, de 55, já mostrou a alguns críticos o potencial do jovem, mas foi com Killing (1956), primeiro filme com produção e elenco profissionais de Kubrick que seu nome foi levado ao topo dos nomes do cinema. O filme conta com uma narrativa não linear, formato que inspirou diretores em muitos filmes até hoje. Sua boa relação com os atores com os quais trabalhava, sua habilidade (vinda da experiência fotográfica) para o manuseio das técnicas de câmera, foram técnicas que renovaram a forma de ver o cinema.

Lolita (1962) é uma prova do perfeccionismo do cineasta já visível perante o cenário da época. Ao se mudar para Inglaterra, Kubrick levou mais de um ano para encontrar a personagem que atuaria na adaptação do livro com o mesmo nome, que se trata de uma história em que um professor se torna obcecado por uma de suas alunas. De acordo com certos críticos, foi o marco entre o naturalismo e o surrealismo de seus filmes posteriores.

2001: space odssey (1968) levou cinco anos para que o diretor adquirisse o resultado que queria: a música exerceu um trabalho maior que o dos filmes produzidos até então, o filme tratava, muitos anos atrás, sobre uma ficção científica futurista criativa e inovadora.

Deixando de lado técnicas cinematográficas que debateremos ao longo deste final de semana, observamos que Kubrick teve então uma série de clássicos sendo produzida: A Clockword Orange (1971), Barry Lindon (1975), The Shinning (1980), Full Metal Jacket (1987) e Eyes Wide Shut (1999). Logo depois da edição de  Eyes Wide Shut, o diretor faleceu.

No entanto, o que permaneceu foi a sua maneira diferenciada e criativa de transmitir ao expectador um novo olhar sobre o cinema a partir do cenário, as boas atuações, devido às boas relações dentro dos estúdios, pelo diretor que procurava se relacionar da melhor forma com a equipe, as técnicas de filmagem que inspiram os diretores até hoje, o bom uso da trilha sonora e seu legado que será sempre colocado como clássico dentro do cinema, mesmo que, em um ponto de vista parcial e crítico, só tenha recebido um Oscar, por melhores efeitos especiais.

9 de março de 2012

Estreias da Semana (de 09/03 a 15/03)

John Carter -Entre dois Mundos (John Carter)

Aventura/fantasia
EUA, 2012
Direção: Andrew Stanton
Classificação: 12 anos
Duração: 132 minutos

O filme é a adaptação do primeiro dos onze livros da série Barsoon, A princesa de Marte. O livro, escrito em 1917, só foi traduzido para português em 2010. A história é direta: John, ex-veterano de guerra, é mandado para marte, sem saber como, a fim de ajudar a princesa Dejah Thoris a se libertar da ditadura local. Política não está fácil pra ninguém, nem em marte! Veja o trailer aqui.



W.E. - O Romance do Século (W.E.)

Romance
Inglaterra, 2011
Direção: Madonna (!)
Classificação: 14 anos
Duração: 119 minutos

Sim, é o filme dirigido pela Madonna. Não, não aparece a Madonna nele. O filme retrata o amor proibido do rei Edward VIII com uma plebeia divorciada, Walls Simpson, na década de 30. Paralelamente, há a presença de Wally, nos tempos de hoje, uma mulher que não tem um dos melhores casamentos do mundo e é obcecada pela história de amor do casal. Tá, né? Aqui o trailer.



O Pacto (Seeking Justice)

Suspense
EUA, 2012
Direção: Roger Donaldson
Classificação: 14 anos
Duração: 105 minutos

O protagonista, vivido por Nicolas Cage, tem a chance de se vingar contra quem cometeu o estupro de sua mulher. No entanto, ao envolver-se com esses vingadores, ele se percebe refém deles. Pode ser um filme policial comum, ou não. Discussões sobre serão realizadas depois. Além d'O Motoqueiro Fantasma, não tenho visto muitos filmes bons do Nicolas Cage. De qualquer forma, o suspense pode surpreender (risos). Confira o trailer.


O Porto (Le havre)

Comédia/drama
França/Alemanha/Finlândia, 2011
Direção: Aki Kaurismaki
Classificação: 12 anos
Duração: 93 minutos

O filme mostra, de maneira até bem humorada, a história de um pescador que abriga imigrantes ilegais dentro de um contêiner em sua casa, como forma de ajudá-los. Preciso assistir para entender onde está a comédia da história. Anyway, o trailer aqui.





Cairo 678

Drama
Egito, 2010
Direção: Mohamed Giab
Classificação: 14 anos
Duração: 100 minutos

Três mulheres totalmente diferentes lutam por melhoria de direitos contra o assédio sexual e as humilhações que é realidade da maioria delas no Egito, assim como suas dificuldades para receber visibilidade dentro de tal âmbito. O trailer é atraente, mas a divulgação no Brasil foi lenta (Note que o ano de produção é 2010).




EM PONTA GROSSA:

Os cinemas de Ponta Grossa contam com a estreia d'O Pacto e John Carter. Permanece em Cartaz A Mulher de Preto, Anoitecer, Billi Pig e Cada um tem a Gêmea que Merece no Cine Araújo.
No Cine Lumière, além de John Carter, permanece em cartaz Anoitecer, Motoqueiro fantasma, Reis e Ratos, a Viagem 2 e Cavalo de Guerra.

Os horários de cada cinema você encontra aqui e aqui, respectivamente.

Patrick Inada

On The Road - Trailer oficial acaba de sair!


Dirigido pelo brasileiro Walter Salles, o longa é uma adaptação do livro, de mesmo nome, do escritor americano Jack Kerouac. O filme será uma co-produção entre França, Estados Unidos, Brasil e Inglaterra, a partir de um projeto entre Salles e Francis Coppola, que adquiriu os direitos de adaptação do livro há 30 anos.

O elenco inclui Garrett Hedland (“Tron Legacy”) como Dean Moriarty, inspirado em Cassady, e Sam Riley (“Control”) como Sal Paradise, espelho de Kerouac. Ainda tem a presença de Kristen Stewart (Twilight), que interpretará Mary Lou, e da brasileira Alice Braga.

O trailer oficial acabou de cair na internet em uma world premiere promovida pela página oficial do facebook do longa, só é preciso curtir neste link: http://www.facebook.com/official.ontheroad?sk=app_282954348437940 e ir para a barra onde está escrito "Exclusive Contents".
Por Marina Demartini

8 de março de 2012

Crítica | Beleza Americana



O longa mostra a trajetória de Lester Burnham (Kevin Spacey), um típico cidadão norte-americano que vive uma mentira – sua família o odeia, principalmente sua mulher que ainda está casada com ele só por aparência.

A melhor parte de seu dia é quando fica sozinho no banheiro, masturbando-se, esquecendo o drama que é seu trabalho e seus familiares. O seu estado próximo a loucura chega ao ápice quando conhece a amiga de sua filha, a desbocada Ângela Hayes (Mena Suvari); a partir desse acontecimento, Lester decide mudar o caminho que percorria: começou a malhar, largou o trabalho que odiava – chantageando seu chefe, conseguiu um emprego em uma lanchonete, fumava maconha com seu vizinho que filmava tudo que sua filha fazia e finalmente adquiriu o carro esportivo que almejava.

Lester é apenas mais um ser – humano dominado pelas garras da sociedade moderna; ele aparenta ter uma família e um trabalho perfeitos, porém vive como um ator coadjuvante de sua própria vida; ele está tão desanimado com tudo e todos e o único escape foi a sexualidade exacerbada de Angela.

A partir dos estudos de Sigmund Freud sobre a psicanálise humana pode-se entender que a identidade (o inconsciente, regido pelo prazer) estava se sobressaindo do superego (valores e formação recebida pela família e pela sociedade, a moral), então Lester, um pai de família estava transformando-se em um irresponsável adolescente, pois sonhava com uma garota muito mais nova que ele, por vezes até parecia que sofria do Complexo de Édipo ao contrário, porque era ele que tinha manifestações fantasiosas de incesto por sua filha; enfim, ele estava vivendo uma realidade psíquica. Para o Sr. Burnham, tudo que ele fazia era a mais pura verdade, independente do que as pessoas falassem. Tudo que ele sonhava estava virando realidade.

Quando chega ao final do filme, Lester não consegue fazer sexo com Angela, porque ela era virgem e é neste momento, ironicamente, que ele liberta-se do teatro que participava, – leva um tiro de Frank, o vizinho que pensava que Lester mantinha relações homossexuais com seu filho – pois pela primeira vez ele torna-se protagonista de sua vida.

Com um elenco extraordinário, Beleza Americana reúne o belo e a lição de moral, ao motivar o público a ter uma vida mais significativa. Este filme é para as pessoas que querem ser chocadas visualmente e maravilhadas pelo roteiro sem escrúpulos.
Marina Demartini

7 de março de 2012

Série | Revenge

Com a volta do serviço do blog, a equipe d'A Bilheteria resolveu abrir espaço para o gênero televisivo das séries, que, muitas vezes, possuem qualidade de produção, atuação, cenário, direção e roteiro tão merecedores de atenção quanto os longas cinematográficos.

Todos já ouviram falar da história d'"O Conde de Monte Cristo", obra do mesmo escritor d''Os Três Mosqueteiros", Alexandre Dumas. O livro foi concluído em 1844, e é um clássico da literatura francesa e já deu origem a algumas adaptações cinematográficas. No entanto, o canal ABC inovou a inspiração do livro e adaptou-a para a série que teve estreia em 2011, Revenge.


Enquanto na obra um marinheiro é preso injustamente e, depois de fugir da prisão, resolve se vingar, na série, encontramos uma personagem que busca justiça pela prisão de seu pai enquanto ela era apenas uma criança. A sinopse, embora sugira algo frio, contradiz o ritmo real da série.

Protagonizado por Emily VanCamp, que troca sua identidade para retornar ao Hampton, local em que habitava com seu pai, a personagem (também Emily) busca eliminar, um a um, os causadores de sua infância presa e da morte de seu pai na prisão.

O que poderia ser simples ganha um ar diferente quando, após "lermos" sobre quem é Emily Thorne, experienciamos um episódio da série. Com um sorriso envolvente de Monalisa, a protagonista arquiteta planos, utilizando a fortuna que foi guardada por seu pai para que ela pudesse se reestruturar ao sair do reformatório, e consegue, ao mesmo tempo, não apenas cativar, mas também surpreender o expectador.
Há uma eterna dúvida quanto aos seus sentimentos, suas amarguras, sua dor e seu rancor que, ao se misturarem, podem fazê-la tão frágil quanto perigosa.

Além de VanCamp, há a presença de Madeleine Stowe, atriz que interpreta principal culpada pela prisão do pai de Emily, e, ironicamente, era o amor dele. Em uma relação de desconfiança, as duas se mostram tão bem escolhidas para seus papeis que não se poderia imaginar qualquer outra pessoa em seus lugares. Um drama com um certo suspense e um ar de romance misturado em uma série que, em menos de uma temporada já foi nomeada a vários prêmios, como o People's Choice Awards e ganhou como favorite guilty pleasure o TV.com Awards, promete.

Você já viu um filme diferente hoje?

Na primeira coluna sobre o tema “Cinema Independente ou Alternativo” do ano, me coloquei a pensar o que o leitor gostaria de ler sobre o tema nessa coluna, mas, para a minha surpresa, foi realmente difícil pensar em algo propício para a primeira coluna do ano sobre um assunto não muito explorado.

Então, nesse espaço, irei fazer uma breve iniciação sobre o tema, sugerindo filmes para que possa sair um pouco da área comercial Hollywoodiana e desbravar outros modos de se fazer cinema pelo mundo. Consideramos nesse espaço não apenas aqueles filmes cuja sua produção não está vinculada a uma grande produtora, ideia básica de um filme independente, mas sim, filmes cuja a dificuldade de aproximar do público, principalmente brasileiro, impede uma competição com o mercado americano.

Um dos principais expoentes de produção cinematográfica é a França, palco de diversas produções artísticas, o país se destaca também na sétima arte. O jeito romantizado de algumas produções é contrastantemente influenciado pelas demais artes do país, mas ainda sim o cinema francês tem característica próximas a sua sociedade.

Enquanto os jovens manifestavam suas opiniões nas ruas, o cinema de Godard, movimento conhecido como “Nouvelle vague” era uma tansgressão as regras habituais e convencionadas aos longas da época. 
Godard, ícone francês
Recentemente o cinema francês apresentou alguns excelentes filmes, como Le fabuleux destin d'Amélie Poulain de Jean-Pierre Junet, entre outros.

O Cinema indiano geralmente está associado ao absurdo de algumas produções de Bollywood, principalmente em filmes de ação. Por causa do barateamento das obras, muitas vezes os filmes indianos são apresentados como produções ridículas, porém, o país é o que mais produz longas e tem alguns ótimos filmes e profissionais competentes na área.

O jogo de cores é um ponto predominante no cinema indiano, o uso de uma fotografia que contrasta todo o ambiente é utilizada amplamente pelos diretores, tal qual muitas cenas de dança, música e movimentos típicos. Uma coisa interessante a se notar do cinema indiano é que Bollywood é apenas um dos lugares de se produzir cinema no país, mas geralmente é colocado como todo o cinema indiano.

O Cinema Argentino é um dos principais da América Latina, talvez o mais elogiado. Algumas características dos filmes argentinos que apontam para essa qualidade é o realismo das produções. Outros lugares interessantes que tem um cinema forte e com uma produção constante são: Irã, Japão, Espanha, México, Chile, Russo e Chinês

5 de março de 2012

Crítica | Apocalypse Now

Em uma lista feita para os 100 melhores filmes de guerra feito pela revista “Aventuras na história” a obra eleita como melhor filme de guerra dividiu opinião entre os críticos e cineastas, apesar de que a maioria dos 14 críticos colocaram “Apocalypse Now” de Francis Ford Copolla, entre os três primeiros. Apesar de competir com filmes que se mostram realista, Apocalypse Now fatura a preferência (acredito) por abordar a guerra com suas e excentricidades.

Hitchcock em um livro de conversas que foi realizado pelo cineasta e crítico francês, François Truffaut, relata que terminadas situações da rotina ou regras regulam as normas e as excentricidades de um grupo. Hitchcock sempre citava que sua vida na Inglaterra, sendo ele católica em um país de maioria anglicana foi cheia de excentricidades. Apesar da falta de direcionamento de temas o que estou procurando é apresentar que a guerra que Coppola filmou, ultrapassa as idéias do real e transfere aos filmes simplesmente todo horror e complexidade da guerra. Apocalypse Now é baseado no livro Heart of Darkness (Coração das Trevas) de Joseph Conrad.

A história se passa em 1967 na Guerra do Vietnã, onde o capitão do exército estadunidense, Willard (Martin Sheen) e enviando de volta ao Vietnã com a missão de matar o coronel Kurtz (Marlon Brando) do exército dos Estados Unidos. Willard inicia a missão com 4 soldados que percorrem o rio do Camboja para encontrar o coronel enlouquecido e adorado pelos nativos do Vietnã. No fim da viagem Wilard completa a missão, mas se sente destruído pelas perversidades do universo dos conflitos.

A estética de Apocalypse Now foi trabalhada por Vitorrio Storaro, um italiano que também trabalhou na fotografia de Bernardo Bertolucci com “O Último Imperador” e “O Céu que nos Protege”. Vittorio identifica-se com cenas mais longas e com a composição de intensidade de cores e iluminação focada. Apocalipse Now, não é apenas mais um longa sobre um passado remoto e que decodifica um choque cultura, mas simboliza como os homens que parecem tão fortes, mostram-se frágeis e simples diante dessa esfera complexa de uma guerra particular.
Gildo Antonio

29 de fevereiro de 2012

Crítica | Howl


"Éramos só um bando de escritores que queríamos ser publicados", é com esta frase que Allen Ginsberg resume a geração beatnik. Não entendeu? Vamos às explicações. Ginsberg, então em 1957, um jovem escritor conhecido no circuito da cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, torna-se um dos expoentes desta geração pós-segunda guerra com a publicação do poema “Howl”.

Considerado ‘obsceno’ pois em suas linhas há utilização de palavrões, referências que explicitam ao sexo (tanto hétero quanto homossexual) e ao uso de drogas, a obra foi levada a julgamento. É a partir deste contexto que Rob Epstein e Jeffrey Friedman, diretores do longa, filmam os momentos obscuros vividos pelo autor deste poema que mudou o modo americano de ver a cultura.

Apesar de não ser um filme incrível, vale a pena ser visto pelo tipo de filmagem utilizada em três expectativas: a de Ginsberg, com um leve tom de biografia, sobre seus primeiros anos de faculdade, quando conheceu Jack Kerouac, suas paixões e inspirações de seus poemas; a mistura de desenho animado meio psicodélico, ao maior estilo Pink Floyd, com trechos da poesia interpretada por Allen em preto e branco; e também o processo de julgamento contra o dono da City Lights Bookstore, editor que publicou a coletânea que continha o poema.

Interpretado magistralmente por James Franco, o Harry Osbourn de Homem-Aranha, com um elenco de ótimos atores como Jeff Daniels, Mary-Louise Parker e Paul Rudd, “Howl” não é um filme que concorreria ao Oscar, porém questiona qual seria o verdadeiro modo de expressão dos escritores. Para quem ama poesia, é uma ótima pedida.
Marina Demartini

3 de fevereiro de 2012

Crítica | Rango

"My character's undefined? That's absurd! I know who I am. I'm theeee....I'm the guy! The protagonist, the hero"


...

Fim das férias, então?

Nada melhor do que voltar a ativa falando sobre o Oscar, o maior prêmio do cinema mundial, a entrega da gloriosa e imponente estatueta dourada, concedida apenas àqueles heróis, cujas obras ficarão na história do cinema e na imaginação do povo para todo sempre, certo?

Heh... De minha parte, nunca gostei muito da premiação. Na verdade, não dou muita bola mesmo. Um crítico cinematográfico que se preze deveria estar a par de tudo isso, mas eu não tenho a presunção de me dar qualquer préstimo.

E ainda tem gente que lê o que eu escrevo...

Très bien, ao invés de me dobrar à mídia e assistir um dos filmes por eles indicados (mentira, deu preguiça de ir atrás), eu escolhi um dos dois indicados que eu já havia assistido. Uma animação. Do caralho.

E, para justificar minha escolha e meu ponto de vista, devo dizer que meu pai tem uma extensa coleção de gibis de faroeste. Eu cresci lendo as incríveis histórias de cowboys cavalgando pelas pradarias. Heróis miseráveis, rústicos e austeros, que ostentavam um admirável código de honra e conduta. E faziam-lhe valer com dois Colts na cintura e um Winchester em punho.

Minha escolha, assim sendo, é Rango. O filme carrega o nome do protagonista, um herói inteligente, insano e adepto de uma boa verborragia – como alguns dos melhores heróis que conheço – que lembra os trejeitos de seu dublador, Johnny Depp. Rango é um camaleão que vive em um aquário, com um peixe de brinquedo, uma barata e meia boneca. Até que tudo isso cai de uma camionete em movimento e se espatifa no asfalto da highway que leva à Las Vegas.

A queda é uma cena interessante, com uma ponta dos protagonistas do excelente “Medo e Delírio em Las Vegas” – sobre o qual ainda vou escrever aqui – que passam por essa mesma estrada, no seu grande conversível vermelho, cheio de drogas. Aliás, Rango lembra um pouco Hunter Thompson, o protagonista de “Medo e Delírio”.

O filme segue, Rango vai parar em uma cidade no meio do deserto, que sofre com problemas de abastecimento de água e o assédio de bandidos. Uma escancarada paródia dos antigos westerns que fizeram parte da infância de muita gente, com direito a sotaques sensacionais (recomendo assistir legendado), uma bela dama (nem tanto), duelos ao meio dia, grandes parceiros, pistoleiros, ladrões, trapaceiros, charlatões e canalhas de toda espécie.

Além disso, é carregado de referencias a diversas outras produções de outros gêneros. Por exemplo, tem uma cena de perseguição aérea, regida pela épica Cavalgada das Valquírias, que remete à Star Wars e Apocalypse Now de uma pegada só. Rola, também, uma em que Rango percebe a si mesmo em um deserto extremamente branco. A situação e as atitudes do lagarto nesse lugar lembram muito do capitão Jack Sparrow, quando preso no “Fim do Mundo” pelo temível Davy Jones.

Pode-se dizer, enfim, que o filme se parece muito com seu protagonista. Ambos não possuem uma identidade própria ou uma personalidade definida, sem que isso seja um defeito.

Contudo, todo esse êxtase de piadas inteligentes, insanidade, e referencias geniais divide o tempo da película com certos momentos, tiradas e trejeitos um tanto cansativos e exagerados. Gore Verbinski, o diretor – o mesmo de Piratas do Caribe – não conseguiu alcançar o equilíbrio perfeito e alguns trechos esparsos no filme te fazer desejar que ele acabe logo. E a maioria dos personagens é malditamente feia!
Ainda assim, é uma bela obra, uma admirável homenagem aos grandes do faroeste que mereceria a estatueta. Mas não acredito que vá ganhá-la, sua formula é diferente, de um jeito que eu não acho que o Oscar vá apreciar devidamente.

Enfim, recomendo de verdade, principalmente se você cresceu acompanhando as aventuras destes grandes homens, como Clint Eastwood, John Wayne e Tex Willer. E as corujinhas mariachis são fodas.


Crítica | Os Homens Que Não Amavam As Mulheres


Encarregado de fazer a difícil tarefa de dar vida (novamente) ao Best-seller de Stieg Larsson, David Fincher teve um grande compromisso com os fãs da saga sueca e principalmente com os cinéfilos, que não recebem remakes de braços abertos.

Os Homens Que Não Amavam as mulheres conta com Daniel Kraig interpretando o jornalista Mikael Blomkvist que, após ser condenado pela mídia ao ser acusado por difamação, é procurado por um velho milionário para desvendar o suposto assassino de sua sobrinha predileta, Harriet, ocorrido há décadas. A vida de Blomkvist se cruza com a hacker Lisbeth Salander (a indicada ao Oscar, Rooney Mara), quando o jornalista descobre que foi assunto principal de um dossiê completíssimo e ilegal feito pela jovem perturbada. Ao desenrolar da história, Salander e Blomkvist compartilham suas habilidades a favor do desvendamento do crime.

Por ser uma segunda adaptação cinematográfica para o romance, é inevitável a comparação da obra de Fincher com a obra sueca de Niels Arden Oplev. De início podemos notar que o investimento foi muito maior na segunda versão, a qual fez maior proveito dos detalhes importantes fornecidos no livro, o que de certa forma, deu maior satisfação aos leitores. Em contrapartida, com relação aos atores não há nada a ser desmerecido na versão de 2009, os suecos desempenharam-se tão bem quanto os da versão mais recente.

Millenium 1 passou pelos olhares críticos e como resultado está concorrendo a 5 estatuetas de ouro, entre elas destaca-se, a já citada anteriormente, a indicação de Rooney Mara como melhor atriz. Mara mostra-se impecável ao desempenhar extremos, em contrapartida, deixa a desejar em cenas de diálogo simples; A atriz apresenta-se experiente ao julgar pelos poucos anos de trabalho.

Além desta categoria, o filme de Fincher também concorre nas categorias: Fotografia, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som, questões técnicas que foram minuciosamente trabalhadas. Quanto a fotografia não podemos negar que a “beleza branca” do inverno sueco colaborou nas imagens, mas que em questões mais simples (o enquadramento vindo de cima no rosto de Bjurman e de Lisbeth) também foram geniais. Quanto ao som, na cena em que a jovem perturbada encontra-se tranqüila em seu apartamento, ocupada com o computador, podemos notar a atenção que a equipe de som teve. Conseguimos ouvir barulho de uma banda (deixando a impressão certa de que ela mora em lugar agitado), um bebê chorando, risadas no corredor e barulhos de carro na rua, detalhes simples que passam a perfeita noção de normalidade.

Apesar das cinco indicações, vale lembrar que o roteiro de Steve Zaillian foi injustamente esquecido na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, já que Zaillan foi muito competente na adaptação do romance. Ao contrário da versão cinematográfica sueca, em que muitas partes o telespectador se perdia e ficava sem respostas, na nova versão o filme se desenvolve claramente.

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres chamou a atenção da crítica e dos telespectadores e a boa impressão é mérito da experiência de Fincher e de sua cobrança quanto à atuação. Terminado o filme, a sensação que fica é a de satisfação, tanto dos cinéfilos, como dos amantes de um bom romance.

30 de janeiro de 2012

Crítica | O Homem que Mudou o Jogo

Minha angustia ao saber que será lançado um novo longa sobre esportes vem dos temíveis filmes de cachorros desportistas, mas parece que, finalmente, repensaram o gênero. Moneyball é um filme que demonstra o sucesso dessa reforma. Apontado como um dos melhores do ano por crítica e indicado à 6 estatuetas (entre elas a de Melhor Filme), o projeto do diretor Bennet Miller (Capote, The Cruise) é um exemplo para como deve ser feito filmes sobre esporte.


O jogo de imagens contrastando as cenas do filme com as imagens reais dão um tom estranho ao filme, no sentido mais positivo da palavra. A quebra das cenas com cortes rápidos para as imagens “reais” faz parecer que tudo foi categoricamente feito pensando no filme, mesmo que ali tenha acontecido de verdade. Miller conseguiu usar esse efeito em boa parte do filme, sem torná-lo massante.

Todas as limitações que circulam a atuação baseada em um personagem real, ainda mais tão recente como Billy Beane, não foram problemas para Brad Pitt, quando vemos Beane ansioso na hora do jogo, tentando se distrair, o aperto que nos dá querendo empurrar o personagem para o jogo aponta que funcionou a ideia do diretor. Em vez de focar no jogo em si, preferiu demonstrar que o personagem principal ficava mais nervoso que aqueles que estavam dentro de campo. que volta a concorrer o Oscar. Brad encarna, com perfeição, o drama que entorna a vida do gerente esportivo, tanto na sua relação com sua filha, como com a ex-esposa e com o atual marido dela, mas os grandes momentos se dão nas conversas com seu companheiro Peter Brand e com os olheiros do time.

A atuação foi um campo cheio de boas aventuras no filme, além de Brad Pitt, Jonan Hill(Superbad) fez uma atuação excelente, sendo indicado para o Oscar como ator coadjuvante. Ele conseguiu tirar aquela imagem do “gordinho frustrado” que sempre segurou nos outros trabalhos de sua carreira, entrando no personagem com suas inseguranças vista no balançar nervoso das mãos quando falava com o chefe no começo do longa até o “relaxamento” quando começaram a se tornar mais intimo.as os grandes momentos se dão nas conversas com seu companheiro Peter Brand e com os olheiros do time.

Outros atores também se destacaram, como Philip Seymour Hoffman (Doubt, Capote) como o Treinador Art Howe, principalmente nas cenas de discussão com Billy Beane. A jovem Kerris Dossey também foi muito bem, representando a filha de Billy.

O filme é um forte candidato ao Oscar, pois se diferencia pela dramatização do esporte e pode ser um marco nesse gênero. Se falta ação, que pode ser questionado por alguns fãs de baseball, as cenas onde uma atuação elegante dá o tom e a classe demonstra que um filme sobre uma realidade tão atual pode ser bem produzido, ser parecido com o que realmente aconteceu e ao mesmo tempo ser agradável aos fãs da sétima arte.

2 de dezembro de 2011

Crítica | Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto



“Vocês todos parecem farinha do mesmo saco”, frase dita por Andrew Hanson (Philip Seymour Hoffman), o protagonista do filme “Antes que o diabo saiba que você está morto” obra do diretor estadunidense Sidney Lumet. O filme conta a história do assalto dos irmãos Andrew Hanson e Hank Hanson (Ethan Hawke), à joalheria dos próprios pais, porém o que acontece e que Nanette Hanson (Rosemary Harris), a mãe de Andrew um executivo viciado em drogas e de Hank um homem que não consegue pagar a pensão da própria filha, é ferida durante o assalto a joalheria.

“Antes que o diabo saiba que você está morto” encerra o ciclo de filmes do projeto Tela Alternativa, mas não significa que acaba as críticas acabam por aqui, pois utilizaremos das férias para comentar e continuar a indicar filmes e produções audiovisuais para você.

Continuando a analise, “Antes que o diabo saiba que você está morto”, em primeiro momento Lumet explora o choque familiar dramático da família Hanson, isso pela escolha em aplicar eutanásia em Nanette, (que teve morte cerebral após ser vitima do assalto), e tudo acaba por ser decisão do pai de Andrew e Hank, Charles Hanson. Charles jura vingança aos assaltantes da joalheria, sem saber que eram seus filhos os responsáveis pela morte de Nanette.

O filme não segue uma linearidade cronológica isso porque Lumet apela a uma nova estética cinematográfica, mesclando um estilo próximo ao New Hollywood. Lumet como está em um artigo anterior, iniciou sua carreira cinematográfica com a exposição de cineastas autorais como Stanley Kubrick e John Cassavetes. No entanto e perceptível que Lumet em “Antes que o diabo saiba que você está morto”, tentou mesclar um estilo artístico a sua linguagem televisiva. No entanto como esclarece o próprio Lumet “existem filmes que não deveriam ser exibidos na TV”. Diria que “Antes que o diabo saiba que você está morto” é um dos filmes que entra na lista dos não televisivos.

Outros dramas ocorrem durante o filme, um deles é o caso que Hank tem com a Gina (Marisa Tomei) esposa de seu irmão Andrew. O fato e que por problemas financeiros, Andrew e Hank apelam ao assalto à loja dos pais, como forma de solucionar os seus problemas. No entanto Lumet queria destacar o descontrole do sonho americano, onde todos buscam um lugar no paraíso. Esse pensamento se confunde em alguns momentos do filme como uma forma de fuga e escapismo, como acontece com o desejo de Andrew em morar no Rio de Janeiro, mas o Rio acaba apenas por formar uma imagem de um desejo, um sonho a ser realizado.

A obra mostra muito o descontrole humano, isso em todos os momentos marcantes do filme o descontrole dos personagens se torna evidente. No entanto esses fluxos ocorrem pela ótima interpretação dos personagens, em destaque para Philip Seymour Hoffman no papel de Andrew. As situações no fim do filme são as mais tensas com a morte de Andrew, assassinado pelo pai Charles em uma cama no hospital, após ser baleado. Lumet desenvolveu uma contraproposta em relação a “Um dia de cão” uma das obras primas de Lumet e que explora um assalto a partir da perspectiva dos assaltantes. “Antes que o diabo saiba que você está morto” compõe uma trama conforme as conseqüências de um assalto a partir da ruína que se torna a vida das vítimas do incidente. Mais do que imprevisto Lumet destrói a fama do sonho americano e revive os fortes sentimentos da raiva familiar.

Gildo Antonio

27 de novembro de 2011

Crítica | Um dia de Cão


As experimentações de Sidney Lumet estão claras nesse filme, uma delas é a influência do teatro que deixou a obra com essa característica de planos gerais. As tomadas de cena são feitas amplamente pois o objetivo e que o filme se consolide a partir de um cenário. Esse experimentação de linguagem televisiva e teatral nasce com seu primeiro filme e também como primeiro sucesso “Doze homens e uma sentença”, filme que lança Sidney Lumet no cenário dos grandes diretores e roteiristas estadunidense. O que me deixa ansioso e descobrir sobre a matriz cinematográfica de Lumet e modo como surgiu essa experimentação ou até convergência de linguagens cinematográficas.

O que aconteceu e que a partir da década de 1960 nos Estados Unidos ocorre o declínio das redes de filmes e dos autores independentes como Stanley Kubrick, John Cassavetes, e a convergência para a indústria cinematográfica de Hollywood. Sidney Lumet, no entanto parte na construção de uma linguagem cinematográfica própria, uma forma de resistência dos filmes de autor e é claro fugindo os modismo do cinema de Hollywood.

 Essa construção de uma linguagem dos filmes de Sidney Lumet constrói-se em dois momentos: no espaço geográfico isso fica claro, pois parte da obra de Lumet e produzida em Nova York, ao outro momento e o realismo dos filmes de Lumet, talvez pelo roteiro de “Um dia de cão” que se inspirou em uma tentativa de assalto a banco, no entanto em suas obras de ficção parte da cinematografia inspirada no real.“Um dia de cão” para quem não sabe foi vitima da fúria de John Wojtowicz, o assaltante da reportagem da qual Lumet havia se inspirado, ele mandou uma carta ao New York Times, relatando que o filme teve apenas “30% de verdade”, John criticou também a morte de Sal ,e da mulher que ele estava separado porém no caso Sonny o personagem inspirado em John convivia com a mulher e seu amante Leon, o que descordava Wojtowicz. Wojtowicz nesse mesmo artigo elogio a interpretação de Al Pacino e John Cazale. A obra é uma boa referência para quem procura construir boas histórias a partir do que encontramos no cotidiano, o importante para Lumet e que a história seja parte o fora do comum. Acima de tudo o que temos que entender que a vida como as obras de Lumet, parte tanto da poesia e arte do dia a dia como da realidade absurda que forma esse sufoco em meio ao turbilhão das rotinas da cidade grande. Gildo Antonio


“Attica, Attica, Attica” tomo minhas as palavras de Sonny Wortzik personagem de Al Pacino em “Um dia de cão” um filme de Sidney Lumet. "Attica" e a referência de um massacre feito pela polícia em uma invasão mal sucedida a um banco. Em"Um dia de cão" Sonny grita a multidão sobre "Attica" com o intenção de conseguir com aquele público aprove suas atitudes. A história de “Um dia de cão” passa sobre o sufoco do caldeirão de Nova York. Sonny junto com seu amigo Sal (John Cazale) e um primo dele (Gary Springer), que desiste de acompanhá-los no assalto, invadem uma agência bancária do bairro do Brooklin em Nova York. O problema é que a tentativa de assalto porém acaba dando errado e quanto Sonny e Sal estão prendendo os funcionários da agência no cofre durante a invasão, e são surpreendidos pela polícia que havia cercado a agência e faz contato com Sonny por uma linha direta da barbearia que se encontra em frente a agência. A busca de Sonny por dinheiro não é referente ao sonho de vida estadunidense, mas para pagar a operação de troca de sexo para o seu parceiro, Leon (Cris Sarandon).

5 de novembro de 2011

Estreias da Semana de 06/11 a 12/11

Sim. O post tá atrasado. Mas os filmes serão lançados só na sexta, então não me encham o saco! Além do que, percebe-se que o blog tá mais parado do que olho de vidro, certo? Então, do meu mais arrogante ponto de vista, acho que qualquer atualização é bem vinda.
Só mais uma coisa antes de partir para o papo sério (até parece). Queria aproveitar a oportunidade para avisá-los que perdemos um de nossos soldados. Matheus Lara, um dos lendários membros fundadores do blog pediu uma licença para tratar de outros assuntos que exigiam sua atenção. Muito obrigado, Matheus, por tudo o que você fez por nós e eu espero que você queime nas escuras profundezas do inferno por essa deserção. Sentiremos sua falta e as portas estarão sempre abertas se quiseres voltar.
Sem mais, partimos para os lançamentos da semana.
PRONTO PARA RECOMEÇAR (Everything Must Go): Só pra começar, eu quero dizer que não gosto do Will Ferrell. Seus personagens geralmente são muito exagerados e idiotas, e não sei se eu fiquei traumatizado com algum personagem em especial, mas pra mim ele tem cara de algo um tanto... vil e obsceno.
Em Pronto Para Recomeçar, Ferrell interpreta Nick, um alcoólatra que acaba de perder a mulher e o emprego, tenta vender suas coisas para recomeçar a vida e, de alguma maneira, um cara que se muda para a vizinhança poderá resolver todos os seus problemas. O “plot” não me convenceu e a impressão que dá é que será uma comediazinha fraca com alguma lição de moral clichê.

11-11-11: Próxima sexta-feira será dia 11, do mês 11, de um ano que acaba em 11! Isso só acontece a cada 100 anos! ... E não significa absolutamente nada. Sério, esse tipo de paranoia me incomoda. Mas, como “tem algo místico na data”, alguém decidiu, como de praxe, se aproveitar dela e fazer um filme.
Na película, morrem a mulher e o filho do famoso escritor Joseph Crone, então ele saí dos EUA e segue para Barcelona para visitar seu pai que está morrendo. Do nada/de repente/de supetão, os números 11-11 começam a persegui-lo e coisas estranhas passam a acontecer. Então, obcecado, ele acaba perdido em um país estrangeiro e descobre que os números tem um significado para toda a humanidade. Segundo a sinopse, “11/11/11 não é somente uma data, é um AVISO”. Sentiu?

REFENS (Trespass): Já falei que também não gosto do Nicolas Cage? Pra mim ele compartilha com a Kristen Stewart uma eterna expressão de constipação... Daquelas de quem está há algumas semanas sem uma boa visita ao banheiro.
Deixando de lado a cara de quem não caga, do Nicolas Cage, falemos sobre o filme. A premissa é... é... é o Quarto do Pânico com o Nicolas Cage, e sem um quarto do pânico! Kyle tem uma bela esposa, uma linda filha adolescente e uma vida perfeita. Até que a casa é invadida por bandidos. Então eles estão presos em sua própria casa e, de acordo com a sinopse, “todos os segredos da família deverão ser revelados na luta contra os invasores”.

O GUARDA (The Guard): Brendan Gleeson! Finalmente alguém que eu respeite. O gordinho irlandês representa um policial americano, de origem irlandesa, rude e excêntrico (o tipo de personagem que eu gosto) que trabalha em uma cidade rural. A cidade se torna alvo de uma investigação do FBI depois de um oficial é morto. Gerry Boyle, personagem de Gleeson, precisa trabalhar junto com um rigoroso agente do FBI (Don Cheadle), que contrasta com o seu modo de ser. A batalha entre egos é um baita clichê, mas, ainda assim, o filme promete umas boas risadas.

AMANHÃ NUNCA MAIS: Fecho a lista com um brasileiro. O protagonista é interpretado por Lázaro Ramos, embora eu não o considere excepcional, Ramos é um bom ator. Acredito na capacidade dele de render um bom filme.
Lázaro interpreta um estressado médico-anestesista, que trabalha demais e que, por isso, passa por uma crise no casamento e não consegue conviver com sua filha. Para recuperar a posição de pai de família, ele se compromete a pegar o bolo de aniversário para o aniversário (ah, vá) da filha. Como de se esperar, ele passará por intermináveis obstáculos para cumprir essa missão impossível, e provavelmente viverá feliz pra sempre no fim da história, que terminará com uma bela lição de moral. Novamente, pode ser clichê, mas tem grandes chances de ser um bom filme.
Encerro aqui mais um Lançamentos da Semana. Espero que tenham se divertido e peço que continuem acreditando, o A Bilheteria vive!

27 de outubro de 2011

Crítica | Metrópolis

O mediador entre a cabeça e as mãos, deve ser o coração” essa e a frase de inicio do filme “Metrópolis” de Fritz Lang. O filme é considerado por muitos críticos um clássico do cinema mudo, produzido em 1927. A história ambienta-se no século XXI, em um futuro autocrático e dominado por um empresário que controla a energia da Metrópolis. Na obra de Fritz vemos um futuro dividido entre trabalhadores e burguesia. Essa burguesia no filme e formada pelos amigos e familiares de Joh Fredersen (Albert Abel), o empresário que domina os recursos da Metrópolis.
"Metrópolis” relata o absolutismo progressista do futuro. A obra relembra muito a França no período do século XVI no governo de Luís 14, também foi um período de grandes obras na França e de uma separação nos extratos sociais franceses. Nisso começo a pensar, que na rea­lidade Fritz apenas constatou um fato na natureza humana e não vez nenhuma previsão do futuro como alguns pesquisadores de cinema propõe. “Metrópolis” está mais próximo de in­terpretar a ganância e a exploração humana do que o futuro do apocalíptico e do vício na tec­nologia.
O problema da Metrópolis passa a ser a loucura de um inventor, Rotwang (Rudolf Klein – Rogge) em causar o conflito entre os trabalhadores e os burgueses. No entanto o que é um avanço científico no filme também causa espanto, como é o caso da conversa televisionada entre Joh Fredersen e Grot, o líder dos trabalhadores, (lembrando que faltava ainda mais duas décadas para a popularização do aparelho).
No entanto outra surpresa de Fritz e um andróide da operária, Maria, que era uma líder espiri­tual dos trabalhadores e ela com o filho do empresário, Mestre Freder conseguem salvar Me­trópolis do caos. O filme e recheado de frases de efeito poéticas, talvez esse diálogo poético do filme esteja relacionado ao fato de ser uma obra sem a utilização de som ou falas, o que pede maior expressão e interpretação dos atores. Inclusive é estilo que requer uma filmagem com maior ritmo.
Fritz encanta com sua estética por utilizar planos que demonstram a Metrópolis com a utiliza­ção de panorâmicas da cidade e do submundo dos trabalhadores. Fritz fez o favor de iniciar uma das melhores ficções científicas da primeira metade do século XX. Os efeitos especiais também causam espanto, até pela época que havia sido filmado. Desconfio até que “2001 uma odisséia no espaço” de Stanley Kubrick não era tão inovador e ambientado no futuro quanto “Metropólis” de Fritz. Isso porque Fritz está mais ligado ao ser humano do que no processo técno-científico, sendo assim e mais fácil se reconhecer o ser humano do século XXI com “Me­trópolis” que os demais filmes de ficção científica.
Com último comentário, devo lembrar que em muitos sites sobre cinema podem aparecer certas explicações sobre “Metrópolis”, relatando que Fritz e um dos expoentes do expressio­nismo alemão e julgam a obra de Fritz como um clássico desse período, o importante nesse comentário, e que Fritz utiliza demais cenas externas o que na realidade está um pouco fora do padrão do expressionismo alemão. Pois no expressionismo alemão por causa do baixo or­çamento utilizavam-se mais filmagens em estúdio do que externas. As obras do inicio da car­reira de Fritz têm mais essa característica de expressionismo que seus clássicos. Gildo Antonio